Delegado do caso Marielle vai passar quatro meses na Itália, em intercâmbio

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Witzel afastou os rumores sobre o “afastamento” do delegado

Roberta Jansen
Estadão

Principal responsável pelas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), o delegado Giniton Lages não participará da segunda etapa da apuração do crime – que terá como objetivo principal determinar os mandantes da execução e as razões. O governador Wilson Witzel (PSC) informou no início da tarde desta quarta-feira que Lages está deixando a função para fazer um intercâmbio de quatro meses na Itália.

Durante a investigação, Lages foi acusado de pressionar suspeitos a confessarem participação no crime, o que acabou levando a Procuradoria Geral da República a determinar uma investigação federal sobre a investigação do crime.

DIZ WITZEL – “Ele não está sendo exonerado”, frisou o governador, rebatendo rumores que estavam circulando desde o início da manhã. “Também não está sendo afastado de nada; ele encerrou uma fase da investigação e, agora, outra autoridade vai assumir o caso para, eventualmente, determinar o mandante.”

O governador explicou ainda que o convite para o intercâmbio foi feito ao delegado na última terça-feira, mesmo dia em que foram anunciados o encerramento da primeira fase da investigação do caso Marielle e as prisões do PM reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e do ex-PM Élcio Queiroz, de 46 anos, acusados, respectivamente, de efetuar os disparos e conduzir o veículo no dia do crime.

“Como ele (Giniton) está com essa experiência toda adquirida do caso e nós estamos com esse intercâmbio com a Itália exatamente para estudar a máfia e os movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência com a polícia italiana”, afirmou o governador.

“ESGOTADO” – Segundo Witzel, a substituição de Lages não trará prejuízos à investigação. “Ele (Giniton) está cansado, esgotado”, justificou. “O conhecimento da investigação foi compartilhado com outros delegados; mudar um delegado para colocar outro, mais descansado, é natural; trata-se de uma melhoria da capacidade investigativa.”

Ao longo da investigação, Giniton Lages foi acusado de pressionar suspeitos para confessarem sua participação no assassinato da vereadora. Foi por conta dessa acusação, inclusive, que a procuradora-geral da república, Raquel Dodge, determinou, em novembro passado, que a Polícia Federal apurasse se havia alguma interferência de autoridades policiais na apuração do crime, instituindo o que se chamou de ‘a investigação da investigação’.

TESTEMUNHA – A acusação partiu do ex-PM Orlando de Curicica, que se encontra preso em um presídio de segurança máxima no Rio Grande do Norte, e que foi apontado por uma testemunha-chave de ter sido o responsável – juntamente como vereador Marcelo Siciliano – pelo crime. Essa testemunha, um ex-braço direito de Curicica, contou que teria presenciado uma conversa entre o chefe e o vereador, tratando da morte de Marielle Franco.

Curicica e Siciliano sempre negaram a acusação. Curicica, inclusive, acusou o delegado de o estar pressionando a confessar a participação no crime. Na manhã de terça-feira, durante a entrevista coletiva em que anunciou o encerramento da primeira fase da investigação do crime, Giniton Lages afirmou que a tal testemunha-chave teria voltado atrás em seu depoimento e admitido que teria feito as acusações para se livrar de uma suposta perseguição do ex-chefe. Também na coletiva, Lages afirmou que a participação de Siciliano, bem como a de outras pessoas, não estava descartada.

LEGITIMAÇÃO – “Em nenhum momento a DH (Delegacia de Homicídios) legitimou ou deixou de legitimar qualquer linha de investigação”, disse o delegado. “A testemunha voltou atrás de seu depoimento, mas não afastamos nenhuma linha para a segunda fase do inquérito. Nem Siciliano nem ninguém está afastado.”

O vereador voltou a negar sua participação no caso. “Eu espero a resolução desse caso o mais rápido possível para poder tocar normalmente a minha vida”, afirmou Siciliano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o afastamento do delegado foi um prêmio por sua dedicação, porque ganhou quatro meses de férias na Itália, em plena primavera e depois início de verão. Nada mal. O delegado Lages merece. (C.N.)

8 thoughts on “Delegado do caso Marielle vai passar quatro meses na Itália, em intercâmbio

  1. No, no stai…
    nao está sendo exonerado, mas EXTRIPADO….
    Ouviu o que nao devia ter ouvido, falou o que nao poderia ser dito, ou encravou a unha do pé….
    Sai com “férias” de coxinha na terra da mortadela…
    Governo bão é ílsso!!

  2. Ao noticiar massacre em Suzano, imprensa estrangeira destaca decreto de armas adotado por Bolsonaro

    https://goo.gl/8PWMWb

    Um dos atiradores do.massacre de Suzano, Guilhermee Taucci Monteiro, de 17 anos, era amante de armas e apoiador de Jair Bolsonaro.

    Sites de disseminação de ódio na darknet comemoram massacre em Suzano

    Que tragédia!! Em todos os sentidos…

    • E, enquanto isso, milhões de Venezuelanos INOCENTES pedindo socorro (os que ainda sobrevivem) sendo punidos pelo regime cruel de um déspota louco e genocida. E o Sr. Cardoso, canalha, defensor de Maduro, tem a coragem e desfaçatez de se mostrar preocupado com o decreto de armas do presidente Bolsonaro. Repugnante! Deveria ser banido!

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