Cuidado com o dr. Silvana

Carlos Chagas

Informamos, tempos atrs, haver sido visto em Braslia o maior inimigo da Humanidade, o dr. Silvana, de quem os mais velhos se lembraro. Cientista louco, seu objetivo era destruir a civilizao no planeta, at que foi derrotado pelo Capito Marvel, infelizmente hoje recolhido ao asilo de super-heris tuberculosos.

Foi no governo Fernando Henrique que se soube da presena do solerte criminoso, flagrado no meio do tnel subterrneo e secreto que ligava o palcio do Planalto ao ministrio da Fazenda. Quando fugiu, levava uma lista que deixou cair no cho, com o nome de mais instituies e empresas a ser privatizadas, encabeadas pelo Banco do Brasil, a Caixa Econmica, o Exrcito, a Marinha e a Aeronutica. O episdio foi abafado, mas as foras armadas ficaram sabendo e, por sugesto delas, no se falou mais em privatizaes.

Rumores surgiram sobre nova apario do satnico individuo em So Paulo, quando da quarta campanha do Lula presidncia da Repblica, em 2002. Corre que tinha a letra do dr. Silvana o primeiro rascunho da Carta aos Brasileiros, aquela que marcou a adeso do novo governo ao neoliberalismo.

Pois bem, o malfico personagem parece estar de volta, de novo na capital federal. Foi visto semana passada embarcando no aerolula, integrante da comitiva presidencial que viajou para o Oriente Mdio. S que estava disfarado, de terno e gravata, sem o avental branco dos cientistas, at com culos de aro de tartaruga, pequena barbicha e barriga imensa, certamente produto de alguns travesseiros escondidos debaixo do palet.

Por que se desconfiou de que era o dr. Silvana e no o assessor especial de poltica externa, Marco Aurlio Garcia? Primeiro porque partira dele a sugesto para o presidente Lula visitar aquela regio explosiva, ainda mais com a pretenso de estabelecer a paz e a concrdia entre Israel, a Palestina, o Ir e adjacncias. Coisa que nem Jeov, Al e o Padre Eterno haviam conseguido, s o dr. Silvana para criar confuso ainda maior.

Em Jerusalm, quando o ministro de Relaes Exteriores de Israel pediu um encontro reservado com o Lula, antes da visita ao parlamento israelense, foi o assessor especial que omitiu o pedido. Deixou de informar o presidente e, mais, respondeu em termos deselegantes ao chanceler anfitrio, cuja reao foi no comparecer sesso do legislativo local em homenagem ao Lula, faltando, tambm, ao encontro com o primeiro-ministro e ao jantar de gala.

No ficou nisso o desagregador personagem. Atravs de asseclas incrustados no governo de Israel, sugeriu ao primeiro-ministro que comparasse Maradona a Pel, suprema ofensa ao patriotismo do nosso presidente. Mais ainda: teria convencido o presidente israelense de que o Lula era conhecedor e admirador incondicional da vida de Julio Csar, informao que levou Shimon Peres a, de viva-voz, comparar o primeiro-companheiro ao grande romano, sem ou com ironia.

Tambm do assessor internacional partiu o conselho para o presidente Lula cancelar a ida ao tmulo do fundador do sionismo, quando estimulou o chefe a comparecer, um dia depois, ao mausolu do criador da luta armada dos palestinos contra os israelenses.

A relao de trapalhadas no teria fim, registrando-se apenas a ltima: quem fez a cabea do Lula para declarar, ainda no Oriente Mdio, que o acirramento do conflito entre Estrados Unidos e Israel era uma chance mgica para a promoo da paz? Quer dizer, a luz produto da escurido?

Em suma, a imagem que o Brasil ia construindo em poltica externa seguiu atrs da vaca. Foi para o brejo. H quem rememore, agora, outras trapalhadas por certo geridas pelo dr. Silvana: ficamos do lado errado em Honduras? Precisvamos aderir tanto assim a Hugo Chaves? Era necessrio comparar os dissidentes cubanos a bandidos? Por que cedemos s grosserias dos presidentes da Bolvia, do Equador e do Paraguai?

Em maio est prevista viagem do presidente Lula ao Ir. Quem programou no s a visita, mas deve estar meditando nas lambanas que dela devero decorrer? Cuidado com o dr. Silvana.

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