Decat anuncia nova jornada na bela história de Furnas

Pedro do Coutto

Ao discursar na manhã de segunda-feira na comemoração pela passagem dos 54 anos de Furnas, o novo presidente da empresa,Flávio Decat, anunciou aos empregados reunidos no pátio que “estamos iniciando uma nova jornada e queremos fazê-lo sob a inspiração dos que escreveram a belíssima história de nossa empresa”. Acentuou: “Temos a obrigação de consolidar, desenvolver e defender esse patrimônio brasileiro. É preciso” – destacou aplaudido pelo ministro Edison Lobão e pelos empregados – “que cada um de nós tenha orgulho em dizer que é de Furnas. Renovo o compromisso de trabalhar incansavelmente para que este sentimento seja resgatado. A missão pertence a todos”.

Com estas palavras, Flávio Decat virou a página de um capítulo tempestuoso encerrado exatamente com sua investidura no posto. Depois de lembrar que Furnas foi criada pelo presidente Juscelino, assinalou que a empresa se acostumou a vencer desafios e nunca mais parou. Entre os desafios, a construção da usina de Itumbiara, as nucleares de Angra dos Reis, os linhões que trazem a energia de Itaipu. Agora encontram-se em construção oito novas hidrelétricas, incluindo as gigantes de Santo Antonio e Teles Pires na Amazônia. Paralelamente, a maior linha em corrente contínua do mundo, Porto Velho – Araraquara, com 2.375 Km de extensão. Esta linha vai trazer a energia de Santo Antonio, do rio Madeira, até São Paulo.

Entretanto, sustentou que existe um grande desafio a enfrentar: a renovação das concessões que Furnas possui. Depende do governo. Há concessões que terminam em 2015. Se renovadas, tudo perfeito, a empresa segue firme e forte em frente. A não prorrogação acarretará a realização de novos leilões e, nesse caso, os investimentos que teriam como destino a natural expansão de energia, serão desviados para aquisição de ativos existentes, sem agregar energia nova ao parque gerador e sem ampliar a malha do sistema de transmissão.

A não prorrogação causará uma perda de 52% na receita de Furnas. É fundamental, portanto, que as concessões sejam renovadas. É preciso lembrar também que quase a metade do preço da energia no país ao consumidor final constitui-se de impostos, contribuições e taxas. Flávio Decat ressaltou a importância de uma governança societária, eficiente e transparente.

“Para arrumar a casa” – prosseguiu – “é preciso modernizar o nosso quadro de pessoal, preservando as nossas competências, estimulando os nossos talentos. Inclusive, equacionar a questão dos terceirizados, cerca de 1 mil e 500 contratados, com o tempo de serviço variando de 20 a 10 anos. Esta solução necessariamente terá como balizador o necessário ajuste da força de trabalho aos limites definidos pelo governo”.

Neste ponto, Decat recebeu o apoio do ministro Edison Lobão, que se afirmou conhecedor do problema. O quadro de Furnas, hoje, possui 4.500 afetivos e 1.500 terceirizados. Furnas (digo eu) é a grande empresa que menos empregados possui em seu quadro. E olha que se trata da segunda estatal do país.

Finalizando, Flávio Decat pediu o apoio do ministro para estender aos aposentados a cobertura do plano de saúde, porque nessa faixa de idade o suporte torna-se mais necessário. Solicitou igualmente o empenho do titular do MME para garantir um piso de complementação adequado para os que se aposentaram: dignidade a todos os que dedicaram suas vidas a Furnas. Decat concluiu: “Uma empresa moderna, socialmente justa, não pode conviver com desigualdades assim”.

Sem dúvida, o pronunciamento foi um firme início da nova jornada a que o presidente da estatal se propõe e propôs  a todos.

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