Datafolha: sucesso na organização, desastre no gramado

Pedro do Coutto

Oportuna pesquisa realizada pelo Datafolha, cujo resultado foi publicado ontem em manchete principal da Folha de São Paulo, apontou o pleno êxito  alcançado pelo Brasil em matéria de organização da Copa do Mundo, aprovada por nada menos que 83% dos estrangeiros que aqui estiveram acompanhando os jogos. Foi ótima a iniciativa de pesquisar a opinião dos que vieram como turistas e, nessa condição exigentes em matéria até de detalhes.

Nosso país revelou-se capaz de realizar de forma eficiente e prática  o evento que reúne em torno de si número enorme de pessoas, de várias origens e níveis de renda e cultura. A maciça aprovação obtida foi inquestionável e nos colocou no mapa das principais nações no que se refere à capacidade de organizar eventos de forma a satisfazer a quase todos. O índice alcançado pelo Brasil, creio, tornou-se um recorde mundial de aceitação. Um milagre, uma surpresa.

Mas se isso se verificou no plano administrativo, com os aviões chegando e decolando no horário, e uma hospitalidade, o inverso ocorria nos gramados. Se o Datafolha efetuar uma pesquisa para medir a reação popular ao desempenho do nosso futebol, tenho a certeza que a taxa de reprovação passará fácil da escala de 90%. O futebol praticado em campo tornou-se largamente decepcionante e medir o grau de decepção pode se tornar o ponto de partida para uma reformulação profunda nos métodos de ação, incluindo a adoção de novo sistema operacional que leve em conta a essência do esporte que parte da base repousando no conjunto.

MOVIMENTAÇÃO
Como foi acentuado pelo desempenho da Alemanha, equipes movimentando-se sem cessar, sempre com a presença mínima de quatro jogadores cada seleção onde se encontrava a bola. Havia assim sempre espaço ocupado envolvendo as disputas que se multiplicavam gramado a dentro. Era difícil jogar, sobretudo encontrar o caminho do gol, objetivo final e supremo do futebol. Tanto assim que por apenas um gol se vence, portanto por um gol também se perde. Exatamente o que aconteceu com Alemanha um a zero na segunda parte da prorrogação. Os dois times estavam atleticamente preparados para o exaustivo confronto: em vez de 90, 120 minutos disputados palmo a palmo.
O Datafolha prestará um serviço importante ao esporte brasileiro de modo geral e à CBF em particular, se divulgar o grau de rejeição quanto ao nosso desempenho, colocando em exposição as principais deficiências e contradições verificadas pela opinião pública. Em primeiro lugar, acredito o processo de endeusamento do técnico Felipão e do analista Carlos Alberto Parreira, que, à primeira vista, colocaram-se acima, não só da linha da bola, mas da linha em que deveria situar-se a própria Seleção Brasileira.
Ocorreu exatamente o contrário: nunca um selecionado sofreu derrota igual: cinco a zero só no primeiro tempo, sete a um no final, quatro gols seguidos no espaço de apenas 6 minutos. Não fomos capazes de organizar ações defensivas dentro de campo e não numa partida só. Depois de sete a um, repetimos o modo desastroso de atuar e não vimos também a cor da bola contra a Holanda: três a zero perdemos com praticamente a mesma facilidade. Nosso adversário era outro. Mas nós éramos o mesmo time apático, sem vibração. Precisamos mudar de estilo e sistema. Senão não nos libertaremos do passado recente. Temos que ressurgir das cinzas. A partir de que ponto?

8 thoughts on “Datafolha: sucesso na organização, desastre no gramado

  1. “A partir de que ponto? ” Futebol é fute, como dizia o velho Sargento. Ora essa, a partir do ponto de partida. Na verdade o time do Brasil era tão ruim assim para apanhar daquele jeito, da Alemanha e da Holanda. O problema é que nós somos nós e nossas circunstãncias, e no caso do selecionado as circunstâncias foram mais fortes, parecia até que os meninos estavam emacumbados, além de três ou quadro atletas que realmente não tinham condições de sequerem serem escalados. Mas foram os três ou quatro que faltaram e que poderiam ter feito a diferença. A vida é assim mesmo: escolhas e consequências. Até “Mike Tisson”, no auge da carreira beijou a lona, e bastou uma simples bobeira.

  2. Depois da Copa, será que vai continuar essa maravilha que presenciamos
    durante esse evento? Será que o governo vai fazer o mesmo pela saúde,
    educação, segurança e melhorar a situação dos aposentados que pagaram
    para ter um velhice mais digna?

  3. Fred foi sacrificado pelo “esquema” do Felipão, no Fluminense é um grande atacante, matador, jogador experiente na área, se vacilar é gol. O Jô outro grande atacante que não conseguiu desempenho igual ao que tem no Galo Mineiro. No esquema da seleção não havia jogadas para os atacantes. Na verdade a seleção do Felipão valeu-se das habilidades do craque Neymar na esperança que ele resolvesse as partidas com a sua genialidade. O Neymar poderia ter tido um valor tático importante , como é um craque, a marcação nele é dura, a atenção dedicada a ele pelo adversário poderia dar oportunidade para outro jogador penetrar na defesa. O individualismo de Neymar atrasa jogadas , eu vi, várias jogadas desperdiçadas porque o Neymar não passava a bola rapidamente. Ao prender a bola se expôs a levar pancadas do adversário, e levou, quase saiu aleijado. Na minha modesta opinião a comissão técnica brasileira estava despreparada para um evento futebolístico da envergadura da copa do mundo de futebol. A comissão técnica se acomodou na qualidade técnica dos nossos jogadores. Qual técnico não queria ter um Hulk, Davi Luiz, Oscar, Fred, Tiago Silva. Os jogadores brasileiros são excelentes jogadores em seus clubes, por isso foram convocados. A comissão técnica nem aproveitar que maioria dos jogadores jogam na Europa soube. Os jogadores conhecem as táticas do moderno futebol, eles praticam em seus clubes Europeus. A comissão técnica brasileira foi lamentável pela a acomodação, falta de inteligência, desperdício do momento lindo que vivemos, e arrogância em depreciar a inteligência do torcedor.

    • O Fred estava tão bom que era o centroavante do Fluminenses time que só não foi rebaixado devido ao vergonhoso tapetão que “estuprou” a Portuguesa. Aliás, se eu fosse algum diretor desse clube, propunha simplesmente o fechamento do depto. de futebol. Não participaria mais de farsas, não faria mais papel de otário.
      Aliás papel de otário é que vem sendo feito pelo povo brasileiro. Há um grito de indignação preso na nossa garganta que só vai aplacar um pouco com o resgate de nossa dignidade que será uma cachapante derrota do PT nas próximas eleições, principalmente a presidencial.
      Dessa vez não temos que culpar ” Barbosas” ou “Flávios Costas” mas o ex-presidente MULA que patrocinou essa trágica e inoportuna Copa e o seu poste a PRESIDANTA DILMANDONA, dona de uma ignorancia e arrogancia a toda prova.MALDITOS SEJAM PARA TODO O SEMPRE.
      DESCANSEM EM PAZ BARBOSA E FLÁVIO COSTA tão injustamente massacrados por causa de uma honrosa derrota de apenas 2×1.

  4. Muitas situações que vieram ocorrendo com o povo brasileiro, dentre eles aeroportos cheios, transportes publicos cheios, distância de pontos para estádios, alagamentos devido chuvas eram criticados pela população e pela mídia. Durante a copa esses eventos aconteceram e não houve se quer uma reclamação da população ou foi escondida pela mídia. Quero ver de agora em diante qual será a reação da população quando tiver que andar 1km para chegar aos estádios, transportes publicos lotados, engarrafamentos, etc. Parece-me que durante a copa tudo é esquecido, então que aja copa do mundo o ano todo.

  5. Da Copa do Mundo, em todos os seus múltiplos aspectos organizacionais, me pareceu que o mais surpreendente, por funcionar tão à contento, foi exatamente o que ameaçava ser o mais desastroso: os aeroportos e os milhares de estrangeiros que viriam para o evento.
    Verdade seja dita, justiça seja feita, está de parabéns o ministro da Aviação, senhor Moreira Franco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *