Cuba é uma ditadura: não há eleições livres nem liberdade de imprensa

Pedro do Coutto

Em Havana, esta semana, ao tocar no tema essencial dos direitos humanos, a presidente Dilma Roussef, para não ter que condenar a política cubana, fez uma comparação escapista entre os Estados Unidos e Cuba, colocando como exemplo a absurda situação de Guantânamo, em que presos cumprem penas aguardando julgamentos por tempo indeterminado. Mas esqueceu que em Cuba não há eleições livres, não existe liberdade de imprensa, nem individuais, há presos e confinados políticos sob ameaça permanente de julgamentos sumários.

Falou do telhado de vidro de todos os países, incluindo o nosso portanto. Porém, não disse que Brasil e EUA vivem regimes democráticos. Há eleições, rotatividade do poder, liberdade de imprensa, direito de defesa. Cuba encontra-se sob uma ditadura de mais de 50 anos.

Em 1959, a revolução de Sierra Maestra derrubou o esquema cruel de poder de Fulgêncio Batista, empunhando a bandeira da redemocratização do país. Tornou-se comunista e acabou substituindo aquele regime ditatorial pela ditadura de Fidel e Raul Castro. Este, agora, começa a buscar uma abertura para dar ao povo um lugar ao sol. Fidel jamais tentou esse caminho. Preferiu o do paredão, como ele próprio chamava o fuzilamento de adversários e dissidentes.

Ernesto Che Guevara, que dividiu o eixo das decisões com Fidel e Camilo Cienfuegos, ordenou a morte de centenas de pessoas de uma forma tirana que lembra Adolf Hitler. Eu me lembro, repórter do Correio da Manhã, que a revolução cubana entusiasmou a juventude. Estive com Fidel Castro, Che Guevara e Cienfuegos, em 59, na então embaixada de Cuba no Rio, num edifício da Rua Djalma Ulrich, Copacabana. Os vitoriosos ofereceram um Cuba Libre, nome de popular bebida da época, mistura de Rum com Coca-Cola, americana.

Surgiu na América Latina uma esperança na convergência da liberdade com a justiça social. Foi um engano. Logo o governo de Havana recorreu ao paredón e implantou a ditadura. O presidente dos EUA era Eisenhower. Iniciou o processo de isolamento de Cuba. Foi pior. Jogou Havana nos braços de Moscou, de Kruschev, que em 53 havia sucedido Stálin na União Soviética.

De 59 passamos a 60. Começa a campanha da sucessão de Juscelino Kubitschek. Jânio Quadros visita Cuba, levando na comitiva Afonso Arinos de Melo Franco, Hélio Fernandes, José Aparecido de Oliveira, Carlos Castelo Branco, Joel Silveira. Melhora sua posição com a esquerda brasileira.

O general Teixeira Lott piora a imagem sob o prisma ideológico. Num encontro na ABI, promovido pela UNE, então presidida por Raimundo Eirado, condena os julgamentos sumários, sem direito de defesa, os fuzilamentos do regime castrista, além das torturas que se banalizam.

A reação contrária foi imediata. Metade dos estudantes se rebelou. A outra parte não se rebelou porque Eirado, orador notável, no estilo dos tribunos de ontem, fez vibrante discurso reduzindo a contradição aberta. Lott havia perdido a serenidade. Eirado acalmou o salão e as escadarias. Mas a divisão da esquerda tornava-se um fato. As urnas comprovaram.

Falei em desfocar. As fotos de Fidel, Guevara, Cienfuegos no prédio da Djalma Ulrich esvaneceram-se. No início da década de 60, Camilo morre em acidente aéreo em Cuba. Enviado por Fidel para missão alucinada e impossível na Bolívia, Guevara é morto pelos rangers americanos que seguiam sua trilha, ao lado dos militares bolivianos.

Guevara escreveu um diário. Foi parar nas mãos do ministro do interior Antonio Arugedas. Ele vendeu o texto a Fidel por 10 milhões de dólares. Do conteúdo foram extraídos algumas partes. Por quê? Fidel Castro assumiu, solitário, o poder total. Sepultou os ideais de Sierra Maestra. Surgiu à frente da ditadura que implantou e envelheceu.

Regime imperial em que até a sucessão é hereditária. Muito diferente de nos EUA e no Brasil.

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4 thoughts on “Cuba é uma ditadura: não há eleições livres nem liberdade de imprensa

    • Parece até que no governo e Vargas foi diferente, né? Parece até que ele não criou a DIP e DASP, órgãos altamente repressivos. Grande hipocrisia esquecer também que inúmeras pessoas foram torturadas ou até assassinadas dentre esse período de Ditaduras, incluindo o Estado Novo. E quem financiou tudo? John Kennedy. Mas isso ninguém recorda. “O presidente dos EUA era Eisenhower. Iniciou o processo de isolamento de Cuba. Foi pior. Jogou Havana nos braços de Moscou, de Kruschev, que em 53 havia sucedido Stálin na União Soviética.” Os EUA não jogou a Cuba nos braços da URSS, ele tentou de todas as formas sufocar o socialismo cubano,como a tentativa de assassinar Fidel Castro,até chegar ao extremismo do Big Stick; na Invasão à Baia Dos Porcos, na ilha cubana. Fidel e Che realmente podem ter agindo de forma extremista pra defender seus princípios socialistas, mas garanto que foi para um bem maior. É como o próprio Maquiavel diz: Os fins justificam os meios. Graças a essa montagem de estado militarizado, reagindo às tentativas de asfixia pelo imperialismo de forma digna, a Cuba é um país pobre, mas com índice de educação, saúde, mortalidade infantil muito melhor que os nossos.

  1. Pedro do Coutto, saudações
    Cuba é uma ditadura? Cuba não realiza eleições livres? Lá não existe liberdade de imprensa?
    Nããããooo!!! Não é possível!!! Só contaram para você!!! Furo espetacular de reportagem!!!
    Ora ora ora. Pedro, me diga … o que é uma ditadura e em qual país existe a verdadeira prática da democracia. A ditadura imposta pelo DEUS DINHEIRO (viva o Papa Francisco!!!) e GLOBALIZAÇÃO DA DESIGUALDADE (viva novamente o Papa Francisco!!!) vem torturando e matando muito mais do que mil Stalins, Hitlers e iguais.
    Os índices mencionados pela Dione foram escancarados para o mundo pelo então ministro da Saúde José Serra, quando implementou o “Médico em sua casa”, trazendo cubanos para as nossas cidades abandonadas.
    E … para terminar por hoje, por hoje (Helio!!!) os ideais de Sierra Maestra vivem!!!
    PS: por que será que a UNESCO, esta semana, considerou publicamente ERNESTO CHE GUEVARA como Patrimônio da Humanidade?????
    PS2: João Saldanha estaria perguntando … “Você tem duzentos anos para responder …”

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