Debate na Band desencadeia a campanha pela TV

Pedro do Coutto

Com o debate na Rede Band marcado para a próxima quinta-feira, 5 de agosto, data histórica do atentado da Rua Toneleros, desencadeia-se a campanha da sucessão presidencial pela TV. Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva estarão frente à frente, e por mais rígidas que sejam as regras para o confronto, pois há as limitações naturais de tempo, ele vai acrescentar à opinião pública, ampliando como é lógico, o conhecimento dos eleitores sobre as candidaturas colocadas para decisão nas urnas de outubro.

A Band, com a iniciativa, dá um passo importante e começa a descortinar um panorama que contribui para tornar mais nítido o panorama político. Aconteça o que acontecer no debate, a população sairá ganhando. Porque na televisão, ninguém consegue se esconder de um julgamento público, ocultar-se de uma percepção coletiva, sejam quais forem os desempenhos.

Os debates devem ser vistos e analisados a partir deste ângulo. Não vão fornecer uma ideia perfeita – até porque ela talvez não exista – , mas proporcionarão uma observação muito maior do quadro eleitoral em comparação com o que parecia antes de sua realização.

A TV, através dos anos, tem contribuído decisivamente para a modernização progressiva do país e redução substancial dos currais eleitorais. Eles ainda resistem ao tempo, principalmente nas áreas rurais, no Nordeste e Norte do país. Porém encontram-se em visível decadência. Graças a Deus. O país urbanizou-se, inclusive em decorrência do processo de industrialização desencadeado pelo presidente Juscelino, os anos dourados que inspiraram o autor Gilberto Braga.

Com o fenômeno da urbanização e o crescimento demográfico, os meios de comunicação de massa ganharam espaço e uma importância extraordinária. Eu me lembro que na década de 50 era possível um deputado federal eleger-se com 5 mil votos. Hoje, ele necessita 50 mil. É possível falar com cinco mil pessoas em quatro meses de campanha. Porém não há hipótese de alguém dialogar com cinqüenta mil. Para se dirigir a este contingente, só através da imprensa, do rádio, especialmente da televisão por seu conteúdo áudio-visual.

Da mesma forma que o cinema, (na definição clássica do gênio André Bazin), é a única arte que focaliza o comportamento e o movimento humano. Reside neste ponto  inclusive, a maior afinidade entre o universo cinematográfico e televisivo. Mas há uma diferença entre eles.

A diferença está em que, no cinema, o espetáculo é feito para uma multidão de forma impessoal. Na TV, os que se apresentam estão falando com cada um de nós, de forma personalizada. No cinema, o ator e a atriz nunca olham a câmera de frente. Na  televisão é exatamente o contrário. Por isso, a tela da TV cria um intimismo muito acentuado entre quem aciona a mensagem e quem a recebe. Esta diferença é básica.

Mas há uma segunda ainda maior. Não se trata de qualidade, mas de quantidade. Há no Brasil 58 milhões de domicílios e uma população de 195 milhões de habitantes. De acordo com o IBGE, existem aparelhos de televisão em 96% dos domicílios. Muito mais que redes tratadas de esgotos. Um ponto no Ibope são 580 mil residências equivalendo a uma audiência de 1 milhão e 200 mil pessoas. Dez Maracanãs absolutamente lotados. Se o debate na Band alcançar 12 pontos, serão 14 milhões de eleitores. Um mar de votos estará sendo disputado numa só noite.

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