Costa denuncia conivência da diretoria e complica Dilma

Paulo Roberto Costa em novo depoimento à CPI da Petrobrás

Toda a direção da Petrobras deve ser responsabilizada, diz Costa

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho
Estadão

Em novo depoimento à CPI da Petrobrás, o ex-diretor de Abastecimento da estatal e delator da operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, admitiu ainda à CPI que houve falhas internas na empresa e que alguns, como ele, erraram no processo. “Houve uma falha? Houve, mas a Petrobrás não é empresa de fundo de quintal”, afirmou.

Entre as falhas apontadas estão a autorização, por toda a diretoria executiva da companhia, para obras sem projeto pronto e, por consequência, a necessidade de realização de aditivos contratuais. “Algumas vezes os aditivos tinham de ser refeitos”, disse.

Ele contou que havia urgência na realização dos contratos. “Responsabilizem todos os diretores e seu presidente”, emendou.

CONIVÊNCIA COM CARTEL

Costa também admitiu que houve conivência com o cartel de empreiteiras. “Não tomamos nenhuma ação, foi aí que erramos”, declarou. O ex-diretor sugeriu ainda que as investigações se aprofundem também na área de Exploração e Produção da estatal, setor que tem o maior orçamento da companhia. “Quem fazia as obras era a área de Serviços”, acrescentou o ex-diretor, lembrando que as mesmas empresas que prestavam serviços à área do ex-diretor Renato Duque (Engenharia e Serviços) também fizeram obras para o setor de Exploração e Produção.

O ex-diretor disse que desde o governo de José Sarney comentava-se nos corredores da Petrobras que a indicação para a diretoria da companhia era política. Ele reafirmou que foi indicado pelo PP e que o partido avisou que ele teria de “ajudar” a sigla, mas não especificou qual seria a ajuda. “Entrei sabendo que teria problema”, contou.

Ele confirmou que foi convidado e que participou do casamento de Paula Rousseff, filha da presidente Dilma Rousseff, em 2008. “Fui convidado sim e participei do casamento”.

HIPOCRISIA DOS POLÍTICOS

Costa fez uma crítica a “hipocrisia” dos parlamentares que recebem doações eleitorais de empresas. “Não há almoço de graça”, disse o executivo aos deputados da comissão, em sua maioria com campanhas financiadas por empresas. “Não existe doação de empresas que depois essas empresas não queiram recuperar o que foi doado. Se ele doa R$ 5 milhões, ele vai querer recuperar na frente R$ 20 milhões”, insistiu.

Além da crítica aos parlamentares, que têm evitado aprofundar as investigações sobre as empresas investigadas pela Lava Jato na comissão, Costa reafirmou o que já disse em seus depoimentos anteriores e em sua delação premiada. O ex-diretor repetiu sua versão sobre os repasses de dinheiro do esquema de propinas da Petrobrás à campanha de Eduardo Campos (PSB) para o governo de Pernambuco, em 2010, e para o então presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, também em 2010, para evitar os trabalhos da comissão que investigava a estatal na época.

Segundo Costa, a empreiteira Queiroz Galvão, de Pernambuco, efetuou o pagamento ao tucano. “Não sei se foi doação oficial ou não”, declarou o ex-diretor, ressaltando que independentemente da forma como foi pago, o dinheiro era fruto de “desvio de recursos” da Petrobrás.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssimo este depoimento de Costa. Mostra a conivência não só da diretoria, mas também do conselho administrativo então presidido pela ministra Dilma Rousseff, a gerentona. Quando ele diz “responsabilizem todos os diretores e seu presidente”, não se pode deixar de incluir os conselheiros, pois são eles que aprovam os grandes contratos mencionados pelo ex-diretor. E a Lei das S/A é bastante clara a respeito da responsabilidade dos conselheiros. (C.N.)

4 thoughts on “Costa denuncia conivência da diretoria e complica Dilma

  1. Ou seja, o PT era o chefe maior neste esquema de corrupção na Petrobrás, não vem com esta mentira de dizer que não sabia de nada, quem não sabia e não sabe é o povo brasileiro.

  2. PT FOI O CHEFE DO ESQUEMA E NEM SE PREOCUPOU COM A CONTINUIDADE DOS ROUBOS E GRITA AOS QUATRO CANTOS QUE É PARTIDO DOS TRABALHADOR. NÂO SEI PORQUE, A DAMA DE VERMELHO CONTINUA NO CARGO. ABSURDO MEU PAIS ESTÁ ENCURRALADO.

  3. O esquema de corrupção vultuoso, na Petrobrás, não pode ter sido engendrado pelos bagrinhos: Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Cerveró ou Duque, é evidente que também ganhavam pelo trabalho sujo. Seguindo o caminho do dinheiro, verificar-se-a, que o dinheiro chegava a cúpula dos
    partidos, para campanhas eleitorais dos políticos e até da Presidente da República.
    Os favorecidos pelo dinheiro da corrupção, Presidente da Petrobrás, Diretoria e Conselho
    Administrativo, não sabiam que as obras estavam sendo super faturadas, e que que isso
    era um indicativo de cobrança de propinas?

  4. Mais do mesmo em outro picadeiro,do mesmo circo. Tudo muito bem elaborado para atingir alguns e poupar outros. Na casa de puta comandada por sacana (congesso nacional), ninguém tem autoridade moral para criticar e cobrar nada, o administrador e peduricalhos quase chegam ao orgasmo quando um meliante de pouca ou nenhuma fé, fala o que bem entende contra aqueles que lhe interessa.

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