Corrupção e violência

Edson Khair

A entrevista que o presidente Itamar Franco concedeu ao jornalista Mauro Santayana do Jornal do Brasil, no domingo, 6/6/2010, demonstra que há um fio de esperança para políticos éticos no Brasil. Já dizia Graciliano Ramos em sua insuperável obra Memórias do Cárcere, ao descrever o primeiro estágio do fascismo brasileiro, ou seja, o Estado Novo (Getúlio Vargas) que “a liberdade nunca é absoluta, começa a ter problemas com a sintaxe e termina às voltas com a extinta Delegacia de Ordem Política e Social (repressão política).

Assim, substituindo a violência brutal dos fascismos brasileiros, Estado Novo (1937 a 1945) e a da segunda etapa do fascismo caboclo (leia-se ditadura militar vigente após o golpe militar de 1964, que depôs o presidente constitucional do país João Goulart).

Depois desta página de chumbo que perdurou durante 21 anos, ocorre à primeira eleição direta para presidente da República. Collor elegeu-se presidente, iniciando-se o ciclo da grande corrupção nacional, sempre favorecida pela criação de Brasília. Como sabemos, a corrupção é uma das formas mais cruéis da violência. Ambas sempre estiveram associadas. Corrupção e violência são a mesma moeda, com duas faces.

Assim, Collor; Sarney; FHC e Lula transformaram a violência como os grandes produtos nacionais de uso interno e de exportação, num país que continua sendo subdesenvolvido. Não é como quer o sistema, um país “emergente”.

Desta forma, o que escapa a este infame desenho da política brasileira atual é a presença de Itamar Franco na presidência da República no século passado, mais precisamente na década de 1990.

Em magnífica entrevista concedida a Mauro Santayana, Itamar Franco demonstra a rara possibilidade de uma presença ética na política. Sem mensalões, aloprados, dirceus, silvinhos, delúbios “et caterva.” Todos denunciados pelo Ministério Público Federal pelo então procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza. Contudo, o excelentíssimo procurador talvez tenha esquecido, ou razões maiores, impediram-no de denunciar o chefe da maior societas sceleris (sociedade para delinquir) da História do Brasil, ou seja, o atual titular da cadeira do Palácio do Planalto.

Edson Khair, ex-deputado federal, ex-deputado estadual,
sub-procurador geral do Trabalho aposentado, jornalista e advogado.

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