Cozinheiros sofríveis e refeições lamentáveis

Carlos Chagas

Por não saber misturar os temperos na panela, o cidadão não está impedido de opinar sobre a qualidade da comida, quer dizer, não é preciso ser cozinheiro para apreciar ou rejeitar uma refeição. Esse argumento vem sendo sustentado pelos partidos que detém ou que pleiteiam mais ministérios no governo Dilma.

Acresce que ficando na cozinha o tempo todo, o ministro improvisado sempre acaba aprendendo alguma coisa, mesmo o trivial arroz com feijão. A dona do restaurante sabe disso e tem distribuído ministérios pelos partidos que apóiam sua administração, com a contrapartida de votos no Congresso.

Não há nada a opor, eticamente, ainda que os freqüentadores possam ressentir-se quando chegam à sua mesa pratos malfeitos, requentados e não raro estragados. O que não dá para a sociedade aceitar é quando os cozinheiros, perdão, os ministros, começam a desviar mantimentos ou a fazer compras superfaturadas no armazém, levando recursos para seu próprio bolso, recebendo comissões e dividindo o produto do roubo com os dirigentes partidários que os indicaram.

Sete vezes já aconteceram situações assim, desde o início do atual governo, sendo demitidos aqueles ministros flagrados em ilícitos diversos. Outros existirão ainda chefiando fogões, mas, justiça se faça, quando ciente das irregularidades, Dilma Rousseff sempre tem dado jeito de dispensá-los.

PR e PDT insistem e até exigem, neste começo de ano, voltar a dirigir os ministérios dos Transportes e do Trabalho, que perderam por conta de cozinheiros lambões. Caso a presidente venha a atendê-los, estará confirmando o cardápio que definiu para o seu governo, mais especializado em pratos-feitos do que em finas iguarias.

O diabo é estar o restaurante perdendo qualidade e fregueses, ainda que seus preços continuem salgados. Por tudo isso seria bom a proprietária repensar sua estratégia, agradecendo e dispensando a participação dos partidos em sua administração.

Por que não reformar o estabelecimento, convocando chefes de cozinha cordon-bleu, consagrados em banquetes tradicionais e portadores de diplomas variados? Haveria compensações para as legendas aliadas, entre elas o respeito e o atendimento às emendas parlamentares ao orçamento, desde que seus dirigentes abrissem mão do péssimo hábito de transformar as cozinhas em feudos que só fazem aumentar a desconfiança sobre pretenderem, mesmo, refestelar-se com os mantimentos desviados.

Fora daí será continuar servindo ao país refeições lamentáveis, preparadas por cozinheiros sofríveis… 

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VERGONHA

Acontece desde que Brasília foi criada, para vergonha de quantos vivem aqui. A responsabilidade deve ser debitada a todos os governantes anteriores, mas como a situação permanece, será sobre o lombo dos atuais que devemos descer tacape e borduna.

Fala-se das sucessivas interrupções no fornecimento de energia, atingindo bairros, subúrbios e cidades satélites. Um horror que chega de noite e de dia, por conta de um temporal ou sem ele. Com o progresso da cibernética, o cidadão cada vez mais trabalha em casa e não raro fica horas imobilizado diante do computador, quando não perde toda sua produção porque o aparelho queimou.

É claro que o governador Agnelo Queirós e seus secretários dão de ombros, porque possuem geradores sofisticados,entrando em carga um segundo depois da interrupção. Os hospitais maiores também dispõem dessa alternativa, mas a maioria, nem pensar. Já seria vergonhoso para qualquer pequena cidade perdida no sertão, mas para a capital federal, é inadmissível.

Como desde 1960 os apagões se repetem, seria urgente uma reação da sociedade. Não dos deputados distritais, porque eles também possuem geradores. Por que não iniciar uma campanha pela suspensão do pagamento de impostos locais até que uma solução definitiva se imponha? Pelo menos o desconto das longas horas sem energia, já que a conta de luz é implacável: não pagou, cortou.

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