Críticas a Belo Monte são mais uma etapa da campanha para internacionalização da Amazônia. Acredite se quiser, essa campanha conta com apoio do próprio governo do PT, que assinou na ONU um tratado internacional traindo o Brasil.

Carlos Newton

Toda vez que Helio Fernandes, Carlos Chagas ou algum comentarista escreve aqui no blog sobre as ameaças de internacionalização da Amazônia, sempre aparece alguém para criticar e até ironizar, garantindo que essa possibilidade não existe. Agora, com o pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA) para impedir a construção da usina de Belo Monte, talvez esses ingênuos brasileiros enfim comecem a perceber a realidade, entendam que essa ameaça de internacionalização realmente existe.

Antes, a manobra contra o Brasil somente se desenvolvia nas Nações Unidas, parecia improvável que houvesse alguma investida por parte da OEA, onde o Brasil deveria contar com a solidariedade dos demais países da Amazônia e de outras nações amigas, com as quais mantemos excelentes relações, como Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, mas agora está provado que isso não existe.

É preciso analisar o que está por trás da decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, ao pedir a suspensão imediata do processo de licença da hidrelétrica, até que sejam ouvidas as comunidades indígenas que serão afetadas pelo empreendimento.

Na carta, encaminhada ao governo brasileiro em 1º de abril último, a Comissão aprovou medida cautelar nesse sentido, alegando que a vida e a integridade pessoal dos indígenas estariam em risco, devido ao impacto da construção da usina. Adicionalmente, a comissão solicitou ao governo brasileiro que as comunidades a serem atingidas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto, “em um formato acessível, incluindo a tradução para os idiomas indígenas respectivos”.

O que pouca gente sabe é que há alguns anos a ONU aprovou a Declaração dos Povos Indígenas, um tratado internacional que transforma em “nações” verdadeiras todos os territórios dos povos considerados “nativos”, e a delegação brasileira, no governo Lula, assinou essa excrescência, que representa um salvo-conduto para a emancipação de mais de 100 novos países dentro o Brasil, que ocupam uma área equivalente a 20% do território nacional.

Ao todo, calcula-se que vivem hoje 370 milhões de indígenas (populações nativas) em cerca de 70 países, segundo a própria ONU (no Brasil, são menos de 200 mil, um  percentual ínfimo em relação ao total). O texto da Declaração dos Povos Indígenas foi aprovado com votos contrários apenas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Outros 143 países votaram a favor e 11 se abstiveram.

O ardil embutido no documento da ONU era evidente, a questão central de tudo isso já não se referia apenas aos “povos nativos” propriamente ditos. Ninguém está preocupado com os povos nativos da antiga Cortina de Ferro, são milhões e milhões de pessoas, nem com os aborígenes da Austrália. Tampouco se preocupam com os nativos da Argentina, que tem população indígena muito maior do que a do Brasil, acredite se quiser. O que agora está em disputa é a soberania sobre a maior floresta tropical do planeta, com suas colossais reservas minerais e sua riquíssima biodiversidade.

Esse tratado internacional foi repudiado por Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de outros 11 países que se abstiveram, como a Rússia e a Argentina, que têm muito mais população considerada nativa do que o Brasil. Mas o ingênuo governo do presidente Lula, que gostava de bancar o defensor da “causa indígena”, assinou o tratado sem dar muita atenção ao que estava escrito nele e sem fazer qualquer ressalva a seus dispositivos. Logo depois, o brilhante Lula criou a reserva Raposa/Serra do Sul, que cortou pela metade o território de Roraima, a área mineral mais rica do mundo.

É inacreditável que o Brasil do genial presidente Lula tenha feito questão de assinar esse tratado ardiloso, que não somente garante a criação das “nações” indígenas, como também lhes garante território próprio e inviolável, onde nenhum brasileiro poderá ingressar, nem mesmo nossas forças armadas, em caso de necessidade. Essas novas nações terão total autonomia administrativa, poderão fazer o que quiserem de seus “territórios”, inclusive abrir a países estrangeiros a exploração de suas reservas minerais.

Encoberta e incentivada pela ingenuidade dos ambientalistas  do mundo inteiro, a campanha internacional contra o país é impressionante e cada vez mais forte. E o pior é que conta com apoio crescente de significativa parcela dos próprios brasileiros, que se posicionam mais como ecoólatras do que como defensores da ecologia.

Já escrevi aqui no blog que os chamados ambientalistas hoje se dividem em três categorias distintas: os ecologistas, que defendem a natureza como um todo, querem a preservação da flora e da fauna do planeta; os ecólogos, que se dedicam ao assunto e o estudam de forma científica; e os ecoólatras, que têm um entendimento distorcido da questão e consideram os interesses da espécie humana como os de menor importância na escala animal (e vegetal).

Muitos ecoólatras brasileiros estão dando apoio integral à campanha para internacionalização da Amazônia, são inocentes úteis, nem percebem o que estão fazendo. E as Forças Armadas estão imobilizadas, sem recursos nem equipamentos para defender nosso território. Seus comandantes não podem se pronunciar a respeito, conseguiram amordaçar os militares, era só o que faltava.

O caso da usina de Belo Monte é apenas a ponta do iceberg. E só acontece no Brasil. Imaginem alguma organização internacional se metendo na construção da usina de Três Gargantas, na China, a maior do mundo. Ou se intrometendo na defesa dos povos nativos dos países da Cortina de Ferro, da Índia ou da África, eternamente espoliada pelos interesses econômicos das grandes potências, procurem saber o que acontece na Guiné Equatorial (acessem na internet), já escrevi aqui no blog a respeito.

Essas possibilidades de intervenção internacional, em casos graves e absolutamente necessários, na verdade inexistem em relação aos outros países. Mas contra o Brasil tudo é válido, tudo é permitido, com apoio do próprio governo brasileiro, que não consegue enxergar um palmo à frente do nariz, em matéria de política externa. Aqui no Brasil, todo mundo se intromete. Antigamente era o cantor Sting, que circulava pelo mundo abraçado ao cacique Raoni. Agora é o Bono Vox,  do U-2, que vive a se meter nos assuntos brasileiros, a pretexto de defender a ecologia planetária.

O assunto é importante, revoltante e apaixonante. Vamos voltar a ele, com mais detalhes sobre a Declaração dos Direitos Indígenas.

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