De goelas abertas e garras afiadas

Carlos Chagas

Vale insistir: ou Dilma Rousseff  dá um grito de independência, se possível com um murro na mesa, ou seu governo se tornará refém do que há de pior na política nacional.  De goelas abertas e garras afiadas,  PMDB, PT e penduricalhos exigem ocupar ministérios e impõem nomes sem a menor preocupação de indicar os melhores e os mais capazes. Disputam pastas pelo volume dos recursos orçamentários de cada uma. Tornam-se   inconvenientes.

Terá sido um erro a disposição da presidente  eleita de dividir com os partidos a composição de sua equipe, iniciativa que faz emergir o que há de pior na futura base parlamentar. Trata-se de fisiologismo explícito, descarado. Tempo ainda haverá, mas cada vez mais escasso, para virar o jogo e  selecionar seus ministros pelo critério da eficiência.

Muita gente  se acomoda, lembrando que se os partidos não forem atendidos o novo governo enfrentará  imensas dificuldades  no Congresso. Não  é   bem assim. Deputados e senadores precisam  mais do Executivo do que o  contrário. No início de seu primeiro mandato o presidente Lula decidiu excluir o PMDB das negociações para a formação de uma sólida base. Houve pânico no palácio do Planalto. Desnecessário, porque num sistema presidencialista  não se governa um país a partir dos plenários da Câmara e do Senado, ao contrário do parlamentarismo.  Governa-se do  meio do povo, aqui e ali atendendo alguns pleitos de deputados e senadores.

OS CAVALEIROS DE GRANADA

Nunca é demais repetir os versos de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que “alta madrugada saíram  em louca cavalgada, brandindo lança e espada. Para quê? Para nada…”

É essa a concepção que Dilma Rousseff deveria ter das bancadas do PMDB,  do PT e de outros partidos que a pressionam para ocupar ministérios e altos postos da futura  administração.  Não há mais mouros a combater, as oposições estão reduzidas à sua  menor expressão e nem o novo governo, para obter sucesso, precisará promover amplas reformas na Constituição e nas leis.

CRUELDADES DA HISTÓRIA

O Congresso realizou sessão solene, esta semana, homenageando a memória de Petrônio Portella. Raras vezes a História terá  sido  tão cruel para  com   a Política como há trinta anos.   Fulminado por um enfarte quando dava os últimos retoques ao processo de abertura política, o senador pelo Piauí pontificava como um Tancredo Neves do lado de lá,   quer dizer, se vivo seria candidato à presidência da República, iniciando o período da democratização.  Aliás, nesse caso, Tancredo não se apresentaria.

O PILOTO SUMIU

É totalmente do presidente Lula a iniciativa de o governo adquirir um novo, mais potente e mais luxuoso avião para servir seus sucessores.  A presidente eleita  não disse uma palavra a respeito. Não pretende contrariar o chefe que a elegeu, mas, uma vez no poder, não deverá tomar qualquer iniciativa para viabilizar o Aerodilma. Existirão outras prioridades. Quem vier depois dela que retome a idéia.

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