CPMF: Barbosa e Chioro levam governo a novo desastre político

http://4.bp.blogspot.com/_YIwUWdeEdU0/TNfKAdpvcvI/AAAAAAAAI_0/kKeibzwFWkM/s400/CPMF+DILMA+-+DESCULPA.jpgPedro do Coutto

A presidente Dilma Rousseff – revela reportagem de Martha Beck, Sérgio Fadul, André de Souza, Júnia Gama, Fernanda Krakovicsd e Ronaldo D’Ercole, O Globo de 30 de agosto – vai enviar mensagem ao Congresso Nacional recriando a antiga (e extinta) CPMF. Ela, diz a matéria, foi convencida pelos ministros Nelson Barbosa e Artur Chioro, do Planejamento e da Saúde, superando inclusive a posição contrária do ministro Joaquim Levy, que considerou melhor o caminho de redução de despesas para tentar, pelo menos, equilibrar as contas públicas, as quais estão apresentando déficit primário este ano.

Será um novo desastre politico para o governo, pré anunciado pelas reações contrárias que causou, e cujo desfecho será inevitavelmente negativo, a começar pela dificuldade da aprovação da emenda constitucional para ressuscitar tal contribuição que surgiu provisória e foi ficando no tempo, abolida em 2007, após dez anos de arrecadação, que teria a Saúde como destino, mas, pelo visto, foi deslocada para outros endereços. Os hospitais públicos, até hoje, não saíram do passado. Pelo contrário; estagnaram no tempo perdido.

Agora o tema ressurge, com o mesmo pretexto de antes, daí a presença do ministro Artur Chioro ao lado do ministro Nelson Barbosa como redatores da iniciativa. Esqueceram, entretanto – faltou assessoria política à presidente da República – que aprovação de emendas constitucionais exigem dois terços dos votos da Câmara e outros tantos do Senado, em duas votações em cada Casa do Parlamento. Tarefa dificílima em condições normais, impossível, portanto, em assuntos que provocam e conduzem à tormenta.

ESTUPIDEZ ECONÔMICA

O Globo, em seu editorial da edição de sexta-feira, por exemplo, qualificou a recriação da CPMF como mais uma estupidez econômica. Esta afirmação está no título da página 18. Há muito tempo não leio um artigo refletindo a opinião do jornal em linguagem tão forte e direta.

Exprime, inclusive, tanto o pensamento das classes empresariais, como acentuou o presidente da FIESP, Paulo Skaf, quanto da própria população, a quem, como sempre no final da ópera, recaem os efeitos de quaisquer aumentos de impostos. Sobem os tributos, claro, crescem os preços, diminuem os bolsos dos consumidores. Basta estar atento ao passar das semanas, às vezes até das 24 horas dos dias. À noite os produtos são expostos à venda por um valor, no alvorecer já passam a custar mais caro. E os salários? Não avançam, perdem eternamente para as taxas (oficiais) de inflação. E se perdem para o índice oficial, que dirá para as percentagens reais do custo de vida. Seus efeitos, vale frisar, são diferentes de uma classe social para outra. Sobretudo p orque, para os que ganham menos, o custo da alimentação pesa mais forte.

PROPOSTA INFELIZ

Colocadas essas questões, acrescidas das reações partidárias que já se registraram, verifica-se a dimensão da infelicidade da proposta, principalmente numa fase de grave crise econômica que está acontecendo. A prova maior encontra-se na diminuição do consumo, que, diga-se de passagem, percebe-se pelas maiores investidas do comércio no campo da publicidade. Pois, a meu ver, a publicidade cresce à medida em que a predisposição para o consumo diminui. Mas tal processo não resolve o problema das vendas.

Porque o sistema publicitário caracterizado como tal não leva as pessoas a fazerem o que não desejam ou não possam realizar. Os apelos publicitários são essenciais, não estou negando, mas para romper hesitações em torno de vontades potenciais. Não para conduzí-las além dos limites de suas possibilidades. A saída estaria no crediário? Nem sempre. Pois se assim fosse a inadimplência não estaria tão alta como se encontra. E a inadimplência não interessa a ninguém. A começar pelo próprio governo, uma vez que, com ele, declina a própria receita tributária.

7 thoughts on “CPMF: Barbosa e Chioro levam governo a novo desastre político

  1. A “saidinha de banco” vai estar devidamente encorporada a vida dos Brasileiros. Se passar esta tal “nova CPMF”, todo cidadão terá a certeza, que mesmo que escape do bandido na rua, já foi assaltado pelo governo.
    Pelo menos esta “lei do cheque”é ecumênica, nas faz distinções, pega a todos, sendo ainda, a vítima se livra
    de ter uma arma na cabeça.
    Esses políticos brasileiros mais uma vez nos dão a certeza de que não foram paridos, foram cagados.

  2. O PT sempre foi contra este imposto, é um país onde não temos um líder a altura do mesmo, o Brasil não merecia tantos crápulas mercenários como o que temos, enchem os bolsos de dinheiro ilícito, saem ricos e o povo continua na merda, os políticos do Brasil são um desastre, até quando o povo continuará cego.

  3. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, analisa o aumento de Imposto, via re-criação da CPMF ( imposto do Cheque), para ajudar a cobrir o Deficit Fiscal do Gov. Fed. Conclui que a proposta é infeliz e não tem viabilidade de aprovação do Congresso Nacional. Nós também achamos.
    O problema é que com ou sem CPMF, a Sociedade, ( Nós ), teremos que conseguir Arrecadar a mais, +- R$ 150 Bi. até o fim de 2015, (Valor estimado do Deficit de 2015, sem contar o já reduzido Superavit Primário de 0,17% do PIB, ou 0,17% de R$ 5.500 Bi = R$ 9,35 Bi = R$ 10 Bi.). Mesmo com os estimados R$ 85 Bi./Ano arrecadados com CPMF, ainda faltariam R$ 75 Bi.
    O Deficit Fiscal terá que ser coberto com REDUÇÃO DESPESA de CUSTEIO E INVESTIMENTO PÚBLICO; AUMENTO DE IMPOSTOS; AUMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA em relação ao PIB; ou INFLAÇÃO. Quanto mais o Governo cortar em Despesas de Custeio e Investimento Público e aumentar Impostos, teremos menos INFLAÇÃO, quanto mais optar por aumento da Dívida Pública, teremos mais INFLAÇÃO, ao ponto de chegarmos a ter RECESSÃO com ALTA INFLAÇÃO. É por isso que quando se esgota um Modelo de crescimento com primazia na DEMANDA, como é o nosso caso, e se atua para implantar outro com primazia na OFERTA, num espaço de no mínimo 2 anos, antes de MELHORAR, ainda piora, como é claramente nosso caso.
    Nossos Índices Sociais só vão começar a melhorar lá pelo meio de 2017. Até lá, a maior preocupação do Governo deve ser “amparar os DESEMPREGADOS”.
    O Governo não faz isso por MALDADE, mas porque não tem alternativa melhor. Passados os +- 2 anos de AJUSTE, o Brasil vai voltar a crescer o seu Potencial, +- 3,5%aa. Mas é duro esse período de Transição, tomara que passe depressa. Abrs.

  4. CPMF era um imposto Tucano que foi criado para ser Transitório, depois virou Definitivo até que morreu … agora querem reencarná-lo na marra. Na época, o PT estava na oposição e criticou o referido, agora, vejo os blogs petistas/governistas elogiando o imposto a ser renascido… impressionante como esse pessoal do Poder escancara, faz e desfaz e ficamos povão com cara de trouxas… já estou imaginando o Teólogo e afins entoando loas à importância do novo CPMF … que vai salvar o País …

  5. Quando a CPMF foi criada era para atender a Saúde. Depois de aprovada Malan divulgou aos sete ventos que dinheiro não é carimbado. Então o dinheiro da CPMF foi usado em tudo nos governos FHC e Lula.

    Não duvido que tenha sido usado até para pagar as despesas da Rosemary e das menininhas da Jean Mary Corner da mansão do Palocci.

    Pelo jeito foi muito bem aplicado pelas Vossas Excelências.

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