Crise política não bateu na “economia real”

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Charge do Lute (Lutecartunista.com.br)

Vinicius Torres Freire
Folha

O impacto do novo surto de crise política em vendas, produção e encomendas foi de pequeno a nenhum, passado quase um mês do escândalo. É o que conta gente de três varejistas grandes, de uma associação comercial paulista, de bancos e de uma consultoria, gente que acompanha a vida “real” da economia.

Sim, são números precários, de dia a dia, ainda mais imprecisos ou instáveis do que as prévias das estatísticas oficiais de produção e consumo. São observações precoces, pois talvez o impacto da crise ainda não tenha sido digerido. Além do mais, pode ser que tenhamos de engolir muita gororoba política adiante.

CRESCENDO – Por falar em prévias imprecisas, considere-se o mês de abril. Menos do que fraco, teria sido ruim. Era o que se ouvia no mundo das estimativas econômicas em maio e junho.

Bem, abril não foi ruim. Indústria, comércio e serviços cresceram mais do que o previsto. É possível que maio tenha sido assim também, mesmo depois do “evento do dia 17”, como algumas pessoas do “mercado” chamam o estouro do grampo de Michel Temer.

Abril é passado remoto, decerto. Além disso, mesmo antes da crise política a atividade econômica era instável, uma sucessão de melhorazinhas seguidas de tombos, mês a mês.

SEM DESÂNIMO – Por fim, não é razoável supor que “o balança mais não cai” de Temer não venha a afetar o ânimo de consumidores, empresas e, em particular, de bancos.

Feitas as ressalvas, quantas dessas suposições razoáveis são disparatadas? Erradas para o bem ou para o mal? Para começar, considere-se o que aconteceu em abril, segundo os dados do IBGE para variações mês a mês, em relação a março.

Em abril, a indústria cresceu 0,6%, batendo a média de estimativas de alta de só 0,1%. O comércio de varejo cresceu 1%, ao contrário das previsões de queda de 0,7%. Nesta quarta (14), o IBGE informou que o setor de serviços avançou 1%, superando a projeção de 0,4%.

ATÉ A INDÚSTRIA – Em maio, ao menos parte da indústria voltou a crescer, como no caso das montadoras; a venda de carros nacionais cresceu 18% no ano em relação a 2017. O impulso maior tem vindo de exportações, mas vinha vindo.

Há quem atribua a surpresa positiva do comércio em abril ao dinheiro das contas inativas do FGTS. Não era bem para ser surpresa, nem chega a ser problema. Esse impulso não vai se dissipar logo, a não ser que apareça uma força na direção contrária.

Pode haver revertério nos juros também. No fim de maio, o Banco Central dizia com todas as letras que retardaria a baixa da Selic. No entanto, a inflação continua a baixar, contrariando as previsões médias do “mercado”, como tem acontecido faz quase um ano.

INFLAÇÃO BAIXA – O IPCA deve terminar o ano em 3,5%; em janeiro, a previsão era que a inflação deste 2017 seria de 4,8%. No atacado, os preços estão caindo, no acumulado em 12 meses.

Não se está fazendo festinha para números que indicam apenas uma economia a se arrastar das profundas do inferno da recessão, sob risco de depressão. Mas os dados sugeriam que era razoável acreditar no fim da recessão, naquele crescimento de quase nada de 0,5% em 2017.

Era pouco, mas poderia ou pode ser uma pequena espiral positiva, em vez de um novo ciclo de pessimismo a arrastar também para baixo o ano de 2018.

5 thoughts on “Crise política não bateu na “economia real”

  1. 1) Na web já encontramos os termos Nanonação, Nanopolítica…

    2) Com somas grandiosas apequenaram demais o pais…

    3) Nanocivilização … que pena !

    4) Nanogoverno… nanopolíticos… nanoeleitores … nanopovo …

  2. A ECONOMIA REAL é como um organismo vivo que se transforma e se recria. Seria até mais adequado compará-la com a hidra de várias cabeças. Se cortam algumas logo renascem outras.
    Assim o comércio começa a se recuperar pela venda de artigos baratos e populares, lógico com alto nível de sonegação pois está nas mãos de marreteiros e pequenos varejistas. Tente comprar por exemplo um galão de tinta e veja a diferença de preços se pagar a vista e em cash, e se decide pagar a vista mas no cartão de débito. O mesmo vale para serviços em geral e mesmo para alguns ramos da industria.
    Na verdade a salvação para o Brasil reside exatamente aí, nos pequenos negócios no giro de dinheiro e de circulação de mercadorias e serviços. O ESTADO DE MODO GERAL SÓ SUFOCA E ATRAPALHA A ECONOMIA REAL.
    Quando decide intervir geralmente só faz besteira, haja vista a estaparfúdia decisão de patrocinar o campeão de um setor com tecnologia do inicio do século XX, que cresceu demais, se tornou o maior frigorifico do mundo e agora o Grande Império JBS está ruindo e fatalmente vai voltar às mãos dos estrangeiros.
    Ao passo que pequenos setores, alguns deles
    com alto nivel de conhecimento vão indo de vento em popa. Hoje mesmo assisti no Globo Rural a ascensão de um setor que a principio parece um “negocinho”, mas que envolve um razoável nível de especialização e também de tecnologia: A CRIAÇÃO DE PEIXES ORNAMENTAIS. Criadores da zona da mata mineira se especializaram e estão prosperando muito bem.
    Assim como esse exemplo, existem dezenas de outros como piscicultura, apicultura, criadores de frutas e legumes em estufa, criação de cogumelos, minhocas,etc.. e em atividades urbanas, temos desenvolvedores de softwares, reciclagem de detritos e inúmeras outras atividades.
    Estão aí atividades que devem e podem ser incentivadas com dinheiro do BNDES e não se ficar jogando dinheiro fora em “FALSOS CAMPEÕES”.

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