Datafolha confirma Ibope: Dilma vai vencer

Pedro do Coutto

A nova pesquisa do Datafolha publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo confirma quase integralmente os resultados encontrados dois dias antes pelo Ibope quanto às intenções de voto para o desfecho do dia 31. Dilma Rousseff subiu, Serra desceu, ela aumentou para si a captação de votos que no primeiro turno foram de Marina Silva. Os indecisos são agora apenas 6%, os que vão anular ocupam a faixa de 4% do eleitorado. São tendências dominantes, pessoalmente não acredito em mudança nem mesmo em função dos reflexos que possam ter na opinião pública os debates de domingo, na Record, e na terça, 26, na Rede Globo, este com muito mais audiência.

O quadro está cristalizado, Rousseff vence tanto entre homens quanto entre mulheres, além de predominar em três dos quatro  grupos socioeconômicos nos quais se baseou o levantamento. No caso do Datafolha. Mas o Ibope seguiu o mesmo critério. Aliás o do Ibope – divisão dos eleitores por classes – é mais antigo que o sistema incorporado pelo Datafolha.

Junto aos que recebem até 2,5 salários por mês, Dilma alcança 55 contra 34 pontos. Este segmento engloba 40% dos votantes. Entre os que recebem de 2,5 a 5,5 pisos, a vantagem da candidata de Lula cai: 46 a 43%. Surpreendentemente, para mim, sobe na faixa de 5,5 a 10,5 sm. Neste grupo ela tem 48, Serra 43 pontos.

Dilma Roussef, na véspera da vitória, só perde no segmento ocupado pelos que ganham mais de 10 pisos mensais, cinco mil e cem reais. Serra vence por 54 a 38. Esta fração, porém representa somente 10%, no máximo, da população brasileira. O quadro está configurado.

Sobretudo porque – acentua o Datafolha – 88% dos entrevistados sustentam que não vão mudar seus votos. Dois por cento não sabem. Dez admitem mudança, mas temos que levar em consideração que a parcela de 4% vai anular o voto ou votar em branco. No que se refere aos votos inválidos, se as urnas fossem hoje, Dilma Rousseff venceria por 56 a 44. Uma diferença, como se constata, muito acentuada.

Faltam poucos dias para o encerramento da campanha nas ruas, na TV, no Rádio. O setor mais importante, claro, é o da televisão. Sem dúvida. Até porque, revela o Datafolha, 61% assistem ao horário eleitoral. Em termos de eleitores do país é praticamente 100%, pois temos que levar em conta a população infantil do país. O panorama está transparente e nítido em matéria de voto.

A  reportagem a respeito dos resultados, feita por Vinicius Torres, está ótima. Acrescenta-se ao contexto, já que o tema é o mesmo, o voto, o texto publicado na mesma edição da FSP que tem como autor Fernando Rodrigues. Ele focalizou um aspecto social importante, não se perdendo em mapeamentos e cartografias eleitorais. Sustentou que os pobres tornaram-se fator fundamental no rumo das urnas. Tem razão. Porém não apenas neste pleito, mas em todas as eleições. Num sentido ou no outro. Num sentido  ou no outro simplesmente porque os pobres formam a grande maioria do eleitorado.

Não só do Brasil. Foram os pobres, e não a classe média, que levaram Vargas à vitória em 1950. Foram os pobres que asseguraram o êxito de JK em 55. Em 60, dividiram-se entre Jânio e Lott. Resultado:Quadros venceu. Nos Estados Unidos, conduziram Roosevelt a quatro vitórias sucessivas: 32, 36, 40 e 44, este o último mandato  de sua vida, morreu em abril de 45. A Constituição dos EUA foi mudada. Hoje, só pode haver uma reeleição. Os pobres dividiram-se em 89, 94 e 98. Mas unidos em 2002 e 2006 levaram Lula à posição que ocupa hoje. Alguns querem mudar o vooto da pobreza? Distribuam melhor a renda, acabem com a injustiça social.

NO ANO PASSADO, HOUVE MAIS DE
17 MILHÕES DE DEMISSÕES NO PAÍS

No ano passado, 2009, foram efetuadas nada menos que 17 milhões e 371 mil demissões no país, que causaram saques na conta global do FGTS no valor de 30,9 bilhões de reais. Três milhões e 611 mil trabalhadores e servidores públicos regidos pela CLT completaram o tempo de serviços e se aposentaram, sacando assim seus saldos. Essas duas rubricas conduzem a um montante de 37,5 bilhões aproximadamente.  Apesar dessa movimentação, o Fundo de Garantia operou com um resultado positivo da ordem de 6,9 bilhões. A arrecadação alcançou 54,7 bilhões de reais. Esses dados estão contidos no balanço do FGTS, assinado pela presidente da Caixa Econômica, Maria Fernanda Ramos Coelho, e publicado no Diário Oficial de 2 de agosto, da página 24 à página 36.

O total de demissões sem justa causa é um indicador  social muito importante, pois ele vem assinalar sobretudo o elevado grau de mobilidade social da mão de obra brasileira, formada por praticamente 100 milhões de pessoas, quase a metade da população. Por isso, quando o governo, através do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anuncia as admissões, temos que compará-las às demissões. Estas, pelo relatório da CEF, nós sabemos  que foram 17, 3 milhões. Quantas são as admissões? São anunciadas em bloco, mensalmente, como se fossem totalmente adicionais ao mercado de trabalho e não – como ocorre – parcialmente substitutivas. Ou seja: as deslocações de um emprego para outro são maiores que a criação de posto novos. Vale a pena ser feita uma pesquisa séria nesse sentido. Deixo a idéia para o IBGE.

Mas o conforto entre entradas e saídas não é ainda totalmente satisfatório para se medir a existência de algum grau de progresso social. É  preciso comparar-se a média salarial dos que foram dispensados com a média salarial dos que reingressaram ou então iniciaram suas jornadas. Claro. Porque se a oferta de mão de obra for maior do que a demanda, o valor do trabalho humano vai baixar. Lei da oferta (abundante) e da procura (escassa). Como se constata, este tema possui várias faces como um cubo. Isso de um lado. De outro, temos que incluir como ponto de análise a questão demográfica. O Brasil tem quase 200 milhões de habitantes. A taxa de nascimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é de 1,9  por cento ao ano para um índice de mortalidade de 0,6 por cento. Desta forma, a cada doze meses incorporam-se à população 2 milhões de homens e mulheres.

Como a força nacional de trabalho representa metade do número de habitantes, conclui-se facilmente que o governo tem que agir para que o mercado de empregos absorva, por anos, pelo menos, 1 milhão de jovens. Isso para empatar. Mas o empate, como em certas decisões do futebol, neste caso nos desclassifica. Temos que empregar mais de 1 milhão para descontarmos o déficit social que nos envolve. Se empregarmos menos de 1 milhão estaremos sendo derrotados. Todos nós. O país permanecerá subdesenvolvido. É preciso romper esta barreira.

Não só  a da equação entre emprego e população. Mas outra, esta relativa à correção dos saldos das contas individuais do FGTS. Estão sendo  realinhadas à base de 0,24 por cento ao mês. Ou 3 por cento ao ano. Mas a inflação anual do IBGE atinge velocidade de 5 por cento. A diferença de 2 por cento fica com a Caixa Econômica Federal. Como o volume do FGTS – o relatório também revela – é de 235 bilhões de reais, o resultado da descapitalização dos empregados e da conseqüente capitalização da CEF fica em torno de 11,7 bilhões. Menos dinheiro em nosso bolso. Vai para a Caixa você também, como diz o jingle da publicidade.

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