De Platão a Lacerda, a arte da política

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Desde que o homem acendeu uma fogueira e com outros homens começou a conversar dentro da caverna, política é a arte do bem comum. Esta é a lição dos sábios, já no começo dos tempos. Platão, o velho grego, ensinou: “Não há nada de errado com quem não gosta de política. Simplesmente será governado por aquele que gosta”.

Aristóteles, o discípulo preferido, aprendeu a lição: “Política é a ciência da felicidade humana.”

AQUINO E ROBESPIERRE – Lá na frente Santo Thomaz de Aquino, gordo e sábio, reafirmava: “Política é a arte de formar homens e administrar visando o bem comum.”

Caminha a história e em 1793, em plena Revolução Francesa, Robespierre cobrava: “As funções públicas não podem ser consideradas nem sinais de superioridade nem recompensa, mas como deveres públicos. Os delitos dos mandatários do povo devem ser severa e agilmente punidos.” E dois séculos depois a lição de Robespierre seria incorporada à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”.

VOLTAIRE E NAPOLEÃO – Outro sábio daquele tempo, o filósofo triste e pessimista Voltaire: “A política tem a sua fonte antes na perversidade do que na grandeza do espírito humano.”

Cristão era Napoleão: “ Em política, convém curar os males, nunca vingá-los.”

O poeta Paul Valéry era mesmo um poeta: “Toda política baseia-se na indiferença da maioria dos interessados, sem a qual não há política possível. A política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem no que lhes concerne. Numa época seguinte, acresceram-lhe a arte de forçar as pessoas a decidirem sobre o que não entendem.”

DE GAULLE E MAO – Do alto de seus 2 metros, De Gaulle não gostava dos pequenos: “A política mais dispendiosa, mais ruinosa, é ser pequeno…”

Outro grande no físico e na luta, MaoTsé-Tung: “A política é a guerra sem derramamento de sangue, enquanto que a guerra é política com derramamento de sangue.”

Churchill, contemporâneo e parceiro de De Gaulle no sangue, no suor e nas lágrimas: “A política é quase tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na guerra a gente só pode ser morto uma vez, mas na política diversas vezes.”

DUQUE ESPERANÇOSO – Apesar disso o professor Hélio Duque, baiano do Paraná, não perde a esperança:

“A aliança de corruptores, empresários poderosos e corruptos, investidos de mandatos nos poderes executivo e legislativo, tem levado muitos brasileiros a julgar que a política é geradora da corrupção. Na verdade nada é mais falso quando se tenta nivelar a política como sinônimo de assalto ao dinheiro público. A canalhice política militante é dotada de uma cultura de vassalagem e abomina princípios e fundamentos éticos e morais. São fiéis seguidores da frase ouvida no interior de Minas Gerais, pelo médico e escritor Pedro Nava: – “Haveremos de resguardar a canalhice necessária para aderir no tempo oportuno.”

MAIS EXIGENTES – Nesse tempo de engodo não se pode prescindir dos homens públicos que cultivam a ética e não se submetem ao jogo da corrupção. Os brasileiros deveriam ser mais exigentes e seletivos na escolha dos seus representantes, ao invés de alimentar demagogos e falsos salvadores da Pátria como alternativa de poder.

Na política aristotélica o dever de dizer a verdade, em quaisquer circunstâncias, é inegociável. Infelizmente a maioria prefere o bom mocismo do riso fácil dos candidatos garantindo voto ao embusteiro não sabendo que o preço da escolha equivocada será cobrado no futuro, como estamos assistindo agora com a detonação de uma crise política, econômica e social inédita na vida republicana. Carlos Lacerda sabia: “Devemos dizer ao povo o que ele precisa saber e não o que gostaria de ouvir. Não confie em homens públicos que só sabem dar boas notícias.”

3 thoughts on “De Platão a Lacerda, a arte da política

  1. A maioria esmagadora do povo brasileiro vota com a emoção, vota naquele que lhe toca o coração. Isto acontece, por falta de interesse do povo por politica. Foram 20 anos sem eleições democráticas, sem poder falar e participar da política, o que levou o povo a imbecilidade e os políticos que vieram após a ditadura em defesa de seus interesses espúrios mantiveram o povo na ignorância.
    No Brasil, levará dezenas de anos para politizar o povo, nos restará uma solução a curto prazo:
    Seleção severa para quem quiser se candidatar a cargo legislativo e executivo, assim como é feito em qualquer concurso público para todos servidores que almejam um cargo público, acabar com financiamento público ou privado de campanha. O governo dará apenas horário na televisão e rádios apenas para debates, porque o sistema atual de horário político é para enganar o povo. Num debate fica mais difícil enganar. O governa dará também segurança para comícios em praça pública.E é só.
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  2. O velho mundo sabe das coisas. A confederação europeia quebrou sim em grande parte a hegemonia sufocante dos EUA sobre o mundo, e estão fazendo com que os norte-americanos corram atrás do prejuízo. E nós, quando é que criaremos coragem para resolvermos o nosso país, estados e municípios, tendo como parâmetro a união europeia, que pois em polvorosa a hegemonia norte-americana ao ponto de Trump atacá-la de forma até alucinada, como era de se esperar ? Nós, latino-americanos, devemos começar a nossa grande travessia e mudanças, que se fazem necessárias há muito tempo, a partir do nosso próprio interior, da arrumação da nossa própria casa, à moda bíblica ” Mateus, primeiro os teus “, transformado a federação falida que ai está, devorada pela corrupção, numa nova confederação genuinamente brasileira, independente, com luz própria, rumo próprio, moeda própria e vitoriosa, com abertura de espaço, ato contínuo, para recebermos de braços abertos no nosso novo clube, caso queiram, os nossos irmãos sul-americanos atraídos pelas vantagens palpáveis do projeto novo e alternativo de política e de nação, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, há mais de 20 anos, quando a confederação europeia era ainda apenas um sonho. Urge pensarmos grande, para que possamos realizar o grande feito que o povo brasileiro e sul-americano precisa e espera da intelectualidade luso-espano-tupiniquim, há trocentos anos. O capital honesto não tem o que perder dentro de um estado e mercado honestos, pelo contrário só tem a ganhar. E o capital bandido, volátil, que vá especular lá na pqp, com passagem só de ida. RPL-PNBC-DD-ME, saudações.

  3. “Os brasileiros deveriam ser mais exigentes e seletivos na escolha dos seus representantes, ao invés de alimentar demagogos e falsos salvadores da Pátria como alternativa de poder.”
    Infelizmente os candidatos que são , até o presente momento, impostos à população, de Norte a Sul e de Leste à Oeste em nosso país nos são impostos muito mais pelo poder econômico do que por seu caráter, são candidatos mascarados por seus marqueteiros e que a mídia formal também alimenta, movida por interesses puramente econômicos, quando, penso, deveriam ser movidos por um desejo de crescimento qualitativo da sociedade como um todo, e não apenas por parte. O povo brasileiro desaprendeu, ou nunca aprendeu, a se amar como cidadãos de uma mesma nação, lembro-me da época em que os imigrantes portugueses ajudavam-se mutuamente ao chegarem em nossa nação, ainda que fosse para trabalhar em uma carvoaria demonstrando um sentimento de pura fraternidade, o que os ajudavam a prosperar em nossa nação, ao passo que vejo com muita tristeza o povo do nosso Amazonas, ainda hoje, vivendo em palafitas, tendo seu patrimônio subtraído por uma tempestade, por habitarem de forma sub-humana, sujeitos a todo tipo de intempérie, simplesmente por descaso de nossos governantes, ainda observo com muita tristeza a situação de total insegurança em que se encontra a população de um estado maravilhoso como o Rio de Janeiro, por nos ser imposto, principalmente por midiáticos que sabem “fazer a cabeça” de parte da população, um governador que soube usar dos meios de que dispunha para engodar a mesma e se eleger com uma propaganda totalmente enganosa.

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