De culatras e festins

Mauro Santayana
(HD) – Por mais que muitos desejem – as “denúncias” de ações de “contraespionagem” reveladas nos últimos dias, contra russos, iraquianos e iranianos,  não devem prejudicar o trabalho que o Brasil está realizando no âmbito da ONU com relação à internet.
Embora se tenha noticiado que o Brasil “espionou” também os EUA, não deixa de ser curioso, que em uma mesma matéria, tenham-se reunido todos os “alvos” do “eixo do mal”.
Daniel Snowden não denunciou ações desse tipo, eventualmente feitas pela CIA, nas ruas de Washington ou Nova Iorque. Ele revelou – com a autenticidade de quem serviu à NSA – como milhões de empresas e cidadãos comuns, do mundo inteiro, tinham suas comunicações diárias devassadas por um  gigantesco “big-brother” multinacional, sem que fossem agentes estrangeiros ou jamais tivessem se envolvido com qualquer atividade de espionagem.
O que moveu Snowden – com extremo risco pessoal – foi o altruísmo e a luta pela preservação da liberdade. O que move nossos Snowdens tupiniquins devem ser outras razões que não vamos sequer abordar aqui.
O que importa é que o vazamento de documentos tão inexpressivos quanto o que descrevem se refere a fatos ocorridos há dez anos, em outro governo, em um período ainda praticamente de transição com relação ao governo FHC, imediatamente anterior. O episódio, no entanto, não deixa de ter sua utilidade.
Ele pode servir de mote para que o Congresso investigue como está funcionando a área de “informações” do governo.
O QUE SE QUER SABER
Dessa forma, se poderá descobrir:
Se – como costuma acontecer de vez em quando, inadequada e ilegalmente em outras esferas de segurança – ela age como se tivesse autonomia para decidir suas ações; ou se, como deve ser, ela só pode atuar com conhecimento e por determinação superior.
De quem partiu a ordem para executar essas “operações” de pomposos nomes, no caso dos alvos acima citados, absolutamente irrelevantes, do ponto de vista estratégico, para a segurança nacional.
Na ausência de ordem superior, quem foi o funcionário responsável e com que critérios e razões – além de eventualmente ver seriados norte-americanos – ele tomou essa decisão.
Se, pelo contrário, houve ordem técnica superior, se ela não estava baseada em operações eventualmente decididas no governo anterior, de notória subserviência aos interesses norte-americanos, a ponto de seus representantes aceitarem até tirar o sapato para revista nos aeroportos dos EUA.
E, finalmente, a quem interessava – se forem mesmo autênticos – vazar esses papéis.

É preciso determinar para que existe e a que (ou a quem) serve a área de inteligência do governo. Se as coisas estivessem funcionando como deveriam, o país não teria sido apanhado de calças na mão pelas manifestações de junho, quando para antecipá-las e monitorá-las, bastava ter acompanhado, rotineiramente, o que estava ocorrendo na internet.

2 thoughts on “De culatras e festins

  1. A situação nos EUA não está tranquila. Já informei aqui que até para se adquirir a mixaria de 6 mil euros em espécie lá recentemente o Banco Apple informou da exigência de passaporte para ser copiado e motivo da aquisição. Agora, o Wall Street Journal, em sua edição de anteontem, 14/11, informa num artigo assinados por Siorman Gorman,Devlin Barrety e Jannifer Valentino-Devries sob o título Cia’s Financial Spying Bags Data on American, que todo mundo lá que transfere dinheiro está sendo fichado pela CIA com o apoio do FBI. Isso significa que podem a qualquer momento, com a faca e o queijo na mão, punirem qualquer opositor confiscando-lhe a grana ou mesmo inventar mais burocracia. Os cartões de créditos já estão monitorados e empresas estão sendo forçadas a vincularem suas vendas somente através de cartões de crédito, como por exemplo a American Airlines que não mais aceita dinheiro em espécie em seus vôos para compras de produtos Duty Free. Os tempos atuais são bicudos. O estado policial econômico financeiro está em andamento. Olho vivo quem mantém conta lá e acredita em respeito a sigilo bancário.

  2. E tem mais. Muitos precavidos que têm vida dupla do ponto de vista conjugal vêm optando por utilizar grana viva, para não correrem o risco de serem monitorados e chantageados por esses órgãos de segurança que, sob a legislação do Patriot Act, pintam e bordam em cima da cidadania.

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