Datafolha traduz sucesso popular da era Lula-Dilma

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, comentada por Fernando Rodrigues, publicada pela Folha de São Paulo de domingo, traduz, em números, de forma irrefutável, o sucesso popular da era Lula-Dilma Roussef, iniciada em 2003 e mantida hoje nos três primeiros meses da atual presidente da República.

Ótima a pesquisa, excelente o comentário de Fernando Rodrigues. São feitas comparações com base nos períodos iniciais dos governos Fernando Henrique, Luis Inácio e Dilma Roussef. Os reflexos junto à opinião pública são absolutamente nítidos. Além de nítidos em si, iluminados pela análise a que dão margem. Vejam só.

No seu período inicial, FHC atingiu aprovação de 39 contra rejeição de 16%. Quarenta por cento eram neutros. Lula, na primeira fase, atingiu a escala de 43 a 10, com a neutralidade de 40%. A reeleição foi instituída em 97 pela emenda constitucional 16. No primeiro período de seu segundo mandato, a aprovação de FHC recuou para 21 pontos. Perdeu quase a metade do apoio popular. A desaprovação disparou para 36. Permaneceram neutros 39%. Assim, pela primeira vez, a rejeição superou a aceitação. A popularidade do presidente da República desceu para o plano negativo.

Relativamente a Lula o fenômeno foi exatamente oposto. No início da segunda fase, sua aprovação decolou para 48 pontos, avançando sete degraus, como se constata. Enquanto FHC desceu 18 do primeiro para o segundo tempo, Lula cresceu ainda mais 7. Dilma Roussef, com base em seu desempenho no trimestre inicial alcança aprovação de 47 contra uma desaprovação somente de 7%. Neutros 34 por cento.

Leitores poderão perguntar onde se encontram, em todos os casos, as frações necessárias para chegar a 100. Respondo: abrangem aqueles que não souberam ou quiseram responder.
Em matéria de aprovação de governos, não adianta debater temas ou colocá-los com maior profundidade porque, neste caso, as manifestações vão se apresentar distorcidas. Tais levantamentos são epidérmicos para que os dados obtidos reflitam a sensibilidade popular.

A política, como certa vez disse De Gaulle respondendo a Sartre, é algo extremamente complexo. Porém as suas colocações, todas elas, têm que ser claras. Caso contrário, pode se estar fazendo filosofia, mas não política. Vamos aos números do datafolha, que fornecem visão bem concreta dos panoramas.

Quando Lula assumiu em janeiro de 2003, o desemprego era a maior preocupação brasileira: 31% o apontavam como o maior desafio. Oito anos depois, já na era Dilma, o desemprego é a preocupação central de apenas 11% da população. Constatação: a fila estava emperrada com FHC, começou a se movimentar com Lula. Resultado: o problema tornou-se menor para Roussef.

Pena que o Datafolha – eis aqui uma lacuna na pesquisa – não tenha realizado o mesmo cotejo em relação à política salarial. A conclusão certamente seria a mesma. Mas esta ângulo está indiretamente contido no problema da fome: quando Lula assumiu, era o temor de uma faixa de 22%. Olha que 22% são 45 milhões de pessoas. Hoje, é o medo dominante para apenas 7%. Estão aí, portanto, em números cristalinos, as razões do avanço da era atual refletido na sociedade brasileira.

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