Da importância teatral de ser Ernesto ao desastre real de Pazuello e Bolsonaro

Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

O frase praticamente reproduz o título de uma obra-prima do teatro mundial, “A importância de ser prudente”, que também já foi traduzida como “A importância de ser honesto”, do irlandês Oscar Wilde, escrita no fim de 1894. Adapto como uma espécie de síntese dos pronunciamentos do ex-chanceler Ernesto Araújo e do ex-ministro Eduardo Pazuello à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia do Senado. Juntam-se, portanto, dois personagens polêmicos que convergem para mais um completo desastre no governo Jair Bolsonaro.

Reportagem de Patrícia Campo Mello, Folha de São Paulo desta quarta-feira, focaliza o depoimento produzido pelo ex-chanceler Ernesto Araújo à CPI da Pandemia, algo sem pé nem cabeça, situações trocadas propositalmente com o objetivo de escapar das contradições cometidas, como por exemplo o ataque à China em que Araújo.

DESMORALIZAÇÃO – Ele negou, apesar da evidência do fato. Foi incrível. Ernesto Araújo desmoralizou a si mesmo e também o governo do qual fez parte, pois afinal de contas, como um presidente da República pode admitir tantos absurdos sem tomar uma atitude diante de um panorama sinuoso que reúne fatos duvidosos e cujo combate deveria ser imediato?

Ernesto Araújo na terça-feira e Eduardo Pazuello na quarta deixaram o governo do qual fizeram parte em uma situação espantosa, sobretudo porque o presidente da República insistiu na remessa de cloroquina e depois de criticar a China, nao confirmou as suas restrições.

A confirmação pode ser facilmente acessada por todos, basta que recorrem à memória da internet e verifiquem que na frase em que Bolsonaro condenava a vacina chinesa, sem dar o nome do país, indicava claramente que se tratava da economia que mais se expandiu em 2020. Ficou transparente o seu posicionamento.

SEM PLANO – Não foi o primeiro e não deverá ser o último equívoco produzido por um governo que até hoje não assumiu a República e não foi capaz sequer de apresentar um plano de governo, uma ideia construtiva para tirar da miséria as pessoas para as quais destinou o abono de emergência.

Não é possível que o governo federal não acerte uma iniciativa. O presidente da República incumbe-se de atacar inimigos imaginários, parecendo não poder viver sem desencadear uma ação destrutiva e punitiva. Veremos como irá se desenrolar daqui para frente este episódio que marca o passar do tempo no plano alto do Planalto.

ELETROBRAS –  A repórter Anne Warth, o Estado de São Paulo, destaca que se encontra na Ordem do Dia da Câmara Federal, o projeto do governo que propõe a privatização da Eletrobras.

A matéria ressalta que jabutis foram colocados no textos, mas a meu ver, além dos jabutis existe uma tartaruga gigante. O plano do ministro Paulo Guedes de negociar a Eletrobras já estabeleceu há algum tempo o preço de R$ 16 bilhões. Ridículo. Esse foi o valor oferecido por um consórcio formado pela Claro, pela Tim e pela Vivo para assumir o ativo e o passivo da Oi Telecom.

Como pode a Eletrobras valer R$ 16 bilhões, se ela abrange Furnas, Chesf, Eletrosul, Eletronorte e a rede de transmissão que Furnas aciona distribuindo a energia proveniente de Itaipu. Se a Oi vale R $16 bilhões, quanto valerá a Eletrobras?

SUPERSALÁRIOS – Na Folha de São Paulo desta terça-feira, o engenheiro Hélio Beltrao refere-se à questão dos supersalários. O fato é o seguinte, existem trabalhadores regidos pela CLT, principalmente nas estatais Furnas, Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal que são aposentados e continuam trabalhando.

No funcionalismo público existem casos em que determinados técnicos se aposentam e são contratados para uma função de destaque em assessoramento. A mim parece claro que eles têm que receber pela nova investidura que se encontram, pois suas aposentadorias são decorrentes do resgate de um seguro social cujas apólices vencem aos 35 anos de contribuição sendo homens ou 30 anos de contribuição sendo mulheres. Não há nada demais.

TETO –   O que o engenheiro tem razão está nos casos de pessoas que nao foram aposentadas, recontratadas ou mudaram de situação, e que incorporam vantagens que extrapolam o teto de vencimentos do funcionalismo público do país.

São situações distintas. No governo Geisel, em 1975, foi aprovada uma lei originária de projeto do ministro Nascimento Silva, criando para os celetistas que aposentados continuassem trabalhando um fundo semelhante àquele que até hoje rege o FGTS. Chamava-se pecúlio, destruído pelo presidente Fernando Henrique Cardoso que tomou a iniciativa sem saber sequer o que estava fazendo.

A permanência de aposentados no mercado de trabalho é altamente rentável tanto para o INSS quanto para a seguridade social do governo. Nos dois casos, representam uma contribuição a mais. Por que isso? Simplesmente porque eles contribuem, no caso dos celetistas os seus empregadores também, sem que as contribuições nada acrescentem a um adicional sobre as suas aposentadorias. Portanto, só proporcionam maiores receitas públicas. Francamente nao sei se já levaram ao ministro Paulo Guedes esta informação. Caso não, deixo aqui para ele pensar.  

8 thoughts on “Da importância teatral de ser Ernesto ao desastre real de Pazuello e Bolsonaro

  1. Rezo toda noite dois padres nossos e dez ave-marias para que nossos militares sempre procurem a paz – uma guerra com qualquer dos nossos vizinhos seria perdida e teríamos que aprender espanhol.

    • Que nada, Rue des Sablons!

      Se entrarmos em guerra podemos contar com a portentosa logística de Pazuello (o bundão invertebrado que desmaia em plena CPI) e a altivez de Luiz Eduardo Ramos, a digníssima “Maria Fofoca”!

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

      • EM TEMPO:

        Repararam que os bolsonaristas que posam de Tigrões nas redes viram Thchutchuca quando são emparedados em CPI ou outras situações?

        Parece um padrão bolsonarista: quem não se lembra de Flavinho Chocolícia (Chocolateiro da Milícia….kkkkkkkkkkkkkkkk xD) desmaiando em pleno debate em 2016???

        “Aiiiiiiiiiiinnnnnnnn, me segura que eu vou cair!!!!”

        “Aiiiiiiiiiiinnnnnn, to sentindo uma baixa de presssão!!!!”

        https://www.youtube.com/watch?v=VlMj9t-C-jI

        “Flávio Bolsonaro passa mal e deixa debate à prefeitura do RJ”

        • Essa súcia imunda só é valente quando está diante dos quadrúpedes amestrados que, por interesse ou xucrice pura e simples, lhes lustram as bolas….

          “Ê, ô, ô, vida de gado
          Povo marcado, ê!
          Povo feliz!”

          kkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

  2. Normalmente faço comentários jocosos aqui neste espaço. Porém a questão das privatizações são sem dúvida uma questão de lesa pátria. Uma traição feita às claras. E tristemente ninguém faz nada. Nem nosso parlamento, nem nosso judiciário, nem os nossos militares “patriotas”. Tudo é vendido a troco de nada.

    • Concordo que nossas autoridades não fazem nada para consertar a bagunça reinante. Concordo também o Juju deveria ser levado a julgamento (corte marcial?) se conseguirem provar a sua intencionalidade nas mortes de centenas de milhares de brasileiros (a incompetência dele e de seus auxiliares estrelados é evidente mas falta provar a intencionalidade).

  3. O Grande Erro de @jairbolsonaro
    é o excesso de respeito.
    Por uma Constituição que já foi Destruída.
    Por um Estado de Direito que já não existe.
    Por uma Fantasia de Normalidade, para não contrariar a turba Nacional e Internacional que intenta destruir o País de todas as formas

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