Crônica da derrota antecipada


Carlos Chagas

Fazer previsões em política geralmente equivale a dar palpite em questões desconhecidas. Mesmo assim, algumas situações surgem tão claras que a tentação é grande: Alexandre Padilha não ganha de jeito nenhum as eleições para governador de São Paulo. Já era missão quase impossível imaginá-lo vencendo Geraldo Alckmin, em pleno exercício do poder. Saído de mais uma incursão do Lula no reino dos postes, tinha poucas chances por não ser conhecido sequer da militância do PT paulista. Agora, porém, ficou pior.

Apesar da sóbria nota oficial com que negou haver indicado um antigo assessor para executivo de um laboratório lambão especializado em lavagem de dinheiro do doleiro Youssef, Alexandre Padilha está denunciado pela Polícia Federal. Como ministro da Saúde, teria se envolvido com o Labogen.

É claro que muitos companheiros votarão nele, como votaram em Fernando Haddad para prefeito da capital e até em Dilma Rousseff para presidente da República, mas só o PT não bastou para elegê-los. Nos dois casos, o eleitorado independente resolveu a eleição. Agora, nem por milagre. Tanto pela seriedade das acusações quanto pela solidez do governador.

A pergunta que se faz em São Paulo é se o partido não tinha outra alternativa. Aloísio Marcadante, Marta Suplicy, Eduardo Suplicy e, se fosse questão de vida e de morte ganhar no estado, por que não o próprio Lula? Tem limite repetir a formula de tirar um desconhecido da cartola. Em especial se sobre ele pesam, justa ou injustamente, versões desabonadoras. Ainda mais quando o PT se encontra sob fogo batido, com muitos de seus líderes acusados e mesmo renunciando por corrupção.

Uma derrota anunciada, em São Paulo, prejudica a reeleição de Dilma Rousseff. Talvez até favoreça Aécio Neves, claro que não a ponto de impedir o segundo mandato da chefe do governo. A conclusão é de que, desta vez, a mágica do Lula não vai dar certo. A menos que ele surpreenda todo mundo a aceita candidatar-se ao palácio dos Bandeirantes. Há precedentes: Rodrigues Alves governou São Paulo, virou presidente da República e, terminado seu mandato no Catete, voltou aos Campos Elíseos. De onde, aliás, saiu para novo mandato presidencial, não tendo assumido por doença mortal. A História costuma ser um amontoado de repetições.

POR BEM OU POR MAL

Parece definitiva a saída de André Vargas da Câmara dos Deputados. Ou renuncia ou será cassado pela Comissão de Ética e pelo plenário, com a votação maciça de seu próprio partido. O PT procura antecipar a degola, se possível antes do recesso do meio do ano.

7 thoughts on “Crônica da derrota antecipada

  1. Mais um político do PT que vai ser abatido pelo próprio PT por estar envolvido em tramoias. Acho que a Papuda esta precisando de um PAC de expansão para o programa “Minha prisão minha vida!”

    • È bom a Patrulhinha Francesa não se animar muito com “a derrocada” do lulamolusco.
      Os dois partidos são irmãos siameses em tudo, entonces, como o Partidão da Extrema-Direitopata é fã de carteirinha de uma corrupção, esse doleiro “se cavar” bastante vai cair no colo do CAPPO FHCorleone.
      Já há indicios que ele “operava” junto ao BANESTADO na época que o “fhcorrupto” des-governava o Páis.
      eh!eh!eh

      • Bem, então agora é escolher políticos de outros partidos e que não estejam coligados, já que a turma do PT e PSDB são tremendos enganadores da população e continuam roubando o brasil.
        Ah!, esqueci, não se trata de partidos e sim de QUADRILHAS.

  2. Por que os políticos brasileiros, sem exceção, não conseguem ter amizades ou se relacionarem com pessoas comuns, mas somente com bandidos? Alguém pode me explicar? Essa gente só tem relações pessoais com o submundo. Que M.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *