Corrupção com nota fiscal leva culpados a um beco sem saída

Pedro do Coutto

As reportagens de Cleide Carvalho, O Globo, e de Rubens Valente e Mário Sérgio Carvalho, Folha de São Paulo, publicada nas edições de ontem, 25, comprovando o pagamento de comissões na Petrobrás mediante a emissão de notas fiscais indicando respectivos depósitos bancários, conduziu as investigações ao seu plano máximo e os culpados a um verdadeiro beco sem saída.

Depois do episódio divulgado pela Galvão Engenharia, o que poderão alegar? Nada. Absolutamente nada. As provas colocadas a público são plenamente concretas. As duas matérias, se não forem as primeiras, estão entre as primeiras a focalizar a existência de corrupção mediante recibo.

Foram emitidos vários recibos pela Galvão Engenharia em nome da LFSN Consultoria, contendo parcelas que, adicionadas, atingiram o montante de 8,5 milhões de reais, à base de um contrato de prestação de serviços. Quais foram esses serviços? Eis aí uma pergunta definitiva. De fato, nem havia necessidade de tal indagação. A Galvão, segundo Cleide Carvalho, enviou planilha à Justiça Federal. Essa empresa se afirma vítima de extorsão, linha de defesa seguida igualmente pela Mendes Junior.

NÃO HAVIA LIMITE

Extorquidos e extorquidores, percentagens e percentauros, o giro que envolvia a Petrobrás e seus fornecedores era de 360 graus. Não havia limite. Tem-se a impressão que, diariamente, os limites eram cada vez mais flexibilizados enquanto as participações multiplicavam-se à medida em que surgiam oportunidades em sequência. Respaldo evidente do sistema financeiro. Tanto assim que procuradores do Ministério Público Federal viajaram para a Suíça na tentativa de repatriar recursos que evaporaram além das fronteiras do país.

Esse esforço independe da disposição demonstrada por Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, entre outros, de assumirem a iniciativa para efetivarem devoluções de muitos milhões de dólares. Os prejuízos, somados, assim, atingiram montantes colossais. Perdeu a Petrobrás, perdeu o orçamento brasileiro, dólares preciosos voaram para o exterior através de transferências computadorizadas. Sim. Porque é totalmente improvável supor-se através de qualquer outro meio.

PAGANDO IMPOSTOS

Um tema a cargo da elucidação do Banco Central. A trilha dos fatos, como se constata, aplica-se à medida em que novas descobertas vão surgindo. Como o episódio da emissão de notas fiscais que, inclusive, sujeitavam as firmas citadas ao pagamento de impostos. O Imposto Sobre Serviços, um deles. O Imposto de Renda, outro.

Além de tudo isso, surge na mesma edição de O Globo reportagem de Bruno Rosa e Ramona Ordonez, revelando que a Sete Brasil, firma da qual a Petrobrás participa, encarregada de fornecer sondas para o Pré-Sal, pagou 6,5 bilhões de dólares por sondas que ainda não começaram sequer a ser construídas nos estaleiros em Aracruz, Espírito Santos e Paraguaçu, Bahia, ainda se encontram em construção. O estaleiro Rio Grande, por seu turno, passa por obras de expansão.

Pagar antecipadamente por equipamento parado a serem entregues a médio prazo, na melhor das hipóteses, significa financiar os empreendimentos, além de garantir mercado aos fornecedores. Enfim, um passo a mais, como O Globo destacou, no beco no qual não existe saída possível. Impressionante.

13 thoughts on “Corrupção com nota fiscal leva culpados a um beco sem saída

  1. Nem todo dono de empresa de Consultoria é trambiqueiro, mas todo trambiqueiro,
    é dono de empresa de Consultoria. Empresa de Consultoria virou sinônimo de
    negócio escuso, de lavagem de dinheiro.

    • E todo picareta que sai do governo vira ‘consultor’. Deve ser bom, um reeducando consultor nunca negou a conta 660-46652 do Delta Bank, nas Ilhas Caymans, denunciada pelo Tuma Jr. às fls 545 à 555 .

  2. Alegar que foram extorquidos porque perderiam contratos é tentar se esconder da culpa pela falta de coragem para botar a boca no trombone e denunciar a corrupção. É compactuar com o crime. Se alguma das empreiteiras de grande porte tivesse feito isto da primeira vez que tivessem tentado extorqui-la, o escândalo na época teria forçado uma investigação onde ganharia a denunciante, a Petrobrás e principalmente o Brasil.

  3. PT acredita que vaca ri na cadeia…

    Moro, hahai!, para a galera lingua solta: cheg menino, não fala pulitica!!!!

    O que há em comum entre politicos, juizes e astros do rock, Billy Joe?

    Surtos, picuinhas e chantagens megalomaniaca. Nem os loucos entendem!

  4. Prezado Wilson, teoricamente você está certo, mas na prática, o pedido de
    propina é feito verbalmente. No caso da empresa denunciar os extorquidores, ficará palavra contra palavra, não dará em nada e empresa ficará queimada, essa é a dura realidade. Corrupção que se preza, não passa recibo.

  5. É isto comprova que a Receita Federal usa uma malha especial que deixa passar Tubarões e Lulas do Brasil e só pega peixinhos.

    Gostaria de saber como o Ibama deu autorização para uma rede dessas.

  6. Se os Presidentes da República, a atual e o anterior ouvissem e
    solicitassem ao TCU fiscalização rigorosa das obras do governos, com certeza não teríamos essa roubalheira gigantesca que assola o país.

    • Nélio, comecei escrever sobre Pasadena e Abreu e Lima, no G 1 desde 2009. Em 2008 o TCU já solicitou a suspensão das obras de drenagens da Abreu e Lima devido a um superfaturamento nos quantitativos das drenagens superior a 1.200%. Alegaram ‘erro de engenharia’ e foram em frente.

  7. Fiscalizar é uma coisa, impedir é outra.
    Permitir sair (ou entrar) dinheiro de uma conta para outra, numa boa, sem controle real, apenas com um escondido e fraudável registro, mormente para fora do país, confirmado por um simples “enter” sem identificação, isto sim é que é uma verdadeira e ininteligível fraude.
    Todos estes envios tinham que passar por um controle do Banco Central, rígido, fiscalizado, re-fiscalizado e recuperável de imediato, se entendido irregular.
    Para arrematar, necessariamente punida esta fiscalização, se falha, bem como o fraudador, se apanhado.

  8. Artigo atual e desafiador mexeu com a imaginação dos leitores, o que sobrou muito bem por todos que deram sua opinião. A minha, depois de analisar bem, é que não estamos mais em um túnel.
    Ledo engano, doce ilusão, o momento, está mais para um buraco, sem fundo…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *