Delação premiada do coordenador do cartel já virou novela

Carlos Newton

Negociada, anunciada e esperada há meses, a delação premiada do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessoa, que funciona como coordenador do cartel das empreiteiras no esquema da Petrobras, virou uma novela que vai repetindo monotonamente os capítulos.

Na segunda-feira, diante do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro,Ricardo Pessoa ficou em silêncio. Ele é acusado de pagar propinas para obter contratos superfaturados na Petrobras, valores que seriam destinados a funcionários da estatal e a políticos. De acordo com o executivo da Setal, Augusto Mendonça, Pessoa coordenava o cartel de empreiteiras que loteava licitações na petroleira.

O advogado Alberto Zacharias Toron disse ao repórter Eduardo Militão, do Correio Braziliense, que a decisão foi baseada em informações que a defesa ainda está providenciando. “Estamos coletando provas e entendemos que agora não era o momento de falar”, resumiu.

Traduzindo esta declaração: na semana passada, quando Pessoa foi solto da prisão pelo Supremo, o advogado Toron afirmou que as negociações por uma delação premiada continuam sendo feitas com o Ministério Público.

OUTROS CONFIRMAM

Enquanto Pessoa se calava, outros executivos acusados de pagar propina confirmavam o funcionamento do esquema, como o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, o vice-presidente da empreiteira, Eduardo Leite, e o presidente do conselho de Administração, João Ricardo Auler. Os dois primeiros fecharam acordo de delação premiada. Leite admitiu que a empresa pagou R$ 110 milhões em subornos para obter contratos na Petrobras.

Ainda vão prestar depoimentos o dono da MO Consultoria, Waldomiro de Oliveira, cuja firma foi usada para lavar dinheiro do esquema, segundo o Ministério Público, e Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mário Negromonte. A Polícia Federal o acusa de ser transportador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef para parlamentares do PP.

7 thoughts on “Delação premiada do coordenador do cartel já virou novela

  1. Já faz alguns dias que eu escrevi que haveria uma delação ‘de peso’. Acho que agora vai sair. Ontem durante o seu depoimento já no processo, o Pessoa ficou calado. Não há outro sentido de ficar calado em juízo, durante uma fase de julgamento a não ser que uma premiada esteja em andamento.

    • O presidente da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessoa, e seu staff jurídico “trabalham” em dua frentes:

      1 – Enviam recados cada vez mais diretos ao chefão Lulla dizendo assim: EXIJO ABSOLVIÇÃO IMEDIATA,TOTAL E COMPLETA DA LAVA JATO. “SE VIRA COM SEUS INDICADOS”.

      2 – Sinalizando para o Dr Moro que aceita a delação premiada, SIM.

  2. Não acredito que esse cara vá dar uma de Marcos Valério, ficar calado e tomar muitos anos de “cana”. Considere-se que vivemos em um País de autoridades corruptas, em que os seus comparsas – dignatários dos três poderes constituídos – se entrelaçam nas responsabilidades, delitos e habilidades para salvarem a si próprios. E os outros, empresários, apesar do apadrinhamento político.. ah! estes pagam o pato: vide mensalão. Nem mais nem menos.

  3. Esse cara fará o acordo de delação premiada. No momento certo, quando puder sustentar com provas tudo o que dirá.

    E certamente dará a largada para novas delações premiadas.

  4. Alguém já buzinou pra ele que o silencio vale ouro, e que passarinho na muda não canta. Então o rapaz sabe de ante-mão que esta condenado a absolvição eterna, por ter contribuído para a companheirada se aboletar
    no poder.
    Não acredito que este cidadão, que mais parece um OGRO, vá dizer alguma coisa. Da cadeia, já passou a prisão(?) domiciliar, com direito a ter este tempo abatido na pena. Logo, logo, virá o relaxamento, Depois uma
    ínfima penalização e tudo continuará como dantes no quartel do lula abrantes. Quem viver, verá.
    As investigações se eternizam, os processos, idem. As condenações são miragens no imaginário popular. En-
    fim, acho tudo isto uma desnecessidade, que em nada vai dar. Ou nós não vivemos no Brasil.

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