Da galáxia de Gutemberg a 70 milhões de acessos pela internet

Pedro do Coutto

Impressionante o número de acessos aos principais meios de comunicação brasileiros através da  internet, registrados este ano. Passaram de 70  milhões no mês de setembro, revelando um interesse cada vez maior pela informação e pela opinião. Sem falar nas pesquisas efetuadas através da rede, setor no qual a internet é gigantesca e imbatível. Cada vez maior e insuperável. Mas vale acentuar que a busca incessante de dados é uma consequência no impulso crescente do processo informativo como um todo. Estamos pisando em astros distraídos.

O sistema de computadores veio acrescentar mais um fator decisivo à urbanização e uniformização da linguagem e da cultura desencadeada pela televisão principalmente. Mas falei em mais de 70 milhões de acessos, média mensal dos principais veículos jornalísticos no período fevereiro a setembro. Os números foram apresentados pela diretora da empresa de comunicação CDN, setor de Análises e Tendências, Marília Stábile, durante exposição feita na Coordenação de Comunicação Social de Furnas. Excelente a apresentação das estatísticas e da nova realidade que elas contêm. Uma nova visão do país (e do mundo) da Galáxia de Gutemberg, belo título de McLuhan sobre a importância da criação da imprensa, por volta de 1445, aos tempos modernos, para citar Chaplin nos dias de hoje.

O volume de acessos é liderado pelo grupo O Globo, incluindo o Portal G1, com 36,4 milhões. Seguido pelo grupo UOL Folha de São Paulo, com 32,7 milhões. Em seguida entre os jornais O Estado de São Paulo (2,9 milhões). Depois o Valor com 133 mil.

Entre as revistas, liderança firme da Veja com 1 milhão e 800 mil acessos. Em segundo a Época com cerca de 550 mil, de acordo com o gráfico da CDN, Comunicação Corporativa. E aqui um aspecto importante. As revistas são semanais, os jornais e as emissoras de rádio e TV, diários.  Os jornais acentuam uma realidade insuperável no universo comunicativo, que se renova e acrescenta todos os dias. As revistas, sob este prisma, não podem competir com os diários. A informação é um processo que se modifica de 24 em 24 horas, quanto à mídia impressa, e a cada momento no que se refere às emissoras de rádio e televisão. Na radiodifusão, o processo informativo renova-se a cada instante. A esse propósito, eu dizia outro dia a meu amigo Haroldo de Andrade Junior, que dirige mesa de debates na Rádio Tupi, que certos programas tendem a cair no tempo porque, sem ligar para a informação, tornam-se repetitivos. Os que se sucedem ficam cada vez mais parecidos com os que o antecederam. A renovação das matérias foi um dos maiores fatores do sucesso absoluto do grande Haroldo de Andrade, a maior figura do rádio brasileiro de todos os tempos.

Mas eu falei em navegação. Pois é. Há 550 anos, era o ciclo das caravelas, dos seus grandes comandantes enfrentando a força dos mares. Depois, século 20, aviões cortando velozmente os espaços aéreos, rompendo velhas barreiras e fixando novas fronteiras que surgem e se vão com o vento. Apareceram as naves interplanetárias, descendo na Lua, fotografando Marte, rumando por chãos de estrelas até Saturno. Agora, além de tudo isso, segue livre a navegação na bela e luminosa galáxia da Internet, rompendo fronteiras inimagináveis do pensamento e da percepção, estabelecendo uma nova relação com o presente na busca de aproximar o futuro. Estamos , disse no início, pisando em astros distraídos, como compôs Orestes Barbosa.

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