DataPoder360: Bolsonaro é líder e ‘não voto’ tem 42%

Fernando Rodrigues
Poder360

A três meses da eleição presidencial de 7 de outubro, pesquisa DataPoder360 revela grande indecisão por parte dos eleitores, Jair Bolsonaro (PSL) na liderança isolada em cenários sem Lula e 5 candidatos embolados em 2º lugar, com leve vantagem para Ciro Gomes (PDT). O maior percentual da pesquisa é a taxa de “não voto”, de 40% a 42%, a depender do cenário testado, dizem que votarão em branco ou nulo ou que estão indecisos ou não respondem.

Essa tem sido uma tendência em disputas eleitorais recentes. No Tocantins, em junho de 2018, a taxa de “não voto” foi de 52% numa eleição suplementar para governador. No Amazonas, que também escolheu 1 governador tampão em 2017, o “não voto” ficou perto de 40%.

PELO TELEFONE – O DataPoder360, divisão de pesquisas do portal Poder360, realizou 5.500 entrevistas por meio de telefones fixos e celulares de 25 a 29 de junho. Foram atingidas 229 cidades em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro do estudo no TSE é BR-05297/2018.

Foram testados 2 cenários, ambos já usados no levantamento de maio. Por essa razão é possível comparar as duas pesquisas. No 1º cenário foram incluídos apenas os 6 candidatos mais competitivos, os que têm 5% ou mais de intenção de voto nos últimos meses.

Já no 2º cenário o DataPoder360 testou os nomes de 15 pré-candidatos a presidente. Não foi incluído desta vez o nome do tucano João Doria como opção de candidato a presidente pelo PSDB. O ex-prefeito de São Paulo foi testado em maio. Pontuou 6% no DataPoder360, uma taxa semelhante à obtida por Geraldo Alckmin, o que dificulta a troca de nomes pelo PSDB a esta altura do processo. Doria deve permanecer como candidato ao governo de São Paulo.

LULA COM 35% – O potencial de voto de Luiz Inácio Lula da Silva foi pesquisado (é de até 35%) e também a opinião dos lulistas sobre quem o petista deve apoiar se não for candidato (Fernando Haddad se aproxima de Ciro Gomes). Há também a taxa de rejeição ao governo Michel Temer (76%).

A rodada de 25 a 29 de junho do DataPoder360 foi realizada em meio à Copa do Mundo de futebol na Rússia. O evento esportivo galvaniza a atenção dos brasileiros. É natural que poucas mudanças ocorressem agora na corrida presidencial.

JAIR BOLSONARO (PSL) – o representante da direita registrou uma variação negativa nos cenários testados, mas sempre no limite da margem de erro (2 pontos percentuais, para mais ou para menos). Tinha 21% e 25%. Agora, tem de 18% a 21%.É necessário levar em conta que a última pesquisa foi no final de maio, no auge da paralisação de caminhoneiros que afetou todo o Brasil. Havia uma propensão entre os eleitores para manifestar aversão a políticos em geral –sentimento do qual se beneficia Bolsonaro, apesar de ele próprio estar na vida pública há décadas. Agora, a oscilação negativa que teve pode indicar 1 refluxo, ainda que marginal, em seu eleitorado. Só as próximas pesquisas trarão uma resposta mais definitiva.Neste momento, parece certo que o capitão do Exército na reserva tem cerca de 20% das intenções de voto.

Quando vai ao 2º turno, sobe para o patamar de 36%. A seu favor, Bolsonaro tem o fato de ter eleitores muito convictos: 79% dizem que votam nele com certeza e não mudam mais de opinião. A maior dificuldade do nome do PSL continua sendo o voto feminino. Bolsonaro chega a 26% entre homens e tem apenas 11% entre mulheres.

CIRO GOMES (PDT) – continua sendo o 2º colocado mais bem posicionado, mas sua distância para os demais é muito pequena, pouco acima da margem de erro. Ciro luta para herdar os votos de esquerda que naturalmente têm ido para o PT nas últimas décadas. Precisa também ampliar suas alianças partidárias. Todas as pesquisas recentes indicam que 1 eventual “candidato do Lula” poderá rapidamente ganhar tração durante a campanha.

O eleitor de esquerda pode preferir votar em 1 nome “de marca” (filiado ao PT) em detrimento de 1 “nome genérico” (Ciro). É necessário levar em conta que Ciro tem sido 1 dos candidatos que têm conseguido mais visibilidade no noticiário, a chamada “free media”, por conta de suas propostas sempre apresentadas de maneira efusiva e direta. Mesmo assim, suas variações ficam sempre dentro da margem de erro. Tinha 11% e 12% no final de maio. Agora, 12% e 13%.

FERNANDO HADDAD (PT) – cotado para substituir Lula na corrida pelo Planalto, o ex-prefeito de São Paulo pontua 5% ou 6%, conforme o cenário testado. Há 1 mês, tinha 6% ou 8%. Haddad é apresentado logo no primeiro cenário testado, sem que o nome de Lula tenha sido mencionado ainda na pesquisa. Essa é uma diferença importante da metodologia do DataPoder360 em relação a outros levantamentos.A presença de Lula logo no início de uma pesquisa tende a “esquentar” o eleitor do PT que deseja votar no ex-presidente –que no momento está preso cumprindo pena imposta por condenação na Lava Jato. Sem Lula no início da pesquisa e apenas confrontado com a opção de outro petista (Haddad), esse nome alternativo do partido tende a ter 1 desempenho melhor do que em outros estudos de intenção de voto.

Na realidade, é uma forma de testar como será o eventual desempenho do substituto de Lula. Entre os eleitores que hoje dizem votar em Lula (uma pergunta posterior no levantamento), Haddad chega a ter até 34% de potencial de apoio;

MARINA SILVA (REDE) – em pesquisas por telefone, como esta do DataPoder360, a pré-candidata da Rede sempre tem 1 desempenho pior do que em levantamentos feitos com entrevista face a face. Neste estudo ela pontua 7% nos 2 cenários testados (há 1 mês, tinha 6% ou 7%). Essa discrepância pode ser explicada, pelo menos em parte, pelo voto pouco sólido de Marina Silva. Entre seus eleitores, 31% dizem que ainda podem mudar de opinião.

Como Marina é uma candidata que incorpora o que se convencionou chamar de “politicamente correto”, possivelmente muitos eleitores acabam dizendo neste momento que vão votar na pré-candidata da Rede em entrevistas pessoais –embora não tenham tanta certeza assim. Esse comportamento tende a ser menos presente em entrevistas impessoais e automatizadas, ao telefone;

Geraldo Alckmin (PSDB) – paralisado, o tucano pontua 7% ou 8% nesta pesquisa do final de junho. Há 1 mês, no final de maio, tinha 6% ou 7%. Geraldo Alckmin rivaliza com Marina Silva quando se trata de voto pouco cristalizado: 39% de seus eleitores dizem que ainda podem mudar de opinião. Com uma equipe muito profissionalizada, partido grande e tempo de TV garantido, Alckmin é em teoria o pré-candidato que mais reúne predicados objetivos para decolar na fase final.

Ocorre que política não é uma ciência exata. Os comerciais to tucano na rede evocam parcialmente os de Ulysses Guimarães na TV durante a campanha de 1989 pelo Planalto. As peças publicitárias exaltam o fato de Alckmin estar no mesmo partido há 30 anos e de ser o mais experiente entre os concorrentes. Era o que Ulysses dizia em 1989, até porque eram fatos substantivos e incontestáveis. Mas naquele ano o eleitorado buscava por 1 candidato com outro tipo de estampa –e ele ficou com apenas 4% dos votos;

ALVARO DIAS (PODEMOS) – o ex-tucano e senador pelo Paraná tem 4% e 5%. No final de maio, pontuava 5% e 6%. Demonstra ter dificuldade para ampliar seu leque de apoio. Tem 14% na região Sul. Nas demais, vai de 1% a 4%. Houve 1 momento no atual ciclo eleitoral em que Alvaro foi considerado como opção do autodenominado “centro”, mas essa onda nunca ganhou tração e o pré-candidato do Podemos terá muita dificuldade para decolar.

Como neste momento Geraldo Alckmin pontua quase o dobro, talvez voltem as negociações para que Alvaro possa ser o vice do tucano – algo que o Podemos já rejeitou mais de uma vez.

CERTEZA DO VOTO – O DataPoder360 indagou sobre a certeza da decisão dos entrevistados a respeito do voto para presidente. No final de maio, 49% responderam que o voto presidencial já estava decidido. No final de junho, o percentual foi a 52% –uma variação dentro da margem de erro.

Há ainda 23% que dizem que podem mudar de ideia até o dia da eleição, em 7 de outubro. E 25% estão indecisos ou não respondem. Essa “certeza do voto” deve ser interpretada como um quadro deste momento, como todo o restante da pesquisa. Nada impede que uma mudança na conjuntura leve muitos eleitores convictos a mudar de opinião mais adiante.

O fato é que esse é um termômetro real de como está o espírito dos brasileiros a respeito da corrida presidencial: apenas metade está dizendo hoje que já tomou uma decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante notar que o Poder 360 afirma que, se a eleição fosse agora, Bolsonaro também venceria o segundo turno, com 5 pontos de diferença sobre Marina, 10 sobre Ciro e Alckmin, e 13 sobre Haddad. (C.N.)

24 thoughts on “DataPoder360: Bolsonaro é líder e ‘não voto’ tem 42%

    • Ué, não entendo o Alverga!

      Se o PT quer eleger um criminoso como presidente, alegando que é a vontade do povo, e protestar que este mesmo povo eleja um fascista, como conceitua, qual é a diferença?!

      Lula pode, mas não pode Bolsonaro?!

      Esta é a piada do ano, indubitavelmente!!!

  1. A seriedade que devemos tratar as pesquisas do Datafolha, ops!, digo, DataPoder360, é a mesma em acreditar que existe Papai Noel.

    Só uma perguntinha, alguém já conseguiu conhecer mais de um eleitor da Marinasazonal Silva, Cirolouco Gomes ou Geraldo Alquimia, por exemplo, num grupo de amigos e/ou com pessoal de escola ou trabalho numa conversa casual mesmo?

  2. NÃO SEJA BURRO .

    A empresa e o pesquisador ganham para pesquisar. Só você, seu trouxa, não ganha nada para responder

    Se sou abordado para qualquer pesquisa, cobro $200.

  3. Exército é obrigado a explicar licitação de caviar , lagostas e bebidas . A POPULAÇÃO deste país é um lixo , esgoto fétido. Povinho com complexo de viralata . POVO FROUXO , cornos mansos , emprestam suas mulheres em troca de benécias . acreditam em xerifes ( promessas ) ao invés de cultura ou conciência . Salve o exército , salve ( bolsomito ) .

  4. Bolsonaro não pára de cair: de 25% para 21%.

    Ou seja: será facilmente superado no segundo turno.

    Simples assim.

    Ps: tem uma candidata do PT, aqui em JF, que vence todos os primeiros turnos…

    E é tranquilamente superada, no segundo.

    Assim tem sido há três ou quatro eleições…

  5. Um cara que destruiu o Brasil em todos aspectos: educação, saúde- até a poliomielite já dá sinal de volta – segurança pública, família, religião, moral,enfim, um câncer humano. É acima de tudo isso ladrão.
    O que chamar de um eleitor que diz que vota nele para governar o Brasil?

  6. Não sei se Bolsonaro quando empossado fará um bom governo , mas com toda certeza não conseguirá fazer pior que os anteriores , basta ser honesto pra que as coisas melhore , porque os anteriores , salvo Itamar franco, o resto foi o que vimos corrupção desmedida .

  7. Alckmin não pode ter o Meireles como vice. O Meireles muito contribuiu para os juros estarem na estratosfera. Trocou a dívida externa, com juros baixíssimos, pela interna, baseada na Selic.

  8. Com a bola parada e o goleiro amarrado, aí é santa covardia, né? Sérgio Moro seria para o Bolsonaro o que João Havelange representou para a seleção brasileira, por décadas. Pelo menos este era o protesto da torcida contrária!

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