Corrupção nos EUA: o dramático desfecho do “Caso Budd Dwyer”

Dwyer não aceitou ser condenado por corrupção

Carlos Vicente

Na década de 80, trabalhadores investiram milhões de dólares no sistema previdenciário federal. O estado da Pensilvânia então passou a aceitar operações de companhias privadas para calcular a parcela do fundo a qual cada trabalhador tinha direito.

Uma firma, a Computer Technology Associates, distribuiu propinas para obter o contrato, na época de US$ 4,6 milhões. Em 1986, o ex-senador Budd Dwyer foi acusado de ter recebido US$ 300 mil. Como o governador se recusou a indicar os nomes dos culpados, que eram membros do Partido Republicano, a defesa de Dwyer se complicou e promotoria lhe ofereceu a pena de no máximo cinco anos de prisão, troca da admissão de culpa, retratação pública e cooperação com as investigações.

Dwyer recusou a oferta e continuou a alegar inocência no caso, da mesma forma que todos ligados a ele. Foi considerado culpado e sua sentença podia atingir 55 anos de prisão e 300 mil dólares de multa. Vejam o que aconteceu.

SUICÍDIO TRANSMITIDO AO VIVO“Em 22 de janeiro de 1987, na véspera do pronunciamento de sua sentença, Budd Dwyer convocou uma coletiva de imprensa para “esclarecer o caso”. Na entrevista, ele novamente alegou inocência:“Eu agradeço ao bom Deus por ter me concedido 48 anos de desafios instigantes, experiências estimulantes, muitos momentos felizes e, mais do que tudo, a melhor esposa e os melhores filhos que qualquer homem desejaria ter.

Agora minha vida mudou, sem uma razão aparente. As pessoas que me telefonam e escrevem estão exasperadas e sentindo-se desamparadas. Eles sabem que eu sou inocente e querem ajudar. Mas neste país, a maior democracia do mundo, não há nada que eles possam fazer para evitar que eu seja punido por um crime que eles sabem que eu não cometi. Alguns disseram que eu era um Jó dos tempos modernos.

O juiz Malcom Muir é conhecido por suas sentenças medievais. Eu enfrento uma pena máxima de 55 anos numa prisão e o pagamento de US$ 300 mil por ser inocente. O juiz Muir já sinalizou à imprensa que ele, entre aspas, “sentiu-se mal” quando nos foi colocada a culpa, e que planeja me condenar em detrimento dos outros envolvidos. Mas não seria o caso, porque cada um dos outros acusados que me conhece sabe que sou inocente. E isto não legitimaria a punição, porque eu não fiz nada de errado. Minha prisão, sendo eu vítima de perseguição política, seria simplesmente um Gulag americano.

Peço àqueles que acreditam em mim para continuarem com sua amizade e que rezem pela minha família, que continuem a trabalhar por um verdadeiro sistema judicial aqui nos Estados Unidos, e que continuem com os esforços para me inocentar, assim minha família e suas futuras famílias não ficarão maculadas pela injustiça que está sendo perpetrada sobre mim.

Acreditamos que a justiça e a verdade sempre prevalecem, e eu serei inocentado e nós devotaremos o resto de nossas vidas ao trabalho para criar um sistema de justo aqui nos Estados Unidos. O veredicto de culpa está cada vez mais ganhando força. Mas na medida em que discutimos nossos planos para expor as mazelas de nosso sistema legal, as pessoas têm dito “por que, irmão?”, “ninguém se importa!”, “você age como um tolo!”, o programa 60 Minutes, o 20/20, a União Americana pelas Liberdades Civis, Jack Anderson e outros que têm publicado estes casos durante anos, e isso não incomoda ninguém…

Neste momento, Dwyer parou de ler seu discurso e chamou três de seus assessores, entregando um envelope a cada um deles. Depois descobriu-se que um deles continha um bilhete de suicídio para sua esposa. O segundo envelope autorizava doação de órgãos. E o terceiro continha uma carta para o governador recém-empossado, Robert P. Casey.

Após entregar os envelopes aos assessores, Dwyer pegou um envelope maior e retirou dele um revólver Magnum 357, alertando aos que estavam presentes na platéia:

– Por favor, deixem o recinto se isto os constrange.

Os que estavam na platéia clamaram a Dwyer para abaixar a arma (“Budd, não!” — ouviu-se na transmissão). Alguns tentaram se aproximar dele, e o ouviram dizer:

– Afastem-se, esta coisa vai machucar alguém.

E estas foram suas últimas palavras. Sem dar ouvidos aos clamores, Dwyer enfiou o cano do revólver na boca e puxou o gatilho. Ele caiu no chão, em frente às câmeras de cinco telejornais. Dwyer foi pronunciado morto no local às 11:31 da manhã.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

 

5 thoughts on “Corrupção nos EUA: o dramático desfecho do “Caso Budd Dwyer”

  1. Comparando com o PT….
    ” Bancoop: formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e

    lavagem de dinheiro – Ricardo Berzoini e João Vaccari Neto poderão ser
    responsaqbilizados pessoalmente pelos prejuízos causados aos cooperantes
    que foram lesados

    Fonte: O Estado de S. Paulo

    Por unanimidade, a 10.ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça
    do Estado decretou ontem a desconsideração da personalidade jurídica da
    Bancoop, o que, na prática, impõe a seus dirigentes e ex-mandatários a
    obrigação de ressarcir cooperados que reclamam judicialmente valores
    relativos a danos que teriam sofrido.

    A decisão do TJ, em julgamento de apelação, não cita nominalmente o
    deputado federal Berzoini, ex-presidente nacional do PT e fundador da
    Bancoop nos anos 90, e Vaccari, ex-presidente da cooperativa. Mas abre
    caminho para que os petistas tenham de assumir o desembolso se a Bancoop
    não honrar os pagamentos.

    “Cumpre nos limites do apelo determinar a desconsideração da
    personalidade jurídica da Bancoop, com a responsabilização pessoal de
    todos os dirigentes que passaram por sua diretoria, com poderes de
    administração, a serem individuados em execução coletiva ou individual”,
    decretou o desembargador Elcio Trujillo, relator.

    O procurador de Justiça Rossini Lopes Jota, da Procuradoria dos Direitos
    Difusos e Coletivos do Ministério Público, considera que “devem
    responder todos aqueles que tinham poder decisório na Bancoop ou que de
    alguma forma tenham concorrido para gerar prejuízo aos cooperados”.
    Associações de cooperados informam que a divida da Bancoop, relativa a
    200 ações, chega a R$ 18 milhões.

    Também votaram pela desconsideração da personalidade jurídica da Bancoop
    os desembargadores Mendes Coelho, revisor, e Roberto Maia. Eles julgaram
    apelação do Ministério Público contra decisão judicial de 1.º grau na
    qual o juiz homologou parcialmente acordo entre a promotoria e a
    Bancoop. “Os autos indicam a ausência integral de idoneidade financeira
    da Bancoop”, asseverou Elcio Trujillo. Ele alertou para “a grande
    quantidade de condenações e penhoras, nos juízos cível e trabalhista,
    contra a cooperativa, que teve penhorada até mesmo sua sede”.

    O relator destacou argumentos da Procuradoria que acusa “notório
    inadimplemento da Bancoop para com os cooperados-consumidores, o que se
    registra a partir das decisões dessa corte que já se encontram na casa
    centesimal”. “Entre ações individuais e coletivas é possível dizer, sem
    sombra de erro, que a existência da pessoa jurídica, sob cujo manto se
    entrevê os atos dos seus administradores, está decididamente impedindo o
    ressarcimento dos prejuízos causados. Algo que está extreme de dúvida é
    a incapacidade atual da Bancoop, que teve que socorrer-se do mercado
    financeiro, em cerca de R$ 40 milhões, para serem empregados na
    construção de imóveis, sem que se tenha comprovado esta destinação. É
    situação de bancarrota.”

    “O Ministério Público recorreu (ao TJ) para o fim de ter o
    reconhecimento da aplicação do Código de Defesa do Consumidor com
    relação aos cooperados e a Bancoop e para ver decretada a
    desconsideração da cooperativa para ressarcimento dos prejuízos aos
    cooperados”, observa Rossini. “É importante o reconhecimento da relação
    de consumo porque justamente nesse caso o artigo 28 do Código, impõe que
    essas pessoas (dirigentes) não precisam estar nesse instante na relação
    processual.” Ele esclarece. “Na execução vai se apurar quem participou,
    quem tinha poder de mando. No processo civil não foram indicados os
    nomes, mas existe denúncia criminal e, a princípio, aqueles nomes
    (denunciados) devem figurar no polo passivo da execução.”

    A denúncia criminal, recebida pela 5.ª Vara da Capital, indica rombo de
    R$ 100 milhões na Bancoop e imputa a Vaccari formação de quadrilha,
    estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A advogada
    Livia Andrade Villarroel, que representa cerca de 700 cooperados,
    afirma. “Não tenho dúvida que Berzoini e Vaccari poderão ser
    chamados.”
    ( Fonte: Blog dos Bancários ).

  2. Rodrigo Constantino (VEJA on Line)

    06/12/2014 às 13:46 \ Filosofia política

    A origem do estado: o monstro frio e conquistador

    Franz Oppenheimer
    “Poucas pessoas são motivadas a questionar a legitimidade das instituições estabelecidas.” (George H. Smith)

    O Estado tem sua origem na conquista, e se mantém através da exploração. Eis a tese que Franz Oppenheimer defende em seu livro The State. Essa tese encontra eco em diferentes autores, incluindo Nietzsche, que acreditava que o Estado se origina na forma mais cruel de conquista. Para o criador de Zaratustra, o Estado, esse “novo ídolo”, seria o “mais frio de todos os monstros frios”, e mente quando diz “Eu, o Estado, sou o povo!”. Nietzsche é direto: “Destruidores, são os que preparam armadilhas para muitos e as chamam Estado; e suspendem por cima deles uma espada e cem cobiças”. Para ele, qualquer coisa que o Estado possua, “roubou-a”.

    David Hume é categórico ao afirmar: “Quase todos os governos que existem hoje ou dos quais existem registros na história se fundaram na usurpação ou na conquista, ou em ambas, sem pretensão alguma de um consentimento legítimo ou de uma submissão deliberada do povo”. Ele notou que muitos se submetem ao governo que se encontra já estabelecido no país onde vivem, sem pesquisar com muita curiosidade as origens de seu estabelecimento inicial. Poucos governos suportariam um exame rigoroso deste tipo.

    Ele diz: “A obediência e a submissão se tornam uma coisa tão costumeira que os homens, em sua maioria, jamais procuram investigar as suas origens ou causas, tal como ocorre em relação à lei da gravidade, ao atrito ou às leis mais universais da natureza”. A ignorância sobre as intenções dos outros mantém todos amedrontados, e nisso reside a segurança do líder. “Foi por meio de artifícios assim que se fundaram muitos governos, e a isto se pode resumir todo o contrato original de que podem se vangloriar”, diz Hume. Com o tempo, o governo irá adquirir uma aura de legitimidade, e a maioria das pessoas vai obedecê-lo por puro hábito. O consentimento é possível somente quando há escolha, e nenhum governo pode permitir que a obediência seja uma questão de escolha.

    Para Oppenheimer, existem basicamente duas formas de organização da vida social: o meio econômico, que é pacífico por depender de trocas voluntárias; e o meio político, que é baseado na dominação e, portanto, é essencialmente violento, por ser uma apropriação não solicitada do trabalho dos outros. O Estado surgiria numa sociedade quando algumas pessoas utilizam os meios políticos para vantagem própria. Essas pessoas estariam numa situação vantajosa para forçar certas ações aos demais, e as relações passam a ser calcadas em subordinação e comando.

    O Estado seria então o primeiro de todos os aparatos de dominação. Independente do desenvolvimento desse Estado, Oppenheimer repete constantemente que sua forma básica e sua natureza não mudam. Desde o Estado primitivo feudal até a constituição moderna do Estado, ele ainda é a institucionalização dos meios políticos por um determinado grupo para expropriar a riqueza econômica de outros.

    Parece auto-evidente que em qualquer grupo de pessoas, grande ou pequeno, existe a necessidade de uma autoridade que julga conflitos e, em situações extraordinárias, assume a liderança. Mas para Oppenheimer, essa autoridade não é o Estado, no sentido que ele usa a palavra. Ele define Estado como uma organização de uma classe dominante sobre outras classes. Esta organização de classes pode surgir somente através da conquista e subjugação.

    mais:http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/

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