Debate na Globo decide se haverá ou não segundo turno

Pedro do Coutto

A frase do Senador Magalhães Pinto sobre política é tão próxima da perfeição quanto eterna: é como a nuvem. Muda de forma e direção a qualquer instante. Antes da explosão Erenice Guerra, Dilma Rousseff, de acordo com todas as pesquisas, venceria no primeiro turno. Agora, depois do vendaval, não se pode terá mesma certeza. Vejam só os leitores..

Se as urnas de domingo confirmarem a tendência de intenção de votos registrada na reta final pela pesquisa do Datafolha publicada ontem pela Folha de São Paulo, mais que possível passa a ser provável um segundo turno entre Dilma e José Serra.

O impacto Erenice Guerra, agravado pelo indiciamento de seus filhos, mudou o panorama. Ao contrário do que podem alguns, o IBOPE não errou, tampouco o Vox Populi, o Sensus ou o próprio Datafolha no levantamento do dia 22. Houve mudança no quadro logo após o debate de domingo na TV Record. Isso acontece. Os institutos de pesquisa, que possuem uma taxa de acerto superior a 95%, não podem ser responsabilizados. Eles fotografam o momento. Se o instante muda, altera-se a fotografia. Além disso, as pesquisas não são infalíveis.

Mas são o único  instrumento lógico para que se identifique melhor os impulsos do eleitorado na estrada do voto. Se alguém considerar apenas a cidade do Rio de Janeiro, sentirá uma forte ascensão de marina na onda verde. Porém a mesma intensa subida não ocorre nas demais regiões. A tendência de queda de Dilma sim, acontece no Sudeste, no Sul, no Norte e até menos acentuadamente, no Nordeste.

A pesquisa da empresa da FSP apontou 46 para a candidata do presidente Lula, 28 para o tucano, 14 para Marina Silva. Em relação à anterior, Rousseff desceu três andares, Serra e Marina subiram um patamar cada um. Mas e Plínio Sampaio? Qual a percentagem que ele alcança? Não pode ser igual a zero. Eymael e os demais candidatos pouco conhecidos devem apresentar alguma pontuação. No conjunto, talvez, ao lado de Plínio, alcancem – creio – 3 pontos. O radar do Datafolha, e do IBOPE, segundo me disse um dia o presidente do Instituto, Carlos Augusto Montenegro, só visualiza a partir de 1%. Isso no geral, pode desfocar um levantamento, não quanto à vitória deste ou daquele, mas para efeito de aferição da maioria absoluta de decidir se o pleito terá um turno apenas. Hoje, há uma dúvida, um enigma, um dilema. Se Dilma vence no primeiro ou se o eleitorado volta às urnas a 31 de outubro.

O dilema somente será resolvido, dadas as circunstâncias, com o debate de sexta-feira na Rede Globo. Terá, pela força da emissora, um índice de audiência muito mais alto do que atingiram os confrontos promovidos pela Band e pela Record. É natural. Além do mais, a leve descida de Dilma reacendeu as esperanças dos serristas no sentido que haja, não um, mas dois combates no voto para a escolha do sucessor de Lula da Silva.

O ótimo desempenho de Marina Silva na Record, animou muito os verdes. Teve uma atuação impecável e tocou no ponto ultra-sensível que são o desencanto e a intoxicação de todos com a repetição de promessas que não saem do papel. Na política brasileira, em inúmeras situações, o gesto não corresponde à palavra. E as palavras repetidas o vento leva. O sopro do passado desfaz.

Eleições e pesquisas são mutáveis. Os momentos se alteram de hora para outra. Alguém poderia prever Erenice Guerra? A renúncia de Jânio Quadros? A deposição de João Goulart? A ditadura miltar de 64 a 85? A morte de Tancredo Neves? A posse de José Sarney? A política é assim.

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HELIO FERNANDES, O RETORNO ÀS TECLAS DA HISTÓRIA

Li, emocionado, o texto ontem publicado neste site focalizando a exasperante lentidão da Justiça, no caso da indenização  à Tribuna da Imprensa censurada ilegalmente pelos governos Medici e Geisel, e que teve suas rotativas explodidas pelos ares no governo João Figueiredo. Direito mais líquido e certo não existe. O jornal venceu, há 31 anos, de forma irrecorrível no Supremo Tribunal. Até hoje nada recebeu. Em 31 horas, foram dados habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas. Mas Helio Fernandes não deve se afastar. Deve prosseguir movendo as teclas nas quais escreve a História moderna do país.

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