Cunha propõe parlamentarismo, mas esquece os plebiscitos de 63 e 93

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira a Andréa Sadi e Bruno Boghossian, edição da Folha de São Paulo de 29, o deputado Eduardo Cunha afirmou-se favoravelmente à aprovação de emenda constitucional implantando o parlamentarismo no Brasil, como forma de governo, a partir de 2019. Aliás a palavra certa é reimplantando, já que ele foi instituído em 1961 na posse de João Goulart na presidência quando da renúncia de Jânio Quadros. Mas em 1963, houve um plebiscito: o presidencialismo alcançou 90% dos votos. O resultado, basicamente, não foi alterado pelo plebiscito de 1993, cumprindo alternativa colocada na Carta de 1988.

Foram, assim, dois plebiscitos, logo não possui o menor cabimento querer aprovar a mudança no regime de governo apenas através de emenda constitucional como está propondo o presidente da Câmara. Sustenta ele que o sistema de gabinete dirigido por um primeiro-ministro destina-se a evitar a sucessão de crises que atinge o país. Contradição. Pois se a crise está transcorrendo hoje, 2015, como superá-la a parir de 2019? Não faz sentido, entre o hoje e o amanhã há uma distância de quatro anos. Logo, o posicionamento de Eduardo Cunha, no fundo, tem como alvo outros objetivos.

Um deles a divisão do poder Executivo com o PMDB. Tanto assim que, ao se referir à articulação política coordenada pelo vice Michel Temer, o presidente da Câmara afirmou que “ele ficar vendendo ilusões (promessas não cumpridas de nomeações), ou virando garçom para anotar pedidos do Congresso e não resolver nada, acaba se desgastando. O que a gente (PMDB) não quer que aconteça”, acrescentou. Disse também: “O governo quer tudo para o PT. Prometeu (cargos) e não cumpriu. Michel Temer não vai representar esse papel”.

Eduardo Cunha, com suas palavras, deixou absolutamente claros os alvos e o verdadeiro objetivo de sua entrevista. O que, aliás, constitui uma confirmação, não uma revelação.

SELEÇÃO BRASILEIRA, UM DESASTRE

Depois de falarmos num lance do jogo do poder, vamos falar de futebol. A seleção brasileira que foi eliminada da Copa América pelo Paraguai, representou mais um desastre na história esportiva do país. Não se mostrou firme em nenhuma das partidas de que participou, como todos assistiram pela televisão. O técnico Dunga revelou-se desorientado vacilando entre armações ofensivas e defensivas.

Paulo Cesar Caju, que participou de nossa conquista na Copa de 70, inclusive, escreveu ótimo artigo sobre Dunga e seus esquemas táticos, edição de 29 de O Globo. Focalizou as infelizes declarações envolvendo os afrodescendentes, ofensivas para a maioria da equipe, além de absolutamente sem sentido, e as opções que colocou em prática.

Contra o Paraguai, o time não estava bem, mas vencia a partida e, na ofensiva, mantinha a bola na frente. A defesa respirava e a Seleção dominava a posse da bola, assegurando menor espaço para os paraguaios. De repente, sem se saber por quê, Dunga realiza substituições, entre as quais a de Robinho, escolhendo uma postura defensiva. Foi um erro, dos maiores. Com o recuo, liberou espaços para o Paraguai que passou a dominar a partida. Esse domínio se ampliou a partir do pênalti infantil cometido por Tiago Silva.

De frente para a bola, a defesa colocada, nenhum adversário próximo ao lance e ele usa a mão. Foi o início do fim. O escrete não mais se encontrou em campo, sendo eliminado na cobrança das penalidades depois do empate no tempo regulamentar. Foi um desastre. Completo. O futebol brasileiro precisa voltar a ser verde e amarelo.

8 thoughts on “Cunha propõe parlamentarismo, mas esquece os plebiscitos de 63 e 93

  1. O PARLAMENTARISMO É UM SISTEMA DE GOVERNO MUITO SUPERIOR AO PRESIDENCIALISMO QUE SÓ DÁ CERTO SE FOR CONDUZIDO POR UM SER HUMANO PRATICAMENTE INFALÍVEL EM TERMOS DE COMPETÊNCIA, HABILIDADE POLITICA E CARÁTER, OU SEJA, UM SER HUMANO PRATICAMENTE INEXISTENTE.
    ESSA IDEIA NÃO PODE SER DESCARTADA SIMPLESMENTE PORQUE ESTÁ SENDO APRESENTADA PELO EDUARDO CUNHA, AINDA QUE HAJA UMA CERTA DOSE DE OPORTUNISMO, TEM QUE SER BEM DISCUTIDA E PRINCIPALMENTE LEGITIMADA POR UM NOVO PLEBISCITO E/OU REFERENDO.
    ACHO QUE AGORA É HORA, MUITO MAIS DO QUE EM 1961 OU 1993, NA VERDADE DOS ÚLTIMOS PRESIDENTES QUE TIVEMOS O ÚNICO QUE SE APROXIMOU UM POUCO MAIS DAS 3 CARACTERÍSTICAS CITADAS FOI O ITAMAR FRANCO, QUE NA VERDADE NEM FOI ELEITO DIRETAMENTE PELO POVO.
    A GRANDE VANTAGEM DO PARLAMENTARISMO É A SUA FLEXIBILIDADE DE PODER EXPULSAR DO PODER MANDATÁRIOS INCOMPETENTES E “MAL-CARÁTER”, LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO QUE É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL, POR DEFINIÇÃO, SE TER UM PRIMEIRO MINISTRO SEM HABILIDADE POLITICA.

  2. Nunca esquecendo que a Alemanha de Hitler era parlamentarista.
    Se já há desgoverno no nosso sistema presidencialista, imaginem num sistema parlamentarista, em que todo mundo manda e ninguém tem autoridade para se impor.
    No parlamentarismo a autoridade fica diluída entre os muitos lideres partidários, cada um com uma fatia, maior ou menor de acordo com sua bancada. Estaremos aí sim, a um passo para a fragmentação do Brasil. Basta que um partido seja mais forte no norte, outro no sul e outro no nordeste por exemplo.

  3. O Brasil já votou duas vezes contra o PArlamentarismo, querer mudar o sistema agora é só para delírios de quem quer o PHODER a todo custo..
    O dito deputado está atolado até o pescoço em propinas, corrupção, lavagem de dinheiro,trambiques, essa é a questão, a proposito o que está fazendo o MInistro da Justiça para colocar esse bandido religioso na cadeia.????eh!eh!eh

    -A maioria dos confrontos entre o Brasil e Venezuela o menor placar era de 5×0,
    Todos nós torcedores já esperavámos as grandes goleadas e jogos espetaculares com show ao vivo do futebol brasileiro envolvente, mágico……
    Hoje com o Super-Empresário-Pseudo-Técnico o último jogo contra a Venezuela a Selecinha dos Três Filhos do Marinho terminou com QUATRO ZAGUEIROS para não tomar gol.
    Segundo o dunga-molusco, a arma da Venezuela é as jogadas áeres, entonces vamos por 818 zagueiros para empedir essas jogadas……eh!eh!eh
    Depois dos 10×1 (alemanha+holanda)., não assisti mais jogos da Selecinha dos Marinhos,
    Aquilo virou um antro de bandidos, corruptos, estelionátarios, balcão de negócios e cheio de jogadores mimadinhos que acham que são Pelé, Tostão, Garrincha,Rivelino, Gérson,
    Até o grande Zico criticou a Selecinha, tem até empresários como Diretor da CBF.
    Virou umBalcão de Negocios..
    Jogadores sem expressão que jogam em Páises onde nem existe futebol, China, Ucrânia, Egito, Emirados Árabes, são convocados para a Selecinha dosMarinhos.
    Qual o motivo, senão as negociatas entre empresários eo técnico.???
    Três deles foram vendidos em plena Copa América, com valores de cair o queixo de qualquer um,
    Quanto será a comissão para o Técnico-Empresário.???
    Que legal virou o futebol brasileiro, temos de jogar para não tomar gol contra a Venezuela,Paraguai,Bolivia, etc, e achar um gol para poder ganhar de 1×0….
    eh!eh!eh
    Triste fim do futebol nas mãos dos Três Filhos do Marinho & ricardo teixeira&havelange & delnero & cagueta marim & cia Ltda.

    • Armando, esta seleçãozinha é a cara do PT. Alias, depois que o PT assumiu o poder o esporte no Brasil foi reduzido a uma bolinha de gude. quais os títulos coletivos do PT? Com excessão do volei e de alguns atletas isolados as vitórias são insignificantes. E o ministro dos esportes nos últimos doze anos sempre foi do PT. Agora, alguns ficaram famosos pelas maracutaias. Então, seu Armando, podes voltar a trabalhar!

  4. ATENÇÃO! O Parlamentarimo é chamado de regime, sistema, mas o têrmo próprio atualmente é : forma de governo, assim como o presidencialismo. Inumeros inconvenientes impedem entre nós o parlamenterismo. É só irmos a sua “gênese”. Embrionariamente o Parlamentarismo “surgiu” em 1215 no reinado de João Sem Terra, na Inglaterra quando da Revolução das Baronias. Na Câmara dos 25 Barões fomada na Inglaterra e mantida até hoje. Mesmo com seu caráter aristrocrático, surgiu como uma assebléia de súditos. Contrapôs-se aos excessos do rei e impôs princípios essencialmente democráticos. Exigiram os prelados Medievais e Barões que o rei se abstivesse de de lançar e exigir tributosdem prévia anuência dos contribuintes. Principios de liberdade civil e religiosa, foram consignados no texto da Carta Magna. Ficando a cargo dos 25 Barões a fiscalização de seu cumprimento. Em 1832 efetivou-se.Passarm-se portanto tanto 617 anos para que fosse entendido como “regime”. Hoje é conhecido como “forma de governo”.Até ser efetivamente implantado orei Henrique III tentou anular a conquista , foi vnecido pelos nobres. Houve em 1640 tenaz resistência contra o absolutismo de Rei Carlos I, que chegou a a prender e xecutar ministros. Depois de de trê anos de guerra civil Olivério Cromwell Comandante e chefe dos exércitos da Inglaterra ,Escócia e Irlanda, obteve completa vitória vitória e destronou o rei Carlos I. O Parlamento condenou o Rei destronado, como tirano, traidor, assassino e inimigo do país, e mandou decapitá-lo. Foi implantada a República. Vendo como foram os acontecimentos históricos, chegando a Inglaterra até a república para depois voltar a monarquia. Imaginemos quantos anos levariamos para implantarmos entre nós o parlamentarismo. Mesmo porque o Parlamentarismo é própio dos paises unitários. Na realidade o parlamentarismo surgiu para compor os interesses da nobreza e do rei. Querer implantar o Parlamentarismo no Brasil no impulso de um oportunismo, chega as raias do crime.

  5. Aquino, depois da morte de Cromwell em 1658 e da restauração da Monarquia, mandaram desenterrar o corpo do Cromwell, o Lorde Protetor, e enforcá-lo simbolicamente. Foi nesse período da Guerra Civil inglesa, há quase 400 anos atrás, que Hobbes escreveu sua obra “Leviatã”.

  6. A meu ver, o problema não é o presidencialismo mas sim o impasse dos estados, que ficam de ‘marisco’ entre a ‘pedra’ (a União) e o ‘mar’ (os municípios). Com liberdade às Unidades Federativas para legislarem, o presidencialismo é um bom sistema, deixando à União apenas assuntos de trato específico tais como relações internacionais, fronteiras, FFAA, etc. Pondero o dinamicismo do parlamentarismo no tocante a troca dos mandatários, mas o que seria feito, por exemplo, com as milhares de INÚTEIS e ONEROSAS Câmaras Municipais por todo país? Seja no presidencialismo ou no parlamentarismo, o essencial é que haja uma considerável redução do ESTADO.

    Claro, posto isso ignorando o fato de vivermos sob uma falsa democracia na qual o meio de votação – com apuração inconstitucionalmente secreta – é realizado por máquinas obsoletas e por um software e sistema de transmissão de dados completamente fraudável como já exposto, dentre outros, pelos professores Amilcar Bueno e Diego Aranha.

    Uma dúvida: a validade de resultado do plebiscito de 1993 é indeterminada?

  7. Carlos Frederico Alverga, tua cultura é superior consequentemente tens mais autoridade para estender o tema que é a historia da Inglaterra. Implantou-se a república com o Lord Protetor Cromwell, restaurou-se a Monarquia com a participação de seu filho que foi buscar na Espanha o filho de Carlos I. Como preleciona o grande Constitucionalista SAHID MALUF: O sistema parlamentarista teve sua orígem na Inglaterra, onde evoluiu ao impulso da luta plurissecular, heróica, asperríma e ininterrupta, da liberdade contra a tirania, dos direitos dos homens contra o despotismo dos monarcas. Através deste sistema, o povo inglês encontrou o roteiro ideal democrático, e por ele pode conduzir o imenso Império da Grã-Bretanha aos píncaros da glória, de onde deveria irradiar, como um sol, sobre a noite de um mundo escravizado, a luz da liberdade. Em tempo: Nossas instituições são das mais avançadas do mundo. Evidentemente que não são perfeitas. Convenhamos entretanto, que nada muda se o material humano é de péssima qualidade. É só vemos o porcentual de políticos respondendo os mais diversos crimes na justiça. Acrescentem-se ainda o primarismo dos políticos, não sabem de nada, não entendem nada e quem tem “um olho é rei, é só ver Cunha”. O Congresso verdadeiramente está vulgarizado. Veja Tiririca fantasiado de palhaço pedindo votos na TV, um capitão da PM frequentando as sessões fardado. Um cabo bombeiro fazendo culto evangélico nos corredores e em seu gabinete. Congressistas fazendo apologia as drogas, principalmente maconha. Querem descriminalizá-la. Como conseqüência os traficantes rindo e as gargalhadas terão suas penas extintas. Só mesmo apelando para Hobbes (“homo homini lupus” – “bellum omnium contra omnes”).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *