Críticas do general Rêgo Barros refletem a crescente insatisfação militar com Bolsonaro

Charge do Nani (nanihumor.com)

Gerson Camarotti
G1

Para militares da ativa e da reserva ouvidos pelo blog, as críticas indiretas ao próprio Jair Bolsonaro feitas pelo ex-porta-voz da Presidência Otávio do Rêgo Barros refletem uma crescente insatisfação na caserna com o tratamento recebido pelo presidente.

Em artigo publicado nesta terça-feira, dia 27, no jornal Correio Braziliense, Rêgo Barros, general três estrelas da reserva, afirmou que o poder “inebria, corrompe e destrói”. “Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais — escravos modernos — que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos”, diz trecho do artigo.

SUBSERVIÊNCIA – No texto, Barros também criticou auxiliares presidenciais que se comportam como “seguidores subservientes”. “Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas.

O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”, afirmou o ex-porta-voz no artigo. A preocupação nas Forças Armadas, principalmente no Exército, voltou a crescer na semana passada com dois episódios que causaram grande desgaste para a imagem dos militares.

RETRATAÇÃO – O primeiro envolveu pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro, que desautorizou publicamente e depois enquadrou o seu ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, um general três estrelas da ativa. Pazuello teve que se retratar pelo acordo para comprar vacinas contra o novo coronavírus produzidas pelo Instituto Butantan com tecnologia chinesa.

Na sequência, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, um general quatro estrelas que entrou para a reserva recentemente, foi rotulado como “#mariafofoca” pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, num embate público pelas redes sociais.

HUMILHAÇÃO PÚBLICA – Ao blog, um general da reserva alertou que na gestão Bolsonaro os militares estão sofrendo uma espécie de humilhação pública. E que, apesar da ascensão de vários quadros da área militar para cargos estratégicos – inclusive no primeiro escalão – há um risco de contaminação política das Forças Armadas nesse processo.

A primeira grande baixa política de um militar na gestão Bolsonaro foi a do general Carlos Alberto Santos Cruz, que ocupava o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo. Ele caiu, após virar alvo da ala ideológica do governo e até mesmo do vereador Carlos Bolsonaro. Nem mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão, também general quatro estrelas da reserva, escapou de ataques da ala ideológica.

RECADO – Numa das críticas mais duras em seu artigo, o general Rêgo Barros também mandou um recado direto: “Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”.

Em outro trecho da publicação, o ex-porta-voz ainda afirma: “A autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias. Não aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste.”

12 thoughts on “Críticas do general Rêgo Barros refletem a crescente insatisfação militar com Bolsonaro

  1. ” tentar curar a corrupção com fascismo e o mesmo que tentar curar gastrite com vodka…”
    Pensador desconhecido

  2. Obrigado amigos fascistas, acabaram com a corrupção e mais alguns penduricalhos.

    “O governo federal editou um decreto que libera estudos sobre parcerias com o setor privado para a privatização de Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Sistema Único de Saúde (SUS). O foco do decreto é a busca de alternativas para “a construção, a modernização e a operação” das UBS.

    Especialistas ouvidos pelo G1 demonstraram preocupação com o texto publicado na terça-feira. “Obscuro”, “apressado” e “inconstitucional” foram alguns dos adjetivos usados para qualificar o decreto.”

    https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/10/28/obscuro-apressado-e-inconstitucional-especialistas-analisam-decreto-sobre-privatizacao-dos-postos-de-saude-do-sus.ghtml

  3. O seu Mourão foi á TV para falar de biogeração de energia a partir da cana de açucar. Já se pode gerar energia elétrica através da cana-de-açucar sem haver combustão?
    Outro aspecto interessante é o país alardear essas bobagens sem nem considerar que importamos alcool de cana dos estados unidos!
    Isso é apenas um detalhe, porque ninguém mais dá atenção ao que o seu Mourão diz.

    • Sim é possível gerar energia sem a combustão do bagaço. A geração se daria em biodigestor. Ou seja produção de gaz. Porém a eficácia é baixa.

    • Sim. Há muito tempo se utiliza o bagaço de cana como matéria prima para combustão, gerando energia eletrica através da produção de vapor que movimenta as turbinas do gerador elétrico.
      É uma técnica antiga, e muitas indústrias no Brasil, principalmente no interior de São Paulo, utilizam para consumo proprio dessa energia, e vendem o excedente.
      O Mourão é apenas um militar sem muita noção, pois se a tivesse não faria parte desse governo.

  4. Ninguém melhor que os militares de alta patente conhecem o passado indisciplinado e os reais motivos da nada honrosa saída do Tenente Bolsonaro.

  5. A “humilhação” que os militares estão sofrendo é do tamanho dos reajustes que tiveram nos seus soldos, então é bem grande. Não acredito em xororô de gente bem remunerada, reclama só pelo hábito de reclamar, fica feio não reclamar do salário quando os outros estão reclamando.

  6. Os funcionários militares no governo passam mal de tanto engolir “cobras e lagartos” do “tosco” e seu clã. Perderam a credibilidade. Não passam de lacaios.

  7. “Críticas do general Rêgo Barros refletem a crescente insatisfação militar com Bolsonaro”. TI

    Não seja exclusivamente crítico, general Barros. A crítica costuma ser o abrigo dos incapazes, o instrumento dos invejosos e a máscara dos maus.
    O maior problema é que existe um elemento malévolo na crítica: ao apontar um problema que realmente existe, ela adquire uma autoridade que lhe permite enganar os incautos. Basta ver como as pessoas, logo que alguém começa a falar mal de algo, ficam encantadas pelo crítico, tratando-o como especialista sobre o assunto.
    O crítico, então, com essa autoridade absorvida, se vê seguro o suficiente para oferecer suas próprias soluções. Nisto reside toda sua periculosidade.
    Basta ver como todos os movimentos críticos que se espalharam pelo mundo fizeram exatamente isso: apontaram algo que merecia alguma reprimenda e ofereceram em seu lugar uma mentira. O anti-catolicismo da Revolução Francesa, o anti-capitalismo do marxismo, o anti-monarquismo do movimento republicano – todos eles apontavam problemas reais que existiam, mas o que propuseram em seu lugar foi algo bem pior.
    É por isso que devemos ser cautelosos com quem tem sua vida baseada na crítica ou que tudo o que propõe nada mais é do que um contraponto a algo que já existe. A história já mostrou que esses são tipos perigosos que, prometendo acabar com o que, segundo eles, impede o paraíso, oferecem em troca o próprio inferno.

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