Déficit público provoca inflação ou elevação de impostos, mas o governo pouco se interessa

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Eurípedes Alcântara
O Globo

O jornalista Thomas Traumann publicou seu livro “O pior emprego do mundo” em setembro de 2018, pouco antes da eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Traumann se referia não ao emprego do presidente, mas ao de seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

A obra analisa a ascensão e queda de 14 ministros encarregados da economia brasileira de 1967 a 2014. Todos foram assombrados por uma resistente endemia nacional, a incapacidade de controlar o déficit público e fazer o ajuste fiscal.

OUTRO FANTASMA – O fantasma continua rondando o Brasil. Acaba de sair um livro essencial para a compreensão desse enorme desafio. O autor é Fabio Giambiagi, talvez o maior especialista em finanças públicas do Brasil, que escreve uma coluna no GLOBO. O livro se chama “Tudo sobre o déficit público”.

Não é um livro fácil para quem não é do ramo, mas é imprescindível para nós, que vivemos num país onde o Estado fica com 40% de toda a riqueza criada por quem trabalha, dá empregos e corre riscos investindo na criação de empresas. O Estado brasileiro cobra caro pelo pouco que faz para os cidadãos, e seu funcionamento precisa ser conhecido, entendido e vigiado.

O livro de Giambiagi abre a caixa-preta de um mecanismo fundamental para entendermos as razões por que, não importa a ideologia do partido no poder, o governo só aumenta de tamanho, gasta cada vez mais e, assim, asfixia a sociedade civil, inibe o empreendedorismo e aumenta a dependência dos cidadãos de um núcleo burocrático que não presta contas a ninguém.

PAGANDO PELO ERRO  – Caricaturando uma situação verdadeira, se eu cometer muitos erros nas minhas colunas ou tratar de assuntos sem interesse, enfim, se passar a desagradar a você, leitor, o jornal acabará por dar um fim a nosso contrato, e serei demitido. Eu erro, eu pago pelo erro.

Um alto burocrata pode errar à vontade em suas formulações de política pública, e nada de ruim acontece com ele, pois o culpado sempre seremos nós, os cidadãos, os contribuintes.

Assim é com o tema central do livro de Giambiagi. O Estado arrecada muito, gasta sempre mais do que arrecada, produz um déficit cujas consequências serão pagas por nós na forma de inflação alta ou de impostos ainda mais pesados para financiar a dívida pública.

SOLUÇÕES MÁGICAS – Muita gente acha que, para resolver o problema, basta imprimir mais dinheiro ou expropriar o patrimônio dos bilionários. Não é assim. Isso nunca funcionou na História. Quanto mais dinheiro o governo imprime, menos ele vale.

Os bilionários são ricos em relação à classe média, mas toda a fortuna deles não faz cócegas nas necessidades reais do Tesouro de um país como o Brasil. Para complicar mais as coisas, são enormes as chances de o patrimônio financeiro de um bilionário ser formado, em grande parte, por títulos públicos, ou seja, papéis emitidos pelo próprio governo. Ao desapropriá-lo, o governo estaria tentando a façanha impossível de alguém se alçar do chão puxando pelos cadarços dos sapatos.

“A arrecadação [de impostos] não se tornou o resultado da pujança das atividades locais, e sim o mecanismo de sustentação de uma casta, muitas vezes com mecanismos de transferência de poder entre gerações, em benefício de famílias que iam se sucedendo nos palácios.” Assim o autor descreve o vício fundador do Estado brasileiro.

TETO DE GASTOS – A história democrática recente do país amenizou um pouco esse ciclo concentrador de riqueza e poder, mas não muito. O teto de gastos, conquista do efêmero governo de Michel Temer, foi um passo na direção correta de mostrar aos burocratas que a exploração das classes produtoras pelo Estado tem um limite.

A pandemia obrigou o governo a mais do que pode. Isso se somou à já precária situação deixada pela irresponsabilidade fiscal do governo de Dilma Rousseff. Essa conta chegará neste ano e nos próximos. O livro de Giambiagi traça o perfil e mostra os predicados exigidos de um governante capaz de atacar com sucesso esse enorme e resistente desafio.

4 thoughts on “Déficit público provoca inflação ou elevação de impostos, mas o governo pouco se interessa

  1. Um povo manso como o nosso vai aguentar esses governantes até morrer. Ninguém se revolta. Os políticos fazem e acontecem, nos torturam o quanto podem e fica por isso mesmo. Até quando?

  2. O PSIQUIATRA EDNEI FREITAS ANALISA A CABEÇA DE LULA: ESSE TIPO DE PSICOPATA É DIFÍCIL DE CURAR E O PACIENTE NÃO MELHORA NA CADEIA – POR AUGUSTO NUNES

    Postado em 9 de Novembro de 2015
    Num comentário publicado no blog Tribuna da Internet, o psiquiatra Ednei Freitas fez um diagnóstico da personalidade de Lula. Os exames informam que o ex-presidente é portador de um tipo de transtorno dificilmente curável. Outra notícia pouco animadora para o Brasil decente: os afetados por essa disfunção não saem da cadeia melhor do que entraram. Confira o parecer do doutor. (AN)

    Embora não seja uma prática usual um psiquiatra apresentar uma prática diagnóstica de um sujeito que não examinou pessoalmente nem a ele pediu exame, vou apresentar aqui o que penso ser a personalidade de Lula por se tratar de figura pública e que tem afetado os brasileiros por suas vigarices.
    A antiga denominação do que tem o ex-presidente era Personalidade Psicopática. A classificação diagnóstica mudou. Hoje, na ONU, a CID-10 é chamado de Transtorno da Personalidade Anti-Social. A Associação Psiquiátrica Americana qualifica a DSM-IV-TR de Transtorno da Personalidade Dissocial.
    O quadro clínico para esse tipo de psicopata é assim descrito:
    “Os pacientes podem mostrar-se altivos e dignos de credibilidade ao entrevistador. Entretanto, sob a aparência (máscara de sanidade) existe tensão, hostilidade, irritabilidade e cólera. Entrevistas provocadoras de estresse, nas quais os pacientes são vigorosamente confrontados com inconsistências em suas histórias, podem ser necessárias para a revelação da patologia. Até mesmo os profissionais mais experientes já foram enganados por tais pacientes”.
    Uma investigação diagnóstica completa deve incluir um exame neurológico minucioso, uma vez que esses pacientes costumam exibir eletroencefalogramas anormais e leves sinais neurológicos sugestivos de um dano cerebral mínimo na infância.
    Os portadores da disfunção frequentemente apresentam um exterior normal e até mesmo agradável e cativante. Suas histórias, entretanto, revelam muitas áreas de funcionamento vital desordenado. Mentiras, faltas à escola, fugas de casa, furtos, brigas, promiscuidade com amantes e atividades ilegais são experiências típicas que, conforme relatos dos pacientes, começaram durante a infância. As personalidades anti-sociais frequentemente impressionam o clínico do sexo oposto com suas características exuberantes e sedutoras, mas os clínicos do mesmo sexo podem considerá-las manipuladoras e exigentes.
    Os indivíduos com personalidade anti-social demonstram uma ausência de ansiedade ou depressão, o que pode aparecer incongruente com suas situações, e suas próprias explicações do comportamento anti-social fazem-no parecer algo impensado. Ameaças de suicídio e preocupações somáticas podem ser comuns. Ainda assim, o conteúdo mental do paciente revela uma completa ausência de delírios e outros sinais de comportamento irracional. De fato, eles frequentemente demonstram um senso de teste de realidade aumentado e impressionam os observadores por terem uma boa inteligência verbal.
    Os pacientes com personalidade anti-social são altamente representados pelos chamados “vigaristas”. São exímios manipuladores e frequentemente capazes de convencer outros indivíduos a participar de esquemas que envolvam modos fáceis de obter dinheiro ou de adquirir fama e notoriedade, o que eventualmente pode levar os incautos à ruína financeira, embaraço social ou ambos.
    Não falam a verdade e não se pode confiar neles para levar adiante qualquer projeto, ou aderir a qualquer padrão convencional de moralidade. Promiscuidade, abuso do cônjuge, abuso infantil e condução de veículos sob os efeitos do álcool são eventos comuns. Há ausência de remorso por tais ações, ou seja, tais pacientes parecem desprovidos de consciência.
    As perspectivas de tratamento são sombrias. Os portadores desse transtorno são praticamente intratáveis. E a ressocialização penitenciária, quando presos, é nula.
    Augusto Nunes é colunista da Revista Veja

    Fonte: Veja.com

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