Corrupção na Petrobras começa a atingir o governo Dilma

Deu na Folha

Citado em delação premiada na Operação Lava Jato, o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, deve deixar o cargo.

Ministros ouvidos pela Folha afirmam que sua saída se tornou inevitável” após o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef o colocarem na lista de suspeitos de terem recebido “comissões”.

Avalia-se que o caso envolvendo Cosenza é o mais grave da gestão Dilma Rousseff, pois rompe o cordão sanitário” das denúncias. Até então, os principais episódios do caso tratavam do período anterior ao de Graça Foster na presidência da Petrobras.

Com a citação a Cosenza, revelada na segunda (17), governistas avaliam que a Polícia Federal busca “provar” que o esquema continuou após 2012, quando Sérgio Gabrielli, indicado por Lula e inicialmente mantido por Dilma, deixou o comando da estatal.

Auxiliares da petista temem que o escândalo possa respingar no governo, que tentava se blindar circunscrevendo os problemas aos indicados da gestão Lula.

No governo do ex-presidente, Costa foi indicado para a diretoria de Abastecimento. Em 2012, com a saída de Costa, Graça Foster nomeou Cosenza para a vaga.

A foto de Cosenza ao lado de Graça nesta segunda, mesmo dia da revelação da citação, repercutiu mal. Eles participavam de uma conferência para divulgar os dados operacionais da empresa.

WAGNER

Na avaliação de Lula, a reforma ministerial do novo governo Dilma deve passar imediatamente pela substituição de Graça Foster na presidência da Petrobras. Seria uma tentativa de evitar que o escândalo se instale de vez no Palácio do Planalto.

Um dos nomes defendidos pelo ex-presidente para assumir a chefia da empresa é o do ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT). Nesta segunda-feira, os dois conversaram reservadamente no Instituto Lula, em São Paulo.

Segundo a Folha apurou, Lula está incomodado com a falta de estratégia de defesa da Petrobras. Ele acredita que, no momento em que as investigações da Operação Lava Jato estão mais acirradas em direção ao PT, Graça não tem mais condições políticas de defender a empresa nem de retomar seu protagonismo econômico.

Nomeada presidente da Petrobras em fevereiro de 2012, após administração de Gabrielli (que estava à frente da estatal desde 2005), Graça é de confiança de Dilma.

GOVERNO PARALISADO

Dirigentes do PT avaliam que a crise na maior empresa brasileira, com influência no quadro econômico do país, somada à paralisia do Legislativo, acabou por frear o governo nos últimos meses do primeiro mandato de Dilma.

E agora temem um aumento dessa paralisia caso a presidente adie ainda mais a composição de sua nova Esplanada dos Ministérios.

Os ministros nomeados pela presidente serão fundamentais para o diálogo com a base aliada no Congresso, caminho para a eleição de um presidente da Câmara com o aval do Palácio do Planalto.

As nomeações para a Esplanada, dizem os petistas, servirão como sinalização de estabilidade para o governo.

Apesar de Lula e aliados defenderem a ida de Jaques Wagner para o comando da estatal, Dilma tem outros planos para o ex-governador, de quem é amiga próxima. Um ministério palaciano é uma de suas apostas. Wagner, por sua vez, gostaria de assumir a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, segundo a Folha apurou.

Aliados afirmam que Lula e Dilma devem se encontrar na próxima semana, em Brasília, para discutir o novo governo e a crise na Petrobras.

11 thoughts on “Corrupção na Petrobras começa a atingir o governo Dilma

  1. CORRUPÇÃO NA PETROBRAS ATINGE O POVO BRASILEIRO, TAMBÉM!
    Petrobras começa a causar prejuízos aos trabalhadores e ao povo em geral
    O rompimento de contratos pela Petrobras, motivados pelos comprovados atos de corrupção em alguns de seus negócios investigações pela PF – Operação Lava Jato, provocam, de imediato, enormes prejuízos a município/região no RS, afetando milhares de trabalhadores e as populações.
    A Petrobras rompeu o contrato com a Iesa Óleo e Gás ( construção de 16 módulos para plataformas de petróleo). Informações do prefeito Davi Gilmar Souza (Charqueadas-RS), que esteve ontem, em Brasília, buscando solução para o impasse do Polo Naval do Jacuí. Com o provável fechamento da empresa, mais de 1.000 funcionários e 4.000 outros trabalhadores, perderão seus empregos.
    “Estamos tentando construir com o vice-presidente Michel Temer uma solução para tentar resolver o problema dos trabalhadores. Se não for com a Iesa, que seja com outras empresas. Ele disse que ia falar com o ministro Lobão (de Minas e Energia) buscando uma resolução para esse caso que envolve milhares de pessoas”, informou o prefeito. O contrato era de aproximadamente US$ 800 milhões. A Petrobras não quis se manifestar sobre o assunto.
    A Iesa, atuando desde 2013 no município, já enfrentava sinais de retração desde a metade deste ano. É uma das nove empresas investigada pela Polícia Federa,l por suspeita de fechar contrato com a Petrobras através do pagamento de propina. Integrantes da direção da empreiteira foram presos pela Operação Lava Jato.
    Importante – O aparelhamento de estatais, com comprovados atos de corrupção, começa a causar prejuízos sérios a parcelas da sociedade brasileira. O aprofundamento das investigações poderá produzir novas vítimas.
    Retornando aos meses finais de 2013 e os primeiros de 2014, encontraremos toda a sorte de afirmações da Presidente Dillma, dos dirigentes e ex-dirigentes da Petrobras, de lideranças do PT e de seus seguidores mais fiéis, de que, as notícias sobre corrupção na empresa eram um ataque ao governo, preparatórios a campanha eleitoral, por parte da oposição.
    Recolhendo as afirmações feitas desde o surgimento da operação Lava Jato, chegamos a triste verdade, não vista e não compreendida pela maioria da sociedade brasileira. A atual direção da Petrobras, a maioria dos integrantes da Câmara Federal e do Congresso Nacional, as lideranças petistas e a própria Dillma esconderam a verdade embaixo dos tapetes. mentiram para todo o povo brasileiro! Não podemos esquecer: em nenhum dos fatos, existe a mão da oposição.
    Passadas as eleições, com o novo quadro político já pintado, apenas a espera de ser colocado na parede, inicia um novo mandato, com as mesmas “figurinhas” já carimbadas.
    O povo brasileiro, embalado por mentiras e “bolsas esmolas”, dormiu acreditando no fim da herança maldita dos governos de FFHH. Quando acordar, terá diante de seus olhos a verdade que uma pequena parcela da sociedade já sabia: a corrupção tomou conta de tudo.
    Cabe agora aos “conscientes” eleitores brasileiros responder:
    – quem assumirá a responsabilidade e pela ocultação dos fatos ruinosos que estão destruindo a maior empresa, maior orgulho do povo brasileiro?
    – quem mentiu durante a campanha eleitoral?
    – Dillma e seus aliados continuam a merecer credibilidade da sociedade brasileira?
    – o que acontecerá daqui para a frente?
    Com a palavra, os “cidadãos brasileiros”!

    • Sobre o aparelhamento estatal, a conta é “por baixo”, segundo Paulo César Régis de Souza (Vice Presidente da ANASPS):

      Criaram 39 ministérios e colocaram 30 mil terceirizados, 30 mil temporários, 6 mil “consultores” externos, sem concurso, aparelhando o Serviço Público Federal.

      • Wagner
        O estado terceirizado não é mais estado: é uma empresa privada.
        O que condenaram e condenam nos outros, usam descaradamente para enriquecimento das lideranças dominantes e de seus asseclas e bedéis.
        Estranho que não tenham usado a desculpa: se largarmos o governo para a oposição, serão milhões de desempregados.
        Parafraseando-o, se me permite, “esta cambada cairá um a um, se Deus quiser, e como Deus quer, impeachment já.”. E cairão como moscas!
        Abraço Wagner.

  2. Outra coisa incrível nessa história toda foi a (não) participação do Coaf ! Ele tem um caráter preventivo e somente depois que tudo estourou é que ele achou ‘indícios’ de movimentações irregulares de mais R$ 23 bilhões ! Não podemos esquecer que o Paulo Costa movimentava 1.832 contas bancárias, sendo 1.716 delas no Banco do Brasil…. Muito elefante para ninguém ver !

  3. Amigos comentaristas e colunistas:
    Punição severa aos dirigentes, funcionários e outros envolvidos.
    No entanto, não podemos, em hipótese alguma, esquecer os demais responsáveis: os conselheiros que fizeram e fazem parte do Conselho de Administração da PETROLAMA.
    Quem já integrou conselhos sabe: as deliberações são tomadas pela maioria. Quem discordar ou quiser denunciar atos ilegais/criminosos (não utilizarei mais malfeitos)
    a qualquer momento, registrando em ata ou votando em separado. Votando a favor estará de acordo.
    Assim, é importante manter na memória e nos acontecimentos os nomes deles todos. Dillma como presidente poderia/deveria ter denunciado. Calou, concordou. os demais, da mesma foma. todos são responsáveis também. Aliás, não realizavam naquele órgão trabalho comunitário, não remunerado. Eram e continuam sendo os atuais, regiamente pagos para a tarefa e para as responsabilidades.
    O episódio é tão grave, de proporções tão inimagináveis, que nenhum “rato” pode sair deste episódio e de outros, sem deixar o pelo e o couro no cabide da justiça!

    • Concordo com você Antônio e acredito que seja pior… A diretoria tem que ser mudada, afinal como a presidente de uma empresa como a Petrobrás não sabe que existem roubos dentro da empresa? E o pessoal da auditoria? Todos tem que ser dispensados ou investigados. Será que foi incompetência? Conivência? Temos que descobrir… No mínimo a empresa mostrou uma ineficiência interna enorme. Conheço o modo de trabalho da Petrobrás e é referencia em gerenciamento de projetos. Portanto alguém fez vista grossa…
      A Graça Foster informou que através da SMB foi descoberto que havia recebimento de propina. O que foi feito com o funcionário(s) que recebeu?

  4. O nome Operação Juízo Final, para a prisão de dirigentes de grandes empreiteiras, é muito pretensioso. O Juízo Final ainda está para vir. E não se refere, por mais armagedônico que pareça, ao envolvimento de políticos importantes no caso do Petrolão.

    O pior é a investigação internacional: não apenas a americana, mas de outros países em que tenha havido negociações suspeitas, seja de Bolsa, seja de compras e vendas, seja do que for.

    Um bom exemplo é o que já aconteceu na Holanda, que multou a SBM, entre outros motivos, por ter pago propinas em seus negócios no Brasil (e, fora do Petrolão, há as revelações da Siemens às autoridades europeias, o que obrigou os investigadores brasileiros a debruçar-se sobre o cartel do Metrô e dos trens urbanos nas gestões do PSDB em São Paulo).

    Nas investigações internacionais a possibilidade de pressões, de apresentação de dossiês contra denunciantes, é muito remota. Que essas coisas podem acontecer, podem; nada é impossível. Mas é muito, muito, muito difícil. E no Exterior não há o temor reverencial, nem a preocupação com a possibilidade de enfraquecer a legitimidade do Governo brasileiro.

    A investigação poderá atingir qualquer nível de poder. Como diria o então presidente Collor, “duela a quien duela”.

    Mas, até lá, teremos muito a aprender, e mais ainda a relembrar. Por exemplo, há pouco menos de dois anos, o hoje famoso Paulo Roberto Costa, o da primeira delação premiada, mostrava numa entrevista aquilo que considerava seu maior troféu: o uniforme laranja da Petrobras com o ‘autógrafo’ do presidente Lula.

  5. A “bola” é uma instituição mundial, não vai desaparecer nunca. Todo comprador tem o poder nas mãos e são mimos de todos os tipos, mesmo sem ter sido negociado ou solicitado.
    Agora, quando as empresas milionárias/bilionárias não tem donos como nas repúblicas “socialistas” e que são defendidas a unhas e dentes pela boçalidade, é festa e caos ao mesmo tempo.

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