Defesa de Azeredo nega desvios de recursos no processo do mensalão tucano

André Richter
Agência Brasil

O advogado do ex-deputado Eduardo Azeredo já apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), sua defesa na Ação Penal 536, o processo do mensalão mineiro. Azeredo, que renunciou ao mandato na quarta-feira (19), é investigado por desvio de dinheiro público durante a campanha pela reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Com a renúncia, Azeredo perdeu o foro privilegiado, e o processo poderá ser remetido à Justiça Federal de primeira instância, atrasando o julgamento. No entanto, o envio das acusações não é automático. No caso do ex-governador mineiro, o plenário do STF vai avaliar, em março, se a renúncia teve a intenção de retardar o fim da ação penal.

Mesmo alegando que o ex-deputado não teve a intenção de criar uma manobra para escapar de uma possível condenação, o advogado José Gerardo Grossi apresentou as alegações finais da defesa.  Segundo ele, Azeredo não autorizou, nem tinha conhecimento dos repasses de dinheiro público para eventos esportivos, por meio dos patrocínios de empresas estatais mineiras.

“Não há prova alguma do envolvimento do então governador Eduardo Azeredo na determinação da aquisição de cotas de patrocínio dos eventos, pelas empresas citadas na denúncia. Sem ação não há dolo, isso é evidente”, diz a defesa.

MARCOS VALÉRIO

O advogado também negou que Azeredo tivesse conhecimento da participação do publicitário Marcos Valério na contratação de empréstimos fictícios. Valério foi  condenado a 37 anos de prisão, na Ação Penal 470, o processo do mensalão federal, por ser operador do núcleo financeiro que abastecia o esquema.

“Na campanha eleitoral de 1998, Eduardo mal conhecia Marcos Valério. Não trocou telefonemas com ele. Valério, sócio de empresa de publicidade, buscava trabalhar na campanha de eleição de Eduardo Azeredo a senador, o que não ocorreu”, argumentou o advogado.

De acordo com a investigação do Ministério Público, entre julho de 2000 e 2004 foram feitas 57 ligações diretas entre Azeredo e Marcos Valério, o que indica “um relacionamento muito próximo, sendo mais um elemento que, somado aos demais, comprova a inconsistência da versão defendida, de que Eduardo Azeredo não teria nenhum conhecimento sobre o desvio de valores públicos para emprego em sua campanha à reeleição”, segundo o MP.

Se o processo continuar no STF,  a fase das alegações finais  será a última antes do julgamento pelo plenário da Corte. Após a manifestação da defesa, o processo seguirá para o revisor, ministro Celso de Mello, e em seguida para o ministro Luís Roberto Barroso, relator da ação penal.

“MAESTRO”

Nas alegações finais do Ministério Público, o procurador-geral da República, Rodrigo  Janot, disse que Azeredo atuou como “um maestro” no esquema em que recursos públicos foram desviados em benefício próprio, para financiar sua campanha política à reeleição ao governo do estado. De acordo com o procurador, a prática dos crimes só foi possível por meio do “esquema criminoso” montado pelo publicitário Marcos Valério.

No documento enviado ao STF, Janot detalha como funcionava o esquema de desvios. Segundo ele, o então governador Eduardo Azeredo autorizava três empresas estatais – as companhias de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Mineradora de Minas Gerais (Comig), mais o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) – a liberar o pagamento de patrocínios de R$ 3,5 milhões, valores da época, para três eventos esportivos de motocross. A partir daí, o dinheiro passava pela agência de publicidade de Valério, por contas de empréstimos fraudulentos, feitos no Banco Rural, e chegava à campanha do candidato.

2 thoughts on “Defesa de Azeredo nega desvios de recursos no processo do mensalão tucano

  1. “ FHC, infelizmente, fala uma coisa e pratica outra. Fala e escreve até entusiasmado em favor do novo de verdade mas, infelizmente, se conduz em direção ao velho, ao retrocesso, tentando puxar as brasas novas para as suas próprias e velhas sardinhas , no caso seu pupilo que, a exemplo de outros do mesmo naipe e velho “modus operandi”, sufocando e anulando divergências e a própria militância, impôs-se como pré-candidato do seu partido logo após tornar-se praticamente dono do dito cujo. Por outro lado, a nosso ver, com a ressalva acima, mandou bem o editorial da FSP, de hoje, sob o título de “Ambição real”, do qual pinçamos o excerto seguinte: ‘O ex-presidente Fernando Henrique tem razão quando fala da natural fadiga que acomete grupos políticos instalados por muito tempo no poder, regra que vale para todos os partidos, em todos os níveis da Federação. Fundamental, nesse sentido, oxigenar o debate –não necessariamente com novos mandatários, mas sem dúvida com novas ideias. Forças governistas e seus opositores poderiam se inspirar nos exemplos do passado. Pouco importam, no fundo, discussões sobre o mérito do que já desbota no tempo; o país demanda uma visão de futuro. O ano é propício.’ HMM-RPL-PNBC-ME, saudações.”

  2. Nem mesmo o Bruxo daria conta das feitiçarias que assolam esta pátria varonil desde sua partida desta Terra Brasilis, cem anos após a chegada do Príncipe D. João VI, escapando da invasão do tenente Napoleão à metrópole, até aquele fatídico momento.

    Azeredo, apoiando e apoiado por FHC, bate-se contra Itamar, rechaçado por sua criatura que havia levado à presidência na crista da onda do sucesso do real criado no final do governo de Fernando Collor, a quem o Topete sucedera como vice, após o impedimento do titular.

    Lula, apoiado por Itamar, apoiando Aécio para governador, bate-se contra Serra, escorado meio capenga por FHC, no gozo do segundo mandato presidencial, conseguido com a assistência de seu ministro da saúde.

    Dilma, apoiada por Lula, Collor e Sarney, nomeia Janot, que enquadra Azeredo, que respinga em Lula, que foi salvo por Dirceu, que sentindo-se abandonado por quem, para seu ego, FIZERA Presidente e GARANTIRA, com seu próprio suicídio político, a conclusão do 1º mandato, mesmo encurralado por uma oposição mambembe, visitava as alterosas em busca da coragem do velho Itamar, fiel aos seus desde os tempos escolares do velho Granbery da Batista de Oliveira, em Juiz de Fora, onde nas velhas Assembleias deve ter firmado compromisso com os valores da verdade e da honra.

    Fecha-se um ciclo, abre-se outro, para ser sucedido pelo que virá numa espiral indefinível e imprevisível, quiçá estocástica de acordo com a sorte ou fortuna desse bravo povo brasileiro.

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