Datafolha: candidatos ainda não emocionaram eleitorado

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha revela claramente que os candidatos às eleições presidenciais deste ano ainda não conseguiram passar emoção aos eleitores, pois em seus pronunciamentos e aparições não forneceram resposta às indagações que a sociedade brasileira guarda em torno de si, mas deseja sejam elas respondidas. A começar pela questão dos preços e dos salários, fundamental para a vida de todos.

Não passaram emoção. Tanto assim que no intervalo de trinta dias, de maio ao início de junho, a presidente Dilma recuou 3 pontos, caindo de 37 para 34%. Aécio Neves desceu de 20 para 19. Eduardo Campos, a maior queda percentual, retrocedeu de 11 para apenas 7%. Enquanto isso, o pastor Everaldo subiu do segundo para o terceiro andar. Registrou 3% das intenções de voto.

O número dos que, hoje, se dispõem a votar em branco ou anular o voto, no mesmo período, cresceu de 12 para 14%. Os que ainda não sabem o que vão fazer aumentou de 7 para 11 pontos. Afastando-se do cálculo estas duas frações, encontramos um total de 25%. Assim, em matéria de votos válidos, a maioria absoluta dependeria de 37,5% mais um. Dilma Rousseff registrando 34 permanece liderando, mas agora sem essa maioria absoluta. Pelo levantamento, dessa forma, haveria um segundo turno entre ela e Aécio Neves. E feita a simulação, a atual presidente seria reeleita pela margem de 46 a 38%.

BARBOSA VAI INFLUIR

Mas o Datafolha, como assinalei há pouco, revelou principalmente a ausência de entusiasmo na campanha que se desenvolve ainda a passos lentos. É isso mesmo. Tanto assim que a parcela de 36% do eleitorado votará em quem for indicado pelo ex-presidente Lula. E – uma surpresa – 26% votaria em quem fosse indicado pelo ministro Joaquim Barbosa. São, no conjunto, portanto, 62%, quase dois terços, que, não tendo firmado opinião própria, seguiriam os rumos traçados pelas personalidades que interpretam como maias importantes e influentes.

A posição alcançada por Joaquim Barbosa é surpreendente, próxima à de Lula. Mas Luís Inácio foi eleito em 2002, reeleito em 2006, e ainda conseguiu fazer sua sucessora nas urnas de 2010. Uma figura nacional politicamente consolidada. Vejam os leitores, pela comparação, o destaque que Joaquim Barbosa alcançou por sua atuação no Supremo a partir do episódio do mensalão, processo penal 470, instituído em 2005. Ele foi o relator do caso e, pelo critério de rodízio, assumiu a presidência do STF. Agora aposenta-se prematuramente. Os números confirmam o prestígio que atingiu. Sem dúvida.

Um outro ponto da pesquisa que merece destaque: 74% almejam por uma mudança. Embora indefinida qual seja, exatamente, reflete a atmosfera de insatisfação que está predominando no país, não neste ou naquele setor, mas em todas as escalas. A insatisfação, penso eu, decorre da falta de resposta dos governos aos sentimentos que a população espera. Pelo menos um sinal concreto de esperança. Pois, no fundo, política é esperança, como definiu o presidente JK.

10 thoughts on “Datafolha: candidatos ainda não emocionaram eleitorado

  1. Depois da Copa, O LEÃO E AS RAPOSAS, frente-a-frente, a pedido de 74% dos brasileiros conscientes que querem Mudanças de Verdade: sérias, estruturais e profundas, na Política e no Estado brasileiros. “QUE SE VAYAN TODOS ! “ , COMO PROPÕE A MEGA-SOLUÇÃO (RPL-PNBC-ME), parece ser o sentimento consolidado que, há anos, já domina o imaginário social nacional. Nesse sentido, “Caem todos” (situação, oposição e gollpismo-ditatorial). Cai o rei de espadas, cai o rei de paus, cai o rei de copas, cai o rei de ouros, cai a Dama, caem os valetes, caem, caem e caem…, exceto a Mega-Solução (RPL-PNBC-ME), que, à evidência, sobe com a indignação popular crescente, que a quer e a busca, desesperadamente (embora cerceada e proibida pelos velhos partidarismo-elleitoral e golllpismo-ditatorial, velhacos, que a temem assim como o capeta teme a cruz), à medida em que ” … nenhum postulante à Presidência tem conseguido, pelo histórico pessoal, ou intervenção no debate público, refletir as tensões, as esperanças, as demandas políticas da sociedade…”. Citações entre aspas extraídas do Editorial , “Espelho eleitoral”, de ontem, 07/06/2014, da FSP. “

  2. A visão do eleitor comum é mais imediatista, para no máximo dois anos de atendimento das suas demandas. Continuamos o processo predatório de recursos ambientais, de almas e de sonhos. Mas a esperança otimista e crítica é pelo melhor dentre o palpável.

    O fato é que a economia se sobrepôs à política, as finanças se sobrepuseram à economia e as agências de risco extraem vantagens nessas finanças.

    O caráter emotivo, cordial, pouco racional e de escassez cultural é um retrato externo e pejorativo de nossa gente. O modernismo iniciou a inversão dessa polaridade, mas sem bases de pensamento civilizatório fica difícil julgar nesse jogo que ainda não está totalmente perdido.

    Até duas semanas atrás, não vai ter copa, a grana está curta, não vou comprar. Junho chegou e o comércio se aqueceu, não com as festas juninas da cultura interiorana, mas com a venda de artigos relacionados ao auriverde pendão da torcida brasileira, do time de futebol que fugaz e superficialmente nos une. Bandeiras nas ruas, mas nenhum sentido, falta esperança.

    Sentimo-nos desorientados, sem rumo, sem capacidade de discernimento, em crise. Não é sem razão que a depressão é o traço comum atual entre as nações. Parece que há uma pena, um regime fechado, não disciplinar e não diferenciado, mas desumano.

    Direita e esquerda se misturam e mistificam e pouco produzem cotidianamente além do roubo. Uma esquerda, aliás, marcada pela decepção, diante da não adaptação por intermédio de uma vanguarda capaz de reconhecer a exploração em todas as suas formas contemporâneas, seja no trabalho escravo e bestial, seja na opressão intelectual da complexa luta de classes, ainda mais concentradora, louca, falida, esbanjadora, da atualidade.

    Os 85 mais ricos da F(ofoc)orbes detêm mais riquezas do que os três bilhões e meio de miseráveis. O consumo, apesar de estimulado, encontra-se ainda mais esgotado lá fora e a crise do marketing, enfim, atinge a propaganda política.

    Produtos viciados, assim são os fabricados por nosso sistema político multipartidário, desprovido de sentido, de profundidade, de lealdade, de honra, de senso de dever e de amor patriótico pelo seu povo.

    Nem com toda propaganda eu pagaria tão caro por esses produtos políticos falsificados.

    Ninguém mais aceita consumir esses políticos defeituosos.

  3. Estou surpreso! Os pessimistas e derrotistas não vivem propagando o desencanto geral com a politica e os políticos? Como eles explicam tão “grande” prestigio do Joaquim Barbosa? Fala sério gente! Não negavam sistematicamente o caráter politico do julgamento da AP 470? Não dá pra colar uma mentira por todo tempo não é? Será por isto que na pesquisa DATA FOLHA os candidatos do PSDB e PSB juntos estão perdendo até para os eleitores indecisos, que votam em branco e ou nulo? Viva a DEMOCRACIA! Pra frente BRASIL!

  4. Interessante, essas des-pesquisinhas da folha do serra , datapsdb8sta.
    Por que o candidato da Casa Grande e das Mídias Corleonicas não sobe e não ultrapassa a dona dil-má boluda.??????
    Qual será a mágica.?
    N}âo é ele que vai “transformar” o Brasil em uma nova SUIÇA, SUÈCIA, DINAMARCA,.???
    eh!eh!eh

  5. Comentário contundente e incisivo de Percinotto a respeito da descrença na política e dos parlamentares.
    Em consequência, a falta de esperança que nossos problemas sejam resolvidos tanto pelo Legislativo quanto Executivo, alheios aos clamores do povo e carências do País em áreas vitais ao seu desenvolvimento.
    Texto vigoroso, que esclarece não haver mais esquerda e direita, unidas na dilapidação do erário público e elaboração de meios para locupletarem-se rapidamente, aproveitando-se do poder à concretização de seus interesses e conveniências, não importando os métodos empregados.
    Se as candidaturas não empolgam os eleitores, os motivos pelos quais o brasileiro não se manifesta como em eleições anteriores devem ser atribuídos à desonestidade, corrupção, incompetência e ineficácia daqueles que elege e, se no passado, a esquerda possibilitou algum ânimo que modificaria esta maneira de se praticar política no Brasil, ela foi absorvida pelo sistema empregado a beneficiar os que sucumbem às facilidades para comportamentos deletérios e impunidades que o poder os contempla.
    Ótimo iniciar um domingo chuvoso, frio, com neblina, adequado para se ficar em casa, lendo registros desta natureza, gabarito, e adequado ao momento atual.

    • Muito obrigado, estimado amigo Francisco Bendl. Considero-o como se fosse um membro da minha família. Afinal, há amigos do peito mais próximos do que irmãos.

      É uma honra trocar ideias com você. Também leio e admiro os seus preciosos textos, bem como o do demais amigos e colaboradores da Tribuna.

      Passei o dia desconectado, em Nova Iguaçu, Nilópolis e em outros municípios da baixada fluminense. Depois estive em Bangu e em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, agora à noite. O trânsito está estrangulado, com efeitos até nos finais de semana, em algumas dessas áreas, principalmente no bairro de Campo Grande, com a instalação atabalhoada dos BRTs que tomaram metade das principais pistas de escoamento, com um volume de carros que não para de progredir geometricamente.

      O atual prefeito do Rio de Janeiro certamente não circula por essas áreas de ciclovias de blocos levitantes com as constantes enchentes. O assunto agora são as alianças para enriquecer.

      Não há como realizar um levante sem intrepidez intelectual e coragem física.

      Precisamos cerca-los. Todos temem ser guilhotinados ou pelo menos expostos por sua dolosa incompetência e condenados por seus crimes.

      • Caro Percinotto,
        A honra é minha!
        Certamente a grande obra deste blog incomparável não é oferecer um espaço para que as pessoas publiquem suas opiniões a respeito dos temas postados, não.
        A meu ver, o mais importante é a construção de amizades que são feitas conforme as idéias e pensamentos apresentados, e que identificam os frequentadores a se unirem com este ou aquele comentarista e formarem um grupo coeso.
        E, posso afirmar com convicção, que temos uma turma neste espaço democrático cujo objetivo tem sido lutar por um Brasil melhor, que se preocupa com o povo, que não pertence a nenhum partido ou, se já filiado, hoje está descomprometido.
        Então, a isenção, a imparcialidade, têm sido as nossas características, razão pela qual a cada dia aumentam os simpatizantes a esta causa, para esta bandeira que desfraldamos.
        Um abraço, Percinotto, e tu és um dos meus irmãos afetivos que tenho na Tribuna da Internet.

  6. Pedro Couto, tudo o escreves é digno de reflexão. Mas, devias infletir para o tema que está deixando os analistas, cientistas, políticos e outros tantos “baratinados”; ninguém sabe verdadeiramente a razão de tanta balburdia. Para complicar vem a presidente Dilma propondo acoplar aos nossos representantes atuais, movimentos sociais, que teria papel idêntico na condução do pais. A coisa é tão complicada que eu me limito a dizer que os movimento que estão aí aterrorizando o povo, nada mais são que “uma manada de cavalos selvagens” que ninguém sabe para onde vão e o que querem. Só para não esquecer: O PT deflagrou a campanha para eleição de presidente lançando Dilma há dois anos. Dilma por sua vez, “inundou” a mídia de expressões: Padrão Fifa, Minha Casa minha Vida, Pré Sal para resolver todos os nossos problemas. (Sabemos que o pré-sal só estará produzindo o que se espera em 2020/25). Toda hora nas TVs: Vamos fazer 3 milhões 2 milhões, 450 mil, 300 mil casasa. Isso criou uma espectativa exagerada no povo. Os que precisam e os eternos malandros e aproveitadores que instigados subrepticiamente por partidos políticos, um deles o PSOL aqui no Rio RJ, falando em “primavera carioca” fazendo analogia com os acontecimentos do norte da Àfrica” incitando a juventude. Deu no que deu, muita baderna, culminando com a morte de um cinegrafista, cujos responsáveis disseram ter recebido dinheiro do PSOL. Acho que como profissional de grande gabarito e vivênvia podias, dar uma pala sobre esses acontecimentos.

  7. Gostaria que você comentasse o seguinte fato: no dia 6 foi divulgada a pesquisa do Datafolha em que Dilma despencou de 37% para 34, essa pesquisa foi divulgada ainda na madrugada do dia 6(antes do amanhecer). Vejam só, nos dias 30/05 e 01/06 estava em campo uma pesquisa do Vox Populi, PRESTE ATENÇÃO NESTE FATO, ENCOMENDADO PELA EDITORA CONFIANÇA, QUE É A DETENTORA DA REVISTA(PETISTA) CARTA CAPITAL, geralmente as pesquisas são divulgadas no mesmo dia ou no máximo 2 dias após o término da coleta de dados, mas vejam só, eles registraram a pesquisa apenas no dia 6(mesmo dia em que a pesquisa em que Dilma caiu), E COM A DIVULGAÇÃO PREVISTA APENAS PARA 11/06, olha que jogada, logo depois da divulgação da nova pesquisa IBOPE, prevista para 10/06. Ou seja, uma pesquisa do Vox Populi, para a revista Carta Capital, que foi feita nos dias 30/05 e 01/06, registrada apenas quando já se sabia do resultado do Datafolha e que a pesquisa do Ibope sairia no dia 10, GUARDADINHA PARA SER DIVULGADA APENAS DIA 11. OU SEJA, COM CERTEZA ESSA PESQUISA INDICA QUE SE MANTINHA O QUADRO ANTERIOR QUE ERA A ESTAGNAÇÃO DA QUEDA DA DILMA, NADA MELHOR PARA SE DIVULGAR ANTES DO COMEÇO DA COPA. OS CARAS SÃO MUITO MAQUIAVÉLICOS, ISSO NÃO ACONTECEU COM NENHUMA OUTRA PESQUISA, DEMORAR 10 DIAS PARA DIVULGAR.

    p.S: aqui está o registro da pesquisa Vox Populi http://pesqele.tse.jus.br/pesqele/publico/pesquisa/Pesquisa/visualizacaoPublica.action?id=22271
    Aqui a do Ibope para o dia 10 http://pesqele.tse.jus.br/pesqele/publico/pesquisa/Pesquisa/visualizacaoPublica.action?id=22245

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