Crítica da França ao acordo com Mercosul mostra que o boicote ao Brasil já começou

Desmatamento será tema de debate com Hamilton Mourão na terça-feira —  Senado Notícias

O vice Mourão reage com ataques à Guiana Francesa

Guilherme Mazui e Pedro Henrique Gomes
G1 — Brasília

Após o governo francês ter acesso a um relatório sobre desmatamento no Brasil e reforçar a oposição à versão atual do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira (18) que a Guiana Francesa também tem registros de desmatamento e mineração ilegal.

A Guiana Francesa é um departamento ultramarino que a França possui na América do Sul. A região faz fronteira com o Brasil e tem parte de seu território coberto pela floresta amazônica. O garimpo ilegal é um dos problemas nesta porção da Amazônia.

CASO DA GUIANA – “Temos a Pan-Amazônia, abrangida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, onde, incluído o Brasil, nós somos nove países, sendo que um é a França, uma vez que a Guiana Francesa é um departamento ultramarino e faz fronteira com o nosso estado do Amapá. E lá temos mineração ilegal e desmatamento também, mas ninguém fala disso”, disse o vice-presidente durante videoconferência nesta sexta.

Mourão disse ainda que o anúncio francês de rejeição ao acordo UE-Mercosul reflete uma “opinião” do primeiro-ministro, Jean Castex.

O vice-presidente defendeu que o governo brasileiro use a diplomacia para mostrar aos países europeus que o acordo, anunciado em 2019 mas que ainda não entrou em vigor, será benéfico os países dos dois blocos.

DISCUSSÃO DO NÍVEL BAIXO – “É uma opinião do primeiro-ministro francês de que o acordo Mercosul-União Europeia não deve ser ratificado pelo parlamento francês pela questão do desmatamento. Ora, vamos lembrar que na Guiana Francesa nós temos garimpo ilegal e temos desmatamento, é uma província francesa, mas não vou colocar a discussão nesse nível, essa é aquela discussão do nível baixo”, declarou Mourão.

O vice-presidente voltou a dizer que o problema do desmatamento e do garimpo ilegal na Amazônia brasileira é menos grave do que o divulgado e que ele atinge a região há muito tempo.

“Existem problemas? Existem. Mas não é um problema generalizado da forma como se coloca. A questão dessas ilegalidades, ela ocorre praticamente nas áreas antropizadas da Amazônia, a maioria delas há mais de 20 anos, 30 anos, ocupada por propriedades rurais”, acrescentou.

CRÍTICAS AO BRASIL – Único país do Mercosul com território coberto pela floresta amazônica, o Brasil é alvo de críticas desde o ano passado, em razão da política ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em julho, organizações ambientais e de direitos humanos europeias apresentaram um pedido ao ombudsman do bloco para que o processo de ratificação do acordo de livre comércio fosse interrompido.

Para entrar em vigor, o acordo de livre comércio precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos, o que ainda não aconteceu.

QUATRO PAÍSES CONTRA – Com restrições na área ambiental, três parlamentos na Europa (Áustria, Holanda e o da região da Valônia, na Bélgica) nunciaram que não darão seu aval ao acordo de livre comércio, negociado ao longo de duas décadas.

O acordo também é alvo de críticas na França. O primeiro-ministro do país, Jean Castex, argumenta que o desmatamento ameaça a biodiversidade e o clima. A França, junto com outros países, deseja impor condições ambientais para que as negociações avancem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não foi por falta de aviso. Era público e notório que o Brasil seria alvo de boicote devido ao menosprezo do governo quanto à devastação da Amazônia. O presidente Bolsonaro e os ministros Ernesto Araújo (Exterior) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) realmente não dão a mínima para a necessidade de preservar a floresta. Por isso, o boicote vai aumentar cada vez mais. (C.N.)

13 thoughts on “Crítica da França ao acordo com Mercosul mostra que o boicote ao Brasil já começou

  1. A União dos partidos de esquerda, estarão apoiando Flávio Dino ( PcdoB ) – desculpe os desavisados mas será vitória – Governo Bolso naro e um ero total no Brasil- a reforma da previdência tirou direitos dos trabalhadores do Brasil – ninguém merece.

  2. A França ficou mordida, desde quando o Brasil preferiu o caça Grippen sueco ao Rafale francês; este bem mais versátil. Tanto é verdade, que a India, em estado de beligerância com a China, recetemente, adquiriu 36 Rafales. Mas como, em 2014, o governo vigente definia suas negociatas consoante à propina oferecida pela contraparte, talvez por isso deu Suécia no jogo de sueca. Mesmo assim, melhor para nós: no país da laranja, o jato “gripe” será movido ou demovido à Vitamina C.
    Para atenuar as tensões com os gauleses, posteriormente, o Brasil adquiriu um lote de mísseis Meteor, os quais são tido como os mais letais da atualidade.

  3. Miranda,

    Precisamos considerar que somos muito mais dependentes deles, que eles de nós.

    A nossa balança comercial se resume em exportação de commodities, enquanto importamos ciência e tecnologia porque o Brasil é uma nação atrasada, que parou no tempo, que não soube se desenvolver.

    Se a Europa nos boicotar, poderemos não acabar, mas a situação ficará pior do que já está.

  4. Se tivéssemos um governo inteligente, se tivéssemos o Itamarati de antigamente, se tivéssemos mais humildade e sentido universalista, já teríamos determinado a todas as embaixadas e representações pelo mundo a coletar dados, estudos e apreciações sobre o que a conservação do bioma brasileiro e ,especialmente, o amazônico, representam para cada país.
    Essa visão geopolítica mundial é indispensável paras traçar estratégias adequadas ao interesse nacional e, principalmente, deixar de falar aboborinhas, asneiras e disparates em público.

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