Crise de credibilidade é causada pelo jogo de faz-de-conta de Dilma e do Mantega

Wagner Pires

Do mercado, ninguém mais acredita na equipe de governo que promete o que não cumpre em dois anos seguidos. A contabilidade criativa operada em 2012 e 2013 deixou clara a posição do governo de esgarçar a política fiscal para além do limite da responsabilidade com o pagamento dos juros atribuídos aos agentes financiadores dos títulos públicos.

A exigência desses agentes em relação ao retorno, ou seja, a taxa cobrada do governo por esses agentes na transação dos títulos públicos está diretamente ligada ao grau de risco com que enxergam a transação. E é claro que quanto maior a possibilidade do governo não honrar com o compromisso do pagamento dos juros, maiores serão as taxas de retorno exigidas pelos agentes financiadores dos títulos públicos. Especialmente os bancos privados.

Isso explica por que o governo está tendo que aumentar a taxa de remuneração de seus títulos. Faz dois anos seguidos que o governo não cumpre com a promessa de formação de superávit fiscal. Pior, este ano, ao que tudo indica, nem com a contabilidade criativa o montante prometido para a economia de recursos – 1,9% do PIB – será atingido.

FALTA MUITO

Até agosto foram formados pífios 4,6 bilhões. Falta muito para os R$ 77,0 bilhões prometidos para o pagamento mínimo dos juros prometidos aos agentes financiadores da dívida pública. Confira os resultados:

MÊS                         VALOR                  RESULTADO

Janeiro………………….R$ 12,9 bilhões…………..superávit

Fevereiro…………….-R$ 3,1 bilhões……………..déficit

Março…………………..R$ 3,2 bilhões……………..superávit

Abril……………………..R$ 16,6 bilhões……….…..superávit

Maio……………………-R$ 10,5 bilhões……………déficit

Junho………………….-R$ 1,9 bilhões………….….déficit

Julho……………………-R$ 2,2 bilhões………….….déficit

Agosto……………….-R$ 10,4 bilhões……….…..déficit

——————————————————————————–

Total……………………..R$ 4,6 bilhões…………….superávit

Isso significa que, dos mais de R$ 240,0 bilhões dos juros incorridos este ano sobre a dívida, menos da metade será saldada.

A dúvida que fica é se o governo já não está caracterizado como incapaz de honrar o pagamento dos juros daqui para frente.

Em sendo assim, tanto mais difícil se tornará para o governo encontrar agentes dispostos a financiá-lo adquirindo novos títulos, já que o governo tem demonstrado sua incapacidade de manter o compromisso de honrar os juros da dívida.

6 thoughts on “Crise de credibilidade é causada pelo jogo de faz-de-conta de Dilma e do Mantega

  1. “Isso significa que, dos mais de R$ 240,0 bilhões dos juros incorridos este ano sobre a dívida, menos da metade será saldada.”

    -Fico pensando como será a vida dos brasileiros quando tiverem que pagar 1 trilhão de juros. Anualmente.

  2. O ilustre Articulista Sr. WAGNER PIRES nos mostra que a perda de Credibilidade em nossa Política Econômica é causada basicamente pela baixo Superavit Primário Fiscal ( destinado a pagar parte dos Juros da Dívida Pública ), este ano orçado em 1,9% do PIB= +- R$ 95 Bi e até agora, Set/2014, somando míseros R$ 4,6 Bi , para fazer frente a uma necessidade de +- R$ 240 Bi , e a “Pedaladas Fiscais” no Orçamento Nacional. Não deixa de ser verdade, mas a meu ver, o que causou maior “desconforto” ao Capital Financeiro Internacional/Nacional, foi logo no começo do Governo DILMA/TEMER, eles fixarem um spread de só 2%aa para o Capital que gira a Dívida Pública, e terem via Banco Central, baixado “na marra” a Taxa Básica de Juros (SELIC) para 7,25%aa numa Inflação de +- 5,25%aa, mexendo inclusive com a sagrada remuneração de 6%aa da Poupança. Ora, uma Presidenta que acha que a Remuneração do Capital que gira a Dívida Pública está boa demais em 2%aa, e que dá “garantia” de que a Inflação na época não passava de 5,25%aa, não pode agradar aos Donos do Capital Financeiro. Estes, ficaram apavorados que ela tenha baixado o spread a 2%aa e que tente fazer o mesmo em seu segundo Governo.
    Infelizmente nossa Economia, que é controlada em +- 60% pelo Capital Financeiro Internacional/Nacional tem mais força, e “leva de arrasto a própria Presidenta DILMA”.
    Temos mesmo é que combater nosso Duplo Deficit ( Fiscal e do Balanço de Pagamentos Internacional), antes de encarrar as Águias Financeiras.

  3. Este tema é permanente, a partir de nossa maravilhosa Constituição de 1988.
    Maravilhosa ela é, pero no mucho, como dizem os chineses…

    Está no Congresso o Orçamento 2015, com a previsão de juros e amortizações, (que nada mais são que juros disfarçados) : R$ 1,35 TRILHÕES em 2015!
    Em números, para chocar: R$ 1.350.000.000.000,00. Intocáveis. Inexplicáveis.
    Exatos R$ 3,7 BILHÕES POR DIA, útil ou inútil, do próximo ano!!!

    E a Dívida total ainda vai subir além da que já existe!

    A quem estranhar que o governo paga amortizações e isto não deveria ser contabilizado como juros, como ocorre e, no fundo, é uma verdade, deixo aberta a equação: pagam-se juros, pagam-se amortizações e a Dívida cresce. Como pode?

    A resposta matemática, não ideológica, é única: a Dívida cresce por conta dos novos títulos emitidos para pagar dívidas anteriores os quais, no bolo, vão misturados com os juros destas mesmas dívidas.

    Esta é a explícita realidade matemática: pagamos os juros, sim! Pagamos amortizações, sim! Só que para isto emitimos títulos em valor maior que os pagamentos o que, numericamente, aumenta a Dívida futura e seu abominável “serviço” como sabemos.
    Simples assim.

    Para entendimento claro, é como se você pagasse todo o seu cheque especial de uma conta sua numa agência com um cheque especial seu, mas de outra agência do mesmo banco. Você pagou, quitou ou amortizou, de fato? Claro que não!

    Os interessados no procedimento considerarão que está tudo certo, pois você quitou uma dívida sua e isto é bom, nem importa se você tem outras dívidas.
    Mas não é certo não e, no caso, é facílimo entender o porquê.

    Por último, mas não menos importante, destaco nesta Tribuna, talvez pela centésima vez, que toda esta estrutura do Sistema Financeiro brasileiro, que nos oprime desta maneira, com títulos, juros e serviço-da-dívida, apoia-se num artigo constitucional ilegítimo, porque não votado conforme as regras constituintes.
    Ele entrou, de contrabando, na votação do 2º turno, sem ter sido votado no 1º turno.
    Não tendo sido votado no 1º turno não deveria valer como Constituição, mas vale.

    E até agora, 26 anos depois, ainda não encontramos como exigir, em qualquer instância da administração, que o malfeito seja devidamente avaliado e corrigido.
    E, ano após ano, a tragédia se repete, com mais juros e mais Dívida.

    A precisão é cirúrgica: aprovados, por exemplo, estes R$ 1,35 TRILHÕES para pagamento de juros em 2015, este valor não será rediscutido, sob nenhuma hipótese, graças exatamente ao acima citado Artigo 166, Parágrafo 3º, inciso II, alínea b.
    Este tema não se discute no Congresso. Tudo ali é discutível, exceto o serviço-da-dívida, por força da alínea b) acima referida.

    E porque aqui é assim? Ora, senhores, porque aqui é o Brazil, zil, zil…

  4. Caro Luiz Cordioli,

    Pelo jeito o governo terá que aumentar a carga tributária para uns 70, 80 por cento!

    Afinal, isto aqui não é um país. ISTO É UMA COLÔNIA!

  5. Tem maneira mais simples e mais barata (para nós), Francisco.
    É só tirar o tal artigo 166, parágrafo 3º, inciso II alínea b) do texto constitucional.

    O que ocorreria, então?
    Duas fantásticas coisas: 1º) seria feita, obrigatoriamente, a Auditoria na Dívida Pública para se apurar o que foi trazido à conta pública por conta do malfeito original.
    Além disto, cumpriríamos o Art. 26 das Disposições Transitórias da mesma Constituição de 1988, artigo este corretamente aprovado e votado nos dois turnos da constituinte que estabeleceu o prazo de 1 ano para se fazer uma Auditoria na então Dívida Externa brasileira mas, porém, todavia, contudo… ainda não realizada, 26 anos depois!

    Veja que ironia paradoxal: um artigo, votado e aprovado, ainda não foi cumprido, 26 anos depois.
    E sua antítese: o artigo 166, fraudado e não votado corretamente, valendo absoluto pelos mesmos 26 anos, isentando de controle do Congresso o maior item de gasto governamental, qual seja o serviço da dívida, que consome redondos 50% (cinquenta por cento!) da arrecadação federal.

    Não é à toa que o Sistema Financeiro aplaude indistintamente o PSDB e o PT, pois recebe metade do que o governo arrecada, com qualquer um deles. E nós pagamos.

    É só isto que precisamos fazer: tirar um artigo fraudado da Constituição (art.166) e cumprir a mesma Constituição no que toca ao outro artigo válido (art.26 das DT).
    Como disse, simples assim.

    Quando esta consciência se estabelecer em parte relevante da população, as coisas se corrigirão naturalmente.
    E não se tendo mais que pagar uma Dívida que cresce sozinha, em auto-acumulação, tudo ficará mais simples para se fazer.
    Passaremos a ser, então, aquilo que você sugeriu, corretamente: seremos um País.
    Que tal esta sugestão?

  6. “E é claro que quanto maior a possibilidade do governo não honrar com o compromisso do pagamento dos juros, maiores serão as taxas de retorno exigidas pelos agentes financiadores dos títulos públicos.”

    Isto mostra que não é a inflação que determina as altas taxas de juros.
    Logo, quando aumentam os juros, não é para conter a inflação e sim para manter os investidores.
    E quando isso vai mudar ? Quando o governo fizer o dever de casa, qual seja:
    1º – não desperdiçar o dinheiro dos impostos em politicagem.
    2º – não roubar o que resta.

    Enquanto estivermos sob o tacão deste sistema político, NADA vai mudar, à não ser para pior. Lógico, uma boa administração, mesmo desperdiçando e roubando, tende a melhorar as contas públicas.
    Mas para resolver de vez este eterno problema, temos que abandonar nossa Monarquia Republicana, mantida por um sistema político já fétido.

    Comunismo é uma proposta que nasceu morta.
    E o capitalismo tem que ser continuamente aprimorado. Não basta recitar que o mercado resolve tudo, que isto é uma grande mentira.
    Este nosso “capitalismo” permite que aumente o número de ricos cada vez mais ricos e o de pobres cada vez mais endividados e pobres.
    O Lullo-petismo só sobrevive por isso.

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