Crise entre ministros estourou após serem condecorados por Bolsonaro em clima ameno

Bolsonaro participa da cerimônia de comemoração do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira na Base Aérea de Brasília 21/10/2020 Foto: Jorge William / Agência O Globo

Bolsonaro abraça Salles, que parece ser a “bola da vez”…

Naira Trindade
O Globo

Os ataques do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao colega da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, começaram poucas horas após os dois terem sido condecorados pelo presidente Jair Bolsonaro em clima ameno, no Palácio do Itamaraty. Durante a manhã de quinta-feira, os dois se cumprimentaram serenamente enquanto recebiam das mãos de Bolsonaro a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco, uma honraria por “serviços meritórios e virtudes cívicas”. Até então, não havia sinais de crise.

Cerca de oito horas depois, às 21h da noite de quinta-feira, o clima esquentou, após Salles telefonar para Ramos o acusando de supostos vazamentos de informações à imprensa.

NOTA NO GLOBO – Salles estava inconformado com uma nota publicada naquela tarde pela colunista Bela Megale, no GLOBO, em que mencionou que Salles estava esticando a corda com a ala militar do governo.

Ao desligar, Salles recorreu às redes sociais para externar sua insatisfação. A primeira mensagem dizia: “Tenho enorme respeito pela instituição militar. Como em qualquer lugar, infelizmente, há sempre uma maçã podre a contaminar os demais. Fonte de fofoca, intriga, de conspiração e da discórdia, o problema é a banana de pijama”, escreveu no Twitter, sem citar nomes.

Na sequência, Salles decidiu apagar a mensagem e ser mais enfático na crítica, mencionando o perfil do colega da Secretaria de Governo. “@MinLuizRamos não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”, publicou, às 22h21. O termo “esticar a corda” foi usado por Ramos em uma entrevista à Revista Veja, ao negar que Bolsonaro pregava um golpe militar, mas o outro lado também não poderia “esticar a corda”.

APOIO NAS REDES – A postagem de Salles logo ganhou apoio de militantes da ala ideológica do governo. Até mesmo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, endossou o tuíte do ministro do Meio Ambiente. No Twitter, o deputado escreveu: “Força, Ministro. O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”.

Outros também apoiaram Salles, como o escritor Olavo de Carvalho, o secretário da Pesca, Jorge Seif, o assessor especial do Meio Ambiente, Vicente Santini, demitido da Casa Civil após viajar à Índia com aviao da Força Aérea Brasileira, e as deputadas Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Carolina de Toni (PSL-PR).

DEMITIR RAMOS – Integrantes da ala ideológica do governo veem no movimento de Salles uma tentativa orquestrada com outros ministros civis do governo para trocar o comando da Secretaria de Governo. A intenção seria tirar o militar da articulação política e colocar um outro nome, talvez de um parlamentar. Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto.

A guerra interna entre Salles, que tem apoio da ala ideológica, e militares que participam do governo é antiga. Em agosto, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é chefe do Conselho Nacional da Amazônia, acusou Salles de ter “se precipitado” ao anunciar que todas as operações de combate ao desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia Legal e no Pantanal seriam suspensas por causa do bloqueio de orçamento determinado pela Secretaria de Orçamento Federal de cerca de R$ 60,6 milhões para Ibama e ICMBio.

BRIGA DE BASTIDORES – À época, nota oficial do Ministério do Meio Ambiente dizia que o contingenciamento havia sido decidido pela Casa Civil da Presidência da República e pela Secretaria de Governo, comandadas pelos generais Walter Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, respectivamente. Após esse episódio, deu-se início a uma briga nos bastidores por causa do orçamento da pasta.

Segundo o colunista Lauro Jardim, no GLOBO, o apelido que Salles deu a Ramos de #mariafofoca também já foi usado no Palácio do Planalto pelo chefe da Secom, Fábio Wajngarten, para referir-se ao general. A relação entre os dois é ruim.

Wajngarten era subordinado de Ramos e, segundo integrantes do governo, atuou nos bastidores para tirar a Secom do guarda-chuva de Ramos em junho passado, levando-a para o Ministério das Comunicações, conduzido pelo ministro Fabio Faria.

ABRAÇO DE BOLSONARO – Na manhã desta sexta-feira, Ramos e Salles participaram de uma cerimônia em que a Força Aérea Brasileira (FAB) apresentou a aeronave F-39E Gripen, na Base Aérea de Brasília. Ramos seguiu para o evento no carro oficial com o presidente. Ao final do evento, Ramos, Salles, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, e também o presidente Jair Bolsonaro trocaram poucas palavras juntos.

Em determinado momento da cerimônia, Bolsonaro abraçou Salles enquanto Ramos permanecia ao lado dos dois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se Salles pensa que vai vencer os generais, está muito enganado. O abraço de Bolsonaro nada significa, porque o presidente é uma espécie de amigo urso. Quando dá um abraço, pode acabar esmagando o companheiro. (C.N.)  

12 thoughts on “Crise entre ministros estourou após serem condecorados por Bolsonaro em clima ameno

  1. Jornalista e Editor Carlos Newton ( Tribuna da Internet ) – a verdade seja dita concordo com o Editorial da Tribuna da Internet -Salles ( ministro da chacara dele ) – acha que esta tudo bem vamos ver a frente – a Imprensa sempre atenta – nossa colaboração a ABI no Brasil.

  2. De novo:

    Bad Cop vs Good Cop só existe em filme Óliúdí.

    Não há esse confronto entre ala Ideológica destrambelhada vs Militares ponderados.

    Isso é plantação e teatro pra enganar trouxas.

    O que existe é uma pocilga de governo sendo bancada por milicos que descobriram as delícias e as benesses proporcionadas por cargos do governo civil, e se prestam a papéis subservientes e abjetos como o Pazello.

      • Sr. Marques

        Será este o motivo para os Generais deixarem nos quartéis bem guardados as tropas e os tanques.??

        abraços.

        • Evidente, nobre Armando!

          Tanques? Tropas? Soldadinho e cabo? Conversinha pra lacrar e entreter o Gadinho histérico, a tal direita burra mencionado pelo próprio Imbrochável ao defender a indicação do Kassio Nunes.

          Só trouxa acredita nisso. Vão derrubar o quê? Establishment? Sistema? Ora, veja a quantidade de milicos que eles ocupam na esfera civil. E porque mudar o estado de coisas atual? Ganharam um plano de carreira excelente, foram pouoados das maldades da Reforma da Previdência, não serão atingidos pelo texto da Reforma Administrativa, o que os coloca no mesmo nível de Magistrados e Parlamentares, fazem parte da elite do funcionalismo.

          Com tantas benesses, porque desejariam mudar o estado de coisas?

          “Que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder”

          Abraços

  3. Atenção neste domingo dia 25 / 10 / 2020 – O Jornalista Paulo Jeronimo ( Presidente da ABI ) – vai fazer as 18h a Grande Abertura do 42 Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – O Mais Importante Prêmio do Jornalismo Brasileiro – O Jornalista Paulo Jeronimo – fará o discurso em nome de 14 instituições que são de apoio ao Prêmio, entre elas a ABI, Fenaj, SJPESP e OAB – Obs. a ABI a Frente na Luta Sempre pela Liberdade de Imprensa, opinião, expressão e pela a Democracia no Brasil – 2020.

  4. Condecorar o Salles com o mais alto grau da Ordem de Rio Branco por “relevantes serviços prestados” é ao mesmo tempo um tapa no rosto dos brasileiros que o viram recolher os brigadistas com o Pantanal ainda pegando fogo, mentir sobre a devastação da Amazônia, fazer uma lei que praticamente acabou com as multas do IBAMA, tentar acabar com a proteção às restingas e manguezais para facilitar a especulação imobiliária e outras coisinhas mais, e um reconhecimento do Bolsonaro de que tudo isso foi feito por vontade do presidente. O Barão do Rio Branco, onde estiver, deve estar se sentindo profundamente ofendido.

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