Delator conta que Cabral pagava ‘mensalão’ a seis deputados da Assembleia

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Carlos Miranda distribuía as propinas de Sérgio Cabral

Mariana Queiroz e Marcelo Gomes
GloboNews

Apontado como o “homem da mala” do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, Carlos Miranda afirmou em colaboração premiada que Cabral, além de dar propina para senadores e deputados federais, pagava um mensalão a seis deputados estaduais, de vários partidos, para garantir o apoio deles ao governo na Assembleia Legislativa do Rio. É o que revelou trechos do depoimento ao qual a GloboNews teve acesso com exclusividade.

A delação de Carlos Miranda foi homologada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em 6 de março deste ano. Ele disse à Justiça que, no início do segundo mandato de Cabral no governo do Estado do Rio, em 2011, começou a ser feito um pagamento de R$ 100 mil ao deputado estadual André Correa, do DEM, que na época era o líder do governo na Casa.

MUITAS PROPINAS – Nas eleições deste ano, o deputado foi reeleito para o seu quinto mandato na Assembleia Legislativa do Rio. O delator afirmou que o compromisso de pagar ao deputado André Corrêa foi passada por Cabral a Pezão quando da transição de governo em março de 2014.

Outros cinco parlamentares da Alerj são citados na delação de Carlos Miranda. Ele contou que em todos esses casos a determinação para o pagamento de propina vinha de Wilson Carlos, ex-secretário de governo de Cabral. O objetivo era sempre o mesmo: garantir apoio dos deputados à base aliada do governo na Alerj.

Miranda disse que fez pagamentos mensais de R$ 80 mil a Marcos Abrahão, do Avante. Nas eleições deste ano, Abrahão se reelegeu para mais um mandato de deputado estadual. O delator disse que os pagamentos foram feitos entre o início de 2011 até março de 2014 para assegurar o apoio do deputado à base aliada do governo na Alerj.

OUTROS SUBORNADOS – Segundo Miranda, durante o mesmo período o deputado Luiz Martins, do PDT, também recebeu R$ 80 mil de propina por mês. Ele era líder do PDT na Alerj.

Outro citado por Carlos Miranda é o deputado estadual Marcus Vinicius Neskau, do PTB. O delator disse que Wilson Carlos determinou que ele pagasse R$ 50 mil por mês ao parlamentar para assegurar o apoio dele ao governo.

Segundo Miranda, os pagamentos feitos entre o início de 2011 até o deputado ser nomeado Secretário Estadual de Envelhecimento Saudável, em janeiro de 2013. Marcus Vinicius Neskau também foi reeleito para mais um mandato na Alerj nas eleições deste ano.

MAIS DEPUTADOS – Outro parlamentar estadual que, segundo Carlos Miranda, recebeu R$ 50 mil mensais no esquema foi Coronel Jairo, do Solidariedade. O delator diz que as entregas eram feitas no escritório pessoal do deputado, diretamente a ele. Coronel Jairo não conseguiu se reeleger nestas eleições.

Carlos Miranda revelou ainda que, no início do segundo mandato de Cabral, Wilson Carlos determinou que ele fizesse pagamentos mensais de R$ 20 mil também ao deputado estadual Marcelo Simão, que na época era do PHS. Este ano, ele foi candidato à reeleição pelo Progressitas, mas não conseguiu outro mandato na Alerj. O delator disse que o pagamento ao deputado era descontado do crédito de propina a receber da Fetranspor, a Federação das Empresas de Ônibus do Rio.

Carlos Miranda também citou a ex-deputada estadual Graça Matos, do MDB, mesmo partido de Cabral. Segundo o delator, no início do segundo governo Cabral, Wilson Carlos determinou que ele fizesse pagamentos de R$ 30 mil por mês à parlamentar. Os pagamentos, de acordo com Miranda, foram feitos entre 2011 e março de 2014. Graça se candidatou a deputada estadual este ano, mas não conseguiu se eleger.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Cabral era generoso com os cúmplices da Assembleia Legislativa. Mas o verdadeiro esquema de corrupção na Alerj funcionava há décadas sob comando da Fetransport, uma espécie de cartel das empresas de ônibus. Tudo foi descoberto, mas o chefão Jacob Barata Filho acabou sendo solto duas vezes por Gilmar Mendes, no Supremo. Ele, sempre ele. (C.N.)

4 thoughts on “Delator conta que Cabral pagava ‘mensalão’ a seis deputados da Assembleia

  1. Então a pergunta que não quer calar é porque Pezão ainda é o governador do Rio de Janeiro? A intenção era punir um culpado ou punir a culpados específicos como Cabral? Vamos colocar a coisa em seus pontos. O Rio ainda carece de boas opções na política, mas eleger Eduardo Paes é manter o mesmo grupo de Cabral e Lula, mesmo que em outro partido. Eleger Eduardo Paes é, na verdade, o mesmo que eleger seu vice como governador do Rio, pois a Lava jato não deixará que ele termine seu mandato. Ou pior, a Alerj não permitirá que a justiça seja feita.

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