CPI deve centrar relatório no governo Bolsonaro como um todo e não fracionar acusações

Charge do Amarildo (diariodocentrodomundo.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Raquel Lopes, na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, e de Natália Portinari e Paulo Cappelli, no O Globo, revelam divergências que surgiram quanto ao relatório final da CPI do Senado, levando ao adiamento pelo menos por 24 horas da leitura do texto do relator Renan Calheiros.

Na noite de domingo, em entrevista à GloboNews, o senador Omar Aziz, presidente da CPI, colocou o problema e afirmou que a conclusão final do trabalho será resultado de um consenso fixando as responsabilidades e propondo ações penais em consequência das omissões do presidente da República e das ações dos ministros Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga, períodos nos quais ocorreram problemas muito graves, como foi o caso do atraso na aquisição de vacinas contra a Covid-19 e a participação de empresas que surgiram repentinamente como intermediárias de propostas de fornecimento de imunizantes, sobretudo o caso que envolveu a Precisa e a indiana Covaxin, cujo preço era de US$ 1,5 a unidade, 50% acima do preço internacional. Este é um dos pontos fundamentais.

PFIZER – Outro ponto também essencial refere-se ao atraso na aquisição de vacinas, a começar pela recusa da aquisição junto à Pfizer e ao bloqueio do próprio presidente Bolsonaro à chinesa Coronavac; ambas terminaram plenamente aceitas e integradas ao processo global de vacinação. O presidente Bolsonaro inevitavelmente se destaca como o maior opositor da vacinação, tendo atuado para desacreditar a importância  dos imunizantes ao mesmo tempo em que realçava a importância  do que classificava como tratamento precoce, que foi um fracasso.

No Ministério da Saúde evidenciaram-se problemas extremamente críticos envolvendo propostas de comissões ilícitas embutidas na aquisição duvidosa de produtos. Uma dessas operações, a da Covaxin, embutiu um adiantamento de US$ 45 milhões à empresa Precisa, cujo credenciamento à produtora original não havia sequer sido comprovado. Uma das razões da divergência na CPI refere-se à inclusão do senador Flávio Bolsonaro, do deputado Eduardo Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro como responsáveis na medida em que são acusados de injetar fake news nas redes sociais da internet.

Na minha impressão, eles podem ser citados como elos de uma investigação, mas a responsabilidade efetiva é do governo federal envolvendo diretamente o presidente da República e as equipes do Ministério da Saúde nas administrações Pazuello e Queiroga. Um aspecto a ser considerado refere-se à acusação de genocídio ao presidente da República, na medida em que uma acusação exagerada pode até apagar a acusação central do processo que se desencadeou na esfera do Planalto e da Esplanada dos Ministérios de Brasília.

MANIFESTO – Bianca Gomes, O Globo de ontem, revela que mais de três mil promotores e procuradores do Ministério Público Federal assinaram um documento pedindo a rejeição total do projeto liderado pelo deputado Arthur Lira que reduzia o campo de atuação do Ministério Público, especialmente nos casos de corrupção. Pelo que se entende do texto confuso, a punição só estaria reservada aos casos de dolo, o que é um absurdo porque a corrupção não pode ser equacionada no esquema que separa os atentados contra a vida humana. Quem pratica corrupção, está claro, age intencionalmente, incluindo todo o esquema de parceria que surge da tentativa de se assaltar o Tesouro Público.

A respeito da PEC de Arthur Lira, o procurador-geral Augusto Aras, numa entrevista ao O Globo, afirmou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso o Congresso aprove a emenda que reduz a autonomia e dilui a composição do Conselho Nacional do Ministério Público. A emenda amplia o número de parlamentares no poder de decisão do CNMP, o que, no caso, tem como objetivo bloquear denúncias do Ministério Público contra parlamentares e administradores em geral ligados a interesses de setores do empresariado. Augusto Aras admite que tem conversado sobre a vaga no STF, o que assinala um enfraquecimento de André Mendonça cuja indicação não consegue avançar no Senado Federal.

CANDIDATO TUCANO – O ciclo de debates que O Globo e O Valor iniciam hoje sobre a escolha de candidato do PSDB à sucessão presidencial de 2022 vai definir entre Eduardo Leite, favorito, João Doria e Arthur Virgílio. O panorama está bem mais favorável para Eduardo Leite, que inclusive criticou diretamente João Doria por tentar esquivar-se do confronto adotando uma técnica colocada em prática por Jair Bolsonaro em 2018. Eduardo Leite, assim, relembra que nas eleições de 2018 para o governo de São Paulo, João Doria manifestou o seu apoio direto à candidatura de Jair Bolsonaro.

As prévias do PSDB também assinalam um encurtamento da terceira via para sucessão presidencial porque não faria sentido que o partido pudesse escolher outro candidato que não o mais votado nas prévias de agora. Com isso, fechado o caminho do PSDB, Sergio Moro não teria nenhuma outra opção para se candidatar, inclusive porque o candidato do PDT é o ex-governador Ciro Gomes. Em certo sentido, Eduardo Leite bloqueia o caminho de qualquer outro candidato além de Lula da Silva e do próprio Bolsonaro.

3 thoughts on “CPI deve centrar relatório no governo Bolsonaro como um todo e não fracionar acusações

  1. O Moro não pode errar outra vez; sua candidatura será um êrro e se dará um tremendo fracasso.
    Ele tem que encarar os corruptos hediondos na arena da câmara dos deputados em Brasília.
    E aí então se preparar em termos de uma base sólida mesmo que pequena para então tentar a presidência em 2026 ou 2030; isto se até lá ainda existirmos como nação.

    • Sr. José Pereira Filho,
      Tem que ser agora.

      A HORA É ESSA!!

      O Sr. Moro tem que se candidatar, já!
      Será apoiado por todas as pessoas de bem.
      Lembre que nas manifestações, os que ficaram em cada é a maioria absoluta.
      Será uma Tsunami gigantesca contra esses crápulas!!
      Vai ganhar no primeiro turno!!

      Não dá mais pra esperar!

      Ou então como o Sr. diz, sumiremos como Nação.

      Um abraço,
      José Luis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *