Delegada que pediu extradição de Allan dos Santos foi afastada da Interpol pela direção da PF

Aos colegas, delegada responsável por extradição de Allan dos Santos disse estar 'incrédula' com ordem da PF para abandonar posto na Interpol

Delegada quer saber por que está sendo afastada da Interpol

Rayssa Motta e Fausto Macedo

A ordem para retornar ao trabalho na superintendência da Polícia Federal em Brasília pegou a delegada Dominique de Castro Oliveira de surpresa. Em mensagem enviada aos colegas nesta quarta-feira, 1º, ela disse que o sentimento é de incredulidade. “Há a forte sensação de revolta e de estar sendo injustiçada”, escreveu.

Há 16 meses, Dominique atuava na Interpol. Ela foi a responsável pela ordem de prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que foi colocado na lista de difusão vermelha da organização – sistema de alerta para captura de foragidos internacionais.

CUMPRIU O DEVER – Na prática, a delegada apenas recebeu o mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal, reviu a documentação relacionada, produziu a minuta e encaminhou o pedido para publicação.

“Supostamente eu fiz algum comentário que contrariou. Qual foi, quando, para quem, em que contexto e ambiente, não sei. A chefia também disse que não sabe, cumpriu uma ordem que recebeu”, diz outro trecho da mensagem encaminhada a outros  delegados.

Dominique é reconhecida pelos colegas pela produtividade. Na Interpol, ajudou a capturar foragidos internacionais da máfia ‘Ndrangheta. O trabalho na organização de polícia internacional não tinha prazo determinado para acabar.

SEM JUSTIFICATIVA – Em nota, a Polícia Federal negou que o remanejamento da delegada tenha relação com o processo de extradição de Allan dos Santos, mas não explicou o motivo da troca. O Estadão apurou que a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) analisa se há medidas cabíveis no caso.

No mês passado, o comando da corporação também exonerou a chefe da Diretoria de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI), a delegada Silvia Amelia, que assinou o pedido de extradição.

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SENSAÇÃO DE REVOLTA PELA INJUSTIÇA

Acabo de ser comunicada de que a direção determinou minha saída da INTERPOL e apresentação na SR/DF. Supostamente eu fiz algum comentário que contrariou. Qual foi, quando, para quem, em que contexto e ambiente, não sei. A chefia também disse que não sabe, cumpriu uma ordem que recebeu.

Naturalmente, o sentimento que me invade neste momento não é o melhor. Além da incredulidade, há a forte sensação de revolta e de estar sendo injustiçada, inclusive por não ter nenhuma função de confiança na INTERPOL, nem mesmo a substituição da chefia. Porém, ao comentar minha “expulsão” da INTERPOL com um colega muito admirado, ele me devolveu a seguinte pergunta: “O que você fez de certo?”

ALTA PRODUTIVIDADE – Nos 16 meses em que trabalhei na INTERPOL fui a delegada que mais produziu, sendo que em alguns meses produzi mais que todos os demais delegados, juntos.

No recorde de prisões de foragidos internacionais que batemos esse ano, 9 de cada 10 representações foram elaboradas por mim. Pela minha atuação no Projeto I-CAN (International Cooperation Against ‘Ndrangheta) recebi elogios do Ministério da Justiça italiano e da Secretaria-Geral da INTERPOL, em Lyon.

Mesmo com a trágica morte de meu companheiro Victor Spinelli, em maio passado, não peguei um único dia de licença médica e apenas 15 dias após sua morte trabalhei duro, entre lágrimas, para prender o número 01 dos foragidos internacionais da ‘Ndranghet’ no mundo.

FIZ O QUE É CERTO – Isso sem falar das relações pessoais e institucionais sólidas que criei: com os adidos estrangeiros, com o STF e PGR, com as representações regionais e com os analistas do “salão”. Nunca uma pergunta ficou sem resposta ou uma demanda deixou de ser atendida por mim.

Eu tenho uma história de mais de 18 anos de atuação na Polícia Federal como Delegada de Polícia Federal, a grande maior parte na atividade-fim, como investigadora, chefe de equipe, coordenadora de operações e, principalmente, líder. Coisas que só podem ser valorizadas e respeitadas por quem sabe discernir e já fez o que é certo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quem afasta e remaneja delegado na Interpol é o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, aquele que foi nomeado por Bolsonaro após a demissão do ministro Sérgio Moro, aquele que não admitia interferências na corporação. Na Polícia Federal, segundo a jornalista Naíra Trindade, esse Maiurino é conhecido como o “Delegado Maçaneta”, porque não fez carreira investigando crimes e arriscando a vida, mas como “assessor” de diretores, abrindo portas para eles passarem. O apelido diz tudo neste caso. (C.N.)

11 thoughts on “Delegada que pediu extradição de Allan dos Santos foi afastada da Interpol pela direção da PF

  1. No os governos Lula e Dilma, podem dizerem o que quiserem, inventar narrativas de todas as matrizes, mas, nunca poderão dizer, que houve interferência na Polícia Federal. Os delegados tinham completa autonomia para investigar todos, sem excessão, inclusive membros do governo.
    Lembro, que o Ministro da Justiça de Dilma, o jurista José Eduardo Cardoso, nunca soube antecipadamente de Operações da PF e nunca trocou delegado por motivos políticos e ideológicos.
    Tai, um contraponto interessante, que os delegados perplexos estão percebendo essa gigantesca diferença.

  2. Tem uma artista da Globo aí veterana, que declarou seu pavor, seu medo do PT, em 2002, quando Lula assumiu. Perdeu, porque não houve supressão das liberdades, nem ameaça a democracia, nem interferência na Polícia Federal, como agora, comesse episódio, que saiu em todos os jornais.
    Não estou inventando mentiras não, hein. Por favor.

  3. No México, um país que sempre foi muito mais subjugado aos EUA do que o Brasil jamais foi, o centrista López Obrador nacionalizou o petróleo, a eletricidade e iniciou a nacionalização do lítio, aumentou o valor das aposentadorias e reduziu o tempo de contribuição, criou um banco público, que já conta com mais de mil agências, para fornecer crédito a políticas sociais e desenvolvimento local, está realizando rapidamente grandes obras industriais e de infraestrutura em regiões menos desenvolvidas, decretou as obras públicas como sendo de segurança nacional, isto é, imunes a intervenções judiciais, criou uma vacina nacional,…

    Como é que o México, totalmente atrelado aos EUA, sem nenhuma revolução, sem gulag nem nada do tipo, consegue fazer tudo isso com certa tranquilidade e, no Brasil, medidas desse tipo, longe de serem tentadas, sequer são cogitadas, muitas delas já há décadas? Porque os dirigentes brasileiros, seja de direita, de esquerda, de centro, de frente ou de traseira, não querem. Simples assim.

  4. https://scontent-gig2-1.xx.fbcdn.net/v/t39.30808-6/261768929_1725283421002238_1971920019011040575_n.jpg?_nc_cat=111&ccb=1-5&_nc_sid=8bfeb9&_nc_ohc=eHZPVrqIZKkAX87-_5h&_nc_ht=scontent-gig2-1.xx&oh=1abbec041db9feb4e75c7f9b9b206fc5&oe=61AE465F

    O economista norte-americano John Kenneth Galbraith, em seu livro “O Pensamento Econômico em Perspectiva – uma história crítica”, mandando a real sobre a palhaçada de “Escola Austríaca de Economia”. Para sorte dos austríacos, ela jamais foi implementada lá (apesar de algumas poucas tentativas) e, para nosso azar, é a matriz dos bolsonaristas e dos demais ditos “liberais”, referência de Instituto Millenium, Instituto Mises e outras pragas.

  5. Depois de BROXAnaro, Salvador

    … BolsoMoro 2.0

    tudo se torna motivo para forjar mais um “salvador”.

    Isso na boca de um teleguiado neo-evangélico pode ser desculpável.

    Isso na boca de miliciano é compreensível

    … mas da pena de um jornalista esclarecido…

  6. E desde quando o STF dá ordens diretas aos delegados da PF? Só idiotas acreditam nessa patacoada.

    O linguajar da nota da delegada é claramente vitimista e cheio de mimimi. Pra felicidade geral da nação, mais uma militante do narco-socialismo petralha desmascarada e defenestrada das funções decisórias do serviço público. Foi exatamente pra isso que o povo elegeu Bolsonaro, primeiro desaparelhar o Executivo , depois limpar o STF, varrendo pra lata de lixo os aliados do narcotráfico (outro chefe do PCC, alaido do André do RAP, foi solto pela “justiça”).

    É o pó! É o pó!

  7. O arquicriminoso Alan dos Santos deixou na poeira Dilinger, Al Capone, Lampião e Ronald Biggs.
    Todas as mafias do mundo estão com medo desse tal Alan assumir o comando de tudo.
    A alta periculosidade do criminoso é tanta que derrubou a delegada da Interpol.

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