Decodificando o discurso. A tragédia do Japão, o Brasil, a energia nuclear e a propaganda enganosa

Guilhermina Coimbra

A energia nuclear é vista por muitas nações como uma das apostas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa do setor elétrico, e assim evitar as piores consequencias das mudanças climáticas, usando a fonte de energia mais econômica e a mais segura, comprovadamente pelo Protocolo de Kioto, 1989.

Aquecimento global, à parte, sabido é que, no mundo desenvolvido, porém carente de matéria-prima nuclear (urânio, o combustível do século) tem havido progressivo aumento no número de projetos de novos reatores.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) existem mais de 350 usinas em andamento em todo mundo, e, mais do que o dobro, gerando energia limpa e econômica (a mais barata de todas) funcionando com a maior segurança, em todos os países desenvolvidos (a França é um dos países que mais possuem usinas nucleares por quilometro quadrado).

Em razão de por mais de setenta anos haverem adquirido graciosamente a matéria-prima nuclear para fazer funcionar as usinas dos países desenvolvidos, acostumaram-se com a graciosidade e se recusam pagar o preço justo do valor agregado à matéria-prima e não conseguem sequer imaginar concorrentes na área nuclear. Principalmente, porque, o Brasil, após conseguir desenvolver a tecnologia do enriquecimento do urânio, transformando-o em combustível, não mais se conforma em ser considerado um Estado meramente extrator e exportador da referida matéria-prima nuclear por preço vil.

O terremoto seguido de um tsunami no Japão, provocando o vazamento de material radiativo da usina de Fukushima, obviamente, está sendo considerado uma dádiva do céu, uma maneira sutil de forçar o governo do Brasil a desistir de seu programa nuclear, entregando de vez para o mercado internacional da energia nuclear (carente de minérios nucleares in natura) o potencial de matéria-prima nuclear que jaz no subsolo brasileiro – através da manipulação da formação da opinião e do entendimento público brasileiro.

É de se notar e esperar o fortalecimento da nova propaganda enganosa terrorista. A nova onda de “preocupação” com o uso da energia nuclear vem ganhando força. Grupos “ambientalistas” nos Estados Unidos, União Européia, seus respectivos sócios comerciais Índia, China, Turquia, Indonésia e outros, unidos no objetivo comum, estão pedindo a “suspensão dos novos projetos de usinas nucleares” e que sejam “criados padrões mais rigorosos de segurança”.

De acordo com dados da AIEA, atualmente 20% das 442 usinas nucleares em funcionamento estão em áreas de “significante” atividade sísmica e que usinas nucleares geralmente são construídas para suportar terremotos de até 8,5 de magnitude, mas, não são construídas para suportar tsumanis. Difícil é acreditar que a AIEA possa haver permitido a construção de usinas nucleares nessas áreas costeiras, ciente de que tais áreas são consideradas de risco em caso de “tsumanis” ou maremotos. Logo a Agência, tão ciosa da necessidade de fiscalizar as usinas nucleares brasileiras. Estranho, não? Sem dúvida, alguma coisa está errada. Logicamente, não há como deixar de concluir: ou a AIEA está transmitindo informação falsa;  ou a AIEA falhou, fez vista grossa, não cumpriu com suas funções de fiscalizar e impedir a aprovação desse tipo de instalação, mesmo ciente de que usinas nucleares não devem ser construídas à beira-mar, porque, não são previstas para suportar “tsumanis”;  ou esta informação maliciosa, objetiva interromper programas e usinas nucleares competitivas comercialmente, paralisando usinas nucleares construídas nessas áreas, embasando propaganda terrorista enganosa, com o enganoso pretexto de risco.

Assim, como a responsabilidade pelas usinas européias é antes de tudo, responsabilidade de cada uma das 14 nações européias que fazem uso delas, conforme declarou o comissário de Energia da União Européia, Guenther Oettinger – a responsabilidade pela segurança das usinas nucleares brasileiras construídas e por construir é do governo brasileiro. Com o agravante de que o governo brasileiro deve estar sempre atento para o perigo da sabotagem.

É pacífico, face ao histórico de sabotagens ocorridas no Brasil (base Espacial de Alcântara, Maranhão, entre outras) que, se houver a possibilidade zero de uma sabotagem ocorrer, certamente ela ocorrerá, porque são muitos os interessados, a soldo de interesses contrários ao desenvolvimento do Brasil-concorrente, na área da energia nuclear.

Observa-se que se as fontes alternativas são menos polêmicas, não encontram tanta oposição, isto ocorre, porque, tais fontes renováveis são de tecnologias onerosas, remunerando melhor os seus defensores. Importante não esquecer, entretanto, que, elas são todas dependentes das intempéries (sol, vento) e que, as indústrias instaladas no Brasil, delas, não podem depender.

É correto o entendimento segundo o qual, o Brasil não pode abrir mão das usinas hidrelétricas, face ao seu potencial hídrico. Mas, há que se entender, também, que, a usina hidrelétrica tem que ter o apoio das usinas nucleares. O sistema de fornecimento e distribuição da energia elétrica não pode sofrer desbalanceamentos, causados, por exemplo, por uma estiagem prolongada. As usinas nucleares são, portanto, complementares às hidrelétricas e são mais do que uma necessidade.

As usinas nucleares são imprescindíveis, não porque, dizem ser uma das soluções para frear o discutível “aquecimento global”. As usinas nucleares, no Brasil, são indispensáveis, principalmente, porque há que se dar destinação utilitária aos valiosos minerais nucleares do subsolo brasileiro, os quais não podem mais ser fonte de escoamento de divisas, através de sua venda por preço vil, sem o valor agregado; as usinas nucleares são portáteis, podem ser instaladas onde forem necessárias; as usinas nucleares não afetam o meio ambiente, porque, entre outras razões, não arrasam com a biodiversidade, via inundações; e, também, as usinas nucleares não oneram as caixas dos tesouros (Federal, Estadual, Municipal) porque não obrigam ao pagamento de enormes indenizações às populações afetadas, pelos respectivos desalojamentos, em razão das necessárias inundações, causadas pelas hidrelétricas. 

As empresas internacionais e multinacionais, comerciais e industriais, instaladas no Brasil, e que retiram do Brasil os seus maiores lucros, necessitam e vão necessitar, cada vez mais, da econômica energia nuclear, gerada pelas usinas nucleares brasileiras. 

O Brasil inclusivo e amigo recebe de braços abertos seus ilustres visitantes. O Brasil inclusivo e amigo admira, confia e aguarda de seus notáveis visitantes pedidos não-constrangedores na área da energia nuclear. O Brasil merece respeito.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *