Cuba pede divulgação para o caso dos cinco cubanos condenados no Estados Unidos há 12 anos

Jorge Folena

Prezado Helio Fernandes,

Segue abaixo o manifesto da Assembleia Nacional da República Socialista de Cuba sobre a questão dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos. Este documento me foi encaminhado pelo conselheiro vice-chefe da Embaixada de Cuba no Brasil, Alexis Bandrich.

Sendo possível, solicito sua autorização para divulgação na “Tribuna da Imprensa’ por se tratar de tema ausente na mídia nacional.”

“Aos Parlamentos e povos do mundo,

Nestes 12 de setembro de 2010, cumprem-se 12 anos do injusto encarceramento em prisões norte-americanas de Gerardo Hernández Nordelo, Ramón Labañino Salazar, Antonio Guerreiro Rodríguez, Fernando González Llort e René González Sehwerert.

Desde sua detenção e durante todo o longo e viciado processo judicial, no qual lhes impuseram desmesuradas condenações, incluindo cadeia perpétua para dois deles e duas cadeias perpétuas para outro, estes cinco cubanos têm enfrentado os maiores obstáculos para exercerem seus direitos e têm sido submetidos a cruéis castigos, incluindo longos períodos de confinamento em solitária e, nos casos de Gerardo e René, a proibição de receberem visitas de suas esposas.

Durante estes anos, nosso povo,  junto a seus familiares, tem denunciado esta injustiça e lutado por sua libertação, convencidos de sua inocência, pois sua única, mas importante missão nesse país foi monitorar os grupos terroristas que durante mais de 50 anos têm atuado impunemente contra Cuba. Nada do que fizeram jamais pôs em risco a segurança dos Estados Unidos. Isso o sabem muito bem as autoridades norte-americanas e foi reconhecido inclusive durante o julgamento pela própria Promotoria e altos chefes militares desse país.

Caso se quisesse uma única razão para demonstrar toda a injustiça e o revanchismo contidos neste caso, para além de sua provada inocência, bastaria mencionar que durante as últimas décadas nenhuma outra pessoa nesse país, a que se lhe tenha acusado e comprovado a prática de espionagem, inclusive vinculadas a ações armadas violentas contra os Estados Unidos, tenha recebido tão altas condenações, a nenhuma cadeia perpétua, e muitos dos sancionados já foram libertados.

Ao cabo de 12 anos, quando depois da negativa da Corte Suprema de revisar os casos, se esgotaram todas as possibilidades na ordem legal, a situação destes nossos cinco irmãos segue sendo extremamente difícil; enquanto a três deles modificaram ligeiramente suas condenações, Gerardo Hernández segue cumprindo, em condições de máxima segurança, suas duas cadeias perpétuas mais quinze anos.
Ao referir-se à necessidade da solidariedade para atingir a justiça, o destacado jurista norte-americano Leonard Weinglass, um dos advogados defensores dos cinco, afirmava: “O pior que pode passar a alguém dentro do sistema de justiça norte-americano é estar sozinho. A solidariedade é necessária não para intimidar a corte, senão para indicar que o mundo está vigiando e que a lei deve ser cumprida”.

Estamos seguros que a luta por sua libertação, à qual se somaram povos, organizações sociais, políticas e de profissionais, governos e parlamentos de todo mundo, em gesto de singular solidariedade com esta justa causa, seguirá crescendo.

Hoje é mais necessário que nunca exigir à Administração dos Estados Unidos que ponha fim a esta injustiça e liberte já a estes cinco cubanos.

Assembléia Nacional do Poder Popular

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