Delegado Segóvia, “por qué no te callas?”

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Charge do Kleber Sales (Estadão)

Jorge Béja

Fernando Segóvia, que pelo nome certamente tem ancestrais espanhóis, quiçá oriundos da encantadora Segóvia a poucos passos de Madri, está se saindo muito mal como diretor-geral da Polícia Federal. A primeira mancada foi em novembro de 2017, quando assumiu a direção geral da instituição. Referindo-se ao episódio da corridinha com a mala entupida de dinheiro vivo, que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-MG), então assessor do presidente Michel Temer e seu homem de confiança, empreendeu após receber mala e dinheiro do executivo Ricardo Saud, da JBS, Segóvia questionou publicamente se “uma única mala” seria suficiente para determinar se houve ou não crime.

Depois veio a nomeação de Felício Laterça, então delegado federal em Macaé, para ser o superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro. Não durou muito e Segóvia se viu obrigado a anular a nomeação por razões que nem precisam ser repetidas aqui. E agora, Segóvia mais uma vez abriu a boca e em entrevista acenou com a possibilidade do arquivamento do inquérito policial que investiga se o presidente Temer cometeu crime de favorecimento, no cabeludo caso do “decreto dos portos”.

DISSE O REI – Saiba o delegado-chefe da Polícia Federal que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF — a quem Segóvia é seu jurisdicionado e ao ministro Segóvia também deve obediência — já mostrou que vai ser muito mais rigoroso com o diretor-geral da PF do Brasil do que foi o Rei Juan Carlos da Espanha quando, na XVII Conferência Ibero-Americana realizada em Santiago do Chile, em 2007, não suportando mais as inoportunas e grosseiras intervenções de Hugo Chavez, que interrompia o discurso do primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero, o Rei levantou-se e, dirigindo-se a Chavez,  furioso, disse em voz alta: “Por qué no te callas?”.

Delegado Fernando Segóvia, o senhor é apenas o diretor-geral da Polícia Federal. Sua autoridade perante seus subordinados, inclusive colegas seus, também delegados de polícia, é meramente administrativa. E nada mais do que administrativa. O senhor não preside inquérito policial algum. O senhor está, moral e legalmente impedido — caso não estivesse juridicamente impossibilitado, como está — de comentar, em público ou não, sobre inquérito que o senhor não preside e que, por descuido e ilegitimamente, esteja de toda a investigação inteirado. E ainda que presidisse, o decoro exigiria e exige o silêncio.

SEM ENTREVISTAS – Se Delegado de Polícia que preside inquérito policial não pode dar entrevistas nem revelar o que contém os autos do inquérito, muito menos seu chefe hierárquico e diretor-geral da instituição.

E mais: no escabroso caso do “decreto dos portos”, somente o ministro Luis Roberto Barroso (autoridade judicial) tem o poder legal para ordenar seu arquivamento. A prerrogativa do delegado de polícia (autoridade judiciária), que preside o inquérito policial, e do Ministério Público, que tenha solicitado sua instauração, não vai além do direito de pedir o arquivamento, pedido que pode ou não ser acolhido pela autoridade judicial, no caso o ministro Barroso. Delegado não arquiva inquérito policial, doutor Segóvia. Nem o Ministério Público, ainda que titular da ação penal que do inquérito possa gerar, tem a prerrogativa de arquivar inquérito policial.

Doutor Segóvia, parece que o senhor não está dando certo na chefia da Polícia Federal brasileira. Em tão pouco tempo, três mancadas. Que feio! O exercício do seu cargo exige solenidade, austeridade, discrição, independência, imparcialidade, serenidade, sabedoria jurídica e tantos outros deveres que o povo brasileiro espera de um diretor-geral da Polícia Federal.  E a polícia que o senhor passou a ser o chefe máximo é instituição criada para a defesa do Estado Nacional, a defesa do Brasil e de todo o seu patrimônio, material e imaterial.

NO PASSADO – Doutor Segóvia, saiba o senhor que, no passado não tão remoto, já tive como adversário (não, como inimigo), o então advogado Luis Roberto Barroso, num famoso pleito judicial aqui no Rio de Janeiro cujo resultado ultrapassou as fronteiras do país. O doutor Barroso joga limpo. Não se acovarda. Conhece a Ciência do Direito, numa visão, sublimação e plenitude que só os predestinados têm. E neste Brasil de hoje, qual o outro predestinado?

Doutor Segóvia, seja o mais reverente e verdadeiro,com o ministro Barroso, com a instituição Polícia Federal, com o Brasil e todo o seu povo. Somos mais de duzentos milhões a vigiar a sua atuação. E temos uma imprensa livre. Doutor Segóvia, para o bem do povo e para a felicidade geral da Nação, “por qué no te callas”? 

17 thoughts on “Delegado Segóvia, “por qué no te callas?”

    • Segovia e Dodge foram indicados por Temer para completarem a missão “Abafa a Jato”.

      E o estão fazendo…

      Raquel Dodge está prevaricando e essa atuação da PGR de Temer é inaceitável !

      Raquel Dodge é a Prevaricadora Geral da República !!!

      Já era pra PGR ter feito a 3ª denúncia contra Temer no caso da MP do porto de Santos faz meses !!!

      Mas Raquel Dodge, a Prevaricadora Geral da República, foi escolhida por Temer justamente pra isso: continuar engavetando essa denúncia !

    • Mara, bandos e seus defensores, nunca mancham a carreira. Eles, nasceram com o diabo no corpo e a carreira é apenas um forma de pisar nos outros. No nosso caso, o Segóvia só pensa em como vai usar os nossos impostos em benefício próprio. Um bandido, igual ao Temer, ao Lula, a Dilma, ao Aécio, ao Sarney, ao Maluf e a lista é interminável, sem falar no Tofolli e no Lewandowski.

    • E essa reedição da Reuters, tirando da boca de Segóvia o que ele disse e foi publicado na edição de 6a. feira, essa reedição fajuta, tal como a emenda, saiu pior do que o soneto. É a desmoralização da Reuters. O ministro Barroso não vai engolir isso. Creio que a situação até piorou. Agora a direção da Reuters no Brasil pode também ser responsabilizada.

  1. Há coisas piores que prejudicam o país, não estou defendendo o diretor da PF, ele precisa responder, mas a noticia que li hoje na Folha de SP é ainda pior, tais benesses o cidadão comum que queira abrir um pequeno negócio e procura o BNDES, será exigido garantias, ao contrário de Luciano Huck, conseguiu empréstimo para comprar um avião, parte do financiamento ficará com o tesouro nacional, foi por isto que Leonel Brizola falava dos financiamentos obtidos pela rede globo junto a CEF, sem juros, poderes desgraçados e corporativistas deste país.

  2. Dr. Jorge Béja deu uma espetacular paulada em Segóvia, com este excelente artigo.

    Mas foi uma paulada com todo o respeito e educação.

    Caso Segóvia leia o texto, provavelmente ficará atordoado durante um bom tempo.

    Parabéns, Dr. Jorge Béja.

  3. Se tivesse dignidade devería pedir para sair . Com certeza moralmente perdeu o comando e o respeito da instituição . Aliás segundo as boas línguas , a própria corporação nunca o viu com bons olhos

  4. Enquanto os políticos ficam de frescura, mais um jovem, David, de futuro brilhante, morre assassinado por assaltantes no Rio de Janeiro. Os políticos brasileiros estão caxxxdo e andando para a população. O Estado precisa ser limpo desses escrotos que o administram, pois são de uma incompetencia absurda. Mas passaram incompetencia, se tornaram bandidos, deixando nossos filhos serem mortos como gado nas ruas.. Estamos cheios de vocês!!! Gabriel, o Pensador disse tudo no Fantástico hoje, me representa

  5. Dr. Jorge Béja,
    somente agora tenho oportunidade de agradecer-lhe.
    Sim, agradecer-lhe.
    Sou-lhe muito grato pelos magníficos ensinamentos que o senhor proporciona aos que têm o privilégio de abeberar-se em todo e qualquer escrito de sua lavra; e de modo particular, muito tenho aprendido com a leitura de seus trabalhos.
    Como seria vantajoso para o Brasil e os brasileiros, se alguns muitos dos que, apenas por serem apadrinhados e apaniguados, “ocupam” os ‘Supremos’ e os ‘Superiores’, tivessem pelo menos um mínimo de seus conhecimentos, de sua hombridade, sua decência, sua moral.

  6. QUE DIFERENÇA ENTRE O AIELO E O SEGOVIA!!!

    O sujeito é um infeliz que não sabe como chegou ao cargo e tenta agradar ao seu patrão que o no meu. Sujeito sem moral, ética e vergonha.

    Cada vez que “abre a boca” somente faz trapalhada. Depois tenta dizer que não disse o que disse. Na primeira declaração (da mala com meio milhao que nao seria provaj já quase fez o mesmo.

    Se tivesse vergonha e moral RENUNCIARIA, porém pedir isso neste tipo de gente difícil acreditar que pedisse ele a renúncia.

  7. Se crime é definido pelo quantidade do meio utilizado para perpretá-lo ( daí uma só mala cheia de bufunfa roubada não chegar a incriminar o Loures), pergunto-me se no assassinato executado com um só tiro é válida essa premissa estranha.

  8. Segóvia precisa ir embora pela porta dos fundos, e enfiar sua cabeça num buraco.

    De repente o país se esquece dele é de suas péssimas intenções desveladas.

  9. Nosso censor-revisor foi incisivo, tanta certeza tem ele. Escreveu que “o correto seria,,,”.
    E aconselha seja feita a correção.

    Não, prezado revisor. A vírgula está bem posta e foi necessária para compreender que o então advogado Luis Roberto Barroso foi meu adversário apenas nos autos do processo em que eu advogava para a parte autora e Barroso para a parte ré, a parte demandada.

    Eis a prova:

    Se colocar o “não” no final da frase ou da curta oração, para demostrar que Barroso não foi e nem era meu inimigo, mas apenas defensor da parte contra quem eu demandava (“como inimigo, não”), é preciso e correto usar a vírgula para dar à frase o sentido que se lhe empresta.

    A recíproca é no mesmo sentido. Se colocar o “não” no início da mesma frase ou da curta oração, por que se haverá de dispensar a vírgula, se o sentido é o mesmíssimo (“não, como inimigo”)?.

    Na oração revista, censurada e objeto do pedido para que seja corrigida, a dispensa da vírgula só teria lugar se, precedendo ao advérbio “não” fosse colocada a conjunção “mas”: “mas não como inimigo”.

    De sorte que, esteja o “não” no início ou no final da frase, a vírgula é indispensável para traduzir o sentido de que Barroso foi meu adversário. Não, inimigo. Ou: Mas não inimigo.

  10. Dr. Béja, assino, a lembrança do protesto do Rei, cabe muito bem ao Dr. Segovia. Infelizmente o Brasil sobrevive em meio a uma corrupção monumental dos 3 podres poderes, e 220 milhões, subjugados de forma escrava, às grandes quadrilhas hediondas da caneta sediadas em Brasília. Dr. Béja, o Ministro Barroso vem honrando a Srª Justiça e sua Consciência: Tribunal Divino. Que Deus o abençoe e ilumine, para continuar essa empreitada de fazer Justiça.

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