Debate na Globo deve atrair 20 milhes de espectadores

Pedro do Coutto

Se algum tivesse alguma dvida quanto a importncia dos debates na televiso entre Dilma Rousseff e Acio Neves, ela seria totalmente dissolvida com a leitura do artigo da jornalista Keyla Jimenez (Folha de So Paulo, edio de sexta-feira 17, Caderno Eleies). O texto revela que o debate realizado pelo SBT acusou uma audincia de 9 pontos, o que, somente em So Paulo, correspondeu a 1 milho e 700 mil eleitores distribudos por cerca de 550 mil domiclios, mdia de 3 pessoas por residncia aproximadamente. Esta pesquisa, revelada por Keyla, foi feita pelo IBOPE. No caso limitou-se ao estado de So Paulo.

O mesmo instituto, entretanto, realizou pesquisa nacional quando do debate levado ao ar no final do primeiro turno: a emissora atingiu 23% de audincia atingindo 14,7 milhes de espectadores. Nacionalmente, cada ponto significa 641 mil pessoas em 217 mil domiclios.

Se no primeiro turno, a audincia alcanou 23%, evidentemente na prxima quinta-feira vai superar esse patamar, pois a campanha atinge a caracterstica de competio esportiva, das mais intensas, bastando citar a diferena muito pequena em favor de Acio Neves, apenas 2 pontos, dentro da margem de erro que, na prtica, pode traduzir um empate. Alis, IBOPE e Datafolha apontam um empate tcnico, um modo de autodefesa diante da dificuldade de um prognstico antes do desfecho absolutamente decisivo na noite de quinta feira 23.

O fato que tanto Dilma quanto Acio vo encerrar o confronto tendo certamente mais de 20 milhes de testemunhas diante de si, preocupados com o desempenho de cada um. Nesses 20 milhes de eleitores, provavelmente encontram-se os que ainda estiveram incertos e aqueles que permanecerem na inteno de anular o sufrgio ou votar em branco. O debate no seu desenrolar representa uma onda gigantesca de opinies e expresses invadindo e cobrindo de emoo o rastro das urnas que vo decidir o futuro imediato do pas.

VELHOS TEMPOS

Diante das dimenses e do alcance da TV, passamos a ter mais certeza de como esto distantes os tempos de comcio nas ruas e nas praas em busca dos votos que levam ao poder. O roteiro do poder, hoje, est desenhado e contido nas telas mgicas da televiso. E no s da Globo, que representa a maioria absoluta do mercado de comunicao. As outras redes influem tambm, embora em menores propores. Mas acontece que numa disputa que se mantm indefinida como a atual qualquer diferena pode se tornar decisiva.

Alm do mais, a audincia da TV produz repercusses no dia seguinte nas ruas, nos locais de trabalho, nos transportes, nos bares e restaurantes. Essa repercusso, dependendo de sua intensidade e direo para este ou aquele sentido, pode se transformar em fator para desequilibrar o cotejo pela mnima diferena que seja. Pois tudo relativo, teoria insupervel de Albert Einstein. Numa luta em torno de diferenas mnimas, 1% pode se tornar igual a 100. Basta lembrar que a parcela de 1% do eleitorado pode eleger Dilma Rousseff como substitui-la por Acio Neves no Palcio do Planalto.

Em sntese, a margem de 1 ponto capaz de entregar a caneta do poder a qualquer um dos candidatos emparelhados at o debate na Rede Globo. A partir da noite de quinta-feira e na manh de domingo prximo qualquer voto na urna ser capaz de definir e decidir o futuro. A beleza e a fora da democracia residem exatamente no poder popular de decidir.

2 thoughts on “Debate na Globo deve atrair 20 milhes de espectadores

  1. Alguns dados que as pesquisas que avaliam a assistncia aos debates nas tvs, deveriam informar:
    – os telespectadores, na sua imensa maioria, so sempre os mesmos;
    – grande parte deles j esto decididos em que votaro;
    – os indecisos no assistem/ouvem programas ou noticirios, no lem jornais e no querem saber de nada. Dizem que “no suportam as agresses” que os candidatos fazem um ao outro”. Decidiro como sempre fazem: na hora do voto, os neurnios se debatem e sai um resultado qualquer;
    Tento fazer a leitura das ruas. Nunca, nos ltimos 20 anos, vi to poucos petistas nas ruas. At a entrega dos “santinhos” discreta. No sei em outras cidades, mas em Porto Alegre, onde era um “mar vermelho”, so poucos militantes e manifestaes raras. Os antigos esto todos empregados (CCs, FGs e outras coisinhas mais). Mudaram de classe social e no vo mais fazer papel de combatente, militante, etc. No conseguiram substitutos.
    D impresso de derrota.

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