Delfim Neto, o arauto dele mesmo, 12 anos Ministro da Fazenda, todos eles na ditadura: “Quem teve esse animal chamado DOMESTICA, teve, quem não teve, não terá mais”. Cabralzinho não pensa (?) assim.

Helio Fernandes

Desde 1964, vive uma existência de rei. Estava chegando aos 30 anos, ninguém o conhecia, mas exibia um ego e uma ambição indescritíveis. Tinha certeza que se chegasse ao Poder, se realizaria completamente e para sempre.

Ninguém sabe como, (a indicação foi de empresários da FIESP) mas quem alicerçou, elevou e consolidou a nomeação para secretario de Fazenda de São Paulo? Não interessa o patrono, chegou ao Poder, mesmo não total, apenas estadual. Mas chegou e não parou mais, como sempre sonhou, imaginou, almejou.

Secretario paulista no inicio da ditadura, logo em 1967, (15 de março) chegou ao maximo, não esperava que fosse tão rápido. Embalado por banqueiros, seguradoras e outros empresários vorazes, gananciosos, satisfeitíssimos e confiantes, foi Ministro da Fazenda. Que maravilha viver.

Costa e Silva foi considerado INCAPACITADO pouco mais de 2 anos depois, buscaram desesperadamente um substituto, encontraram Garrastazu Médici. Vetaram Orlando Geisel, referendaram o então Chefe do SNI, com uma exigência que ninguém contestou: “Delfim Neto tem que continuar Ministro da Fazenda”. Continuou.

Cumpriu todos os anos de Médici, veio Ernesto Geisel, que tinha horror a ele. Não o nomeou para nada, queria ser “governador” de SP, nem isso conseguiu. Geisel entregou as aspas a Paulo Egidio Martins, um jovem carioca, típico play-boy, que frequentava as boates de jovens. Principalmente o “banana flaks”, na Avenida Copacabana, pegado ao cinema Roxi.

Delfim ficou desesperado, assustado com o que parecia o início do ostracismo. Mas estava bem longe disso, tinha protetores importantes, que o ajudaram. E foi o próprio “governador” Paulo Egidio, que pediu a Geisel para nomea-lo embaixador na França, cargo que estava vago.

Surpreendentemente, Delfim não queria aceitar. Foi demovido por amigos intimissimos, (alguns dos 12 que levou para Paris com ele) que lhe disseram: “Delfim, se você ficar aqui, será triturado pela ditadura. Como embaixador, terá tempo e oportunidade para completar sua formação”. Ele ouvindo, até que concluíram de forma fulminante, convincente e irrespondivel:

“Você não fala nenhuma língua a não ser o inglês da faculdade. Além disso, leu muito pouco, puxa, como embaixador, poderá completar e se preparar de volta”.

Concordou, lógico. Em Paris, começou a se mostrar. Teve logo duas casas, uma na margem esquerda, onde morava com a família, particular. A outra, na margem direita, era a oficial, já não a tradicional, do embaixador Souza Dantas, dos tempos de Osvaldo Aranha.

E entrou rígido na área dos negócios, perdão, negociatas. Os “amigos” dos bancos e das seguradoras, não tiveram o menor receio da repercussão. Em Paris, (e na França) não se falava outra coisa. Pois a atuação do embaixador e do seu grupo, era acintosa, estabanada e desrespeitosa.

Lá, sabiam de viva voz, aqui, silencio completo. Até que chegou o que passou a ser chamado de “Relatório Saraiva”. Era um minucioso, fundamentado e bem fundado conjunto de acusações, montado, acumulado e relacionado pelo Adido do Exercito na França, Coronel Saraiva.

Foi enviado para o Ministro do Exercito e para o Alto Comando. Reunidos, decidiram ignorar as acusações e sacrificar o brilhante Adido. Esses Adidos, (do Exercito, Marinha e Aeronáutica)  ficam apenas dois anos, assim que completam o tempo, voltam, existem filas nas três armas para assumirem esses cargos. São escolhidos entre os 10 primeiros, quando voltam, “estão na bica”, (linguagem militar) para irem a oficiais-generais.

No caso do Coronel Saraiva, em plena ditadura militar, inovaram, sacrificaram o coronel, deixaram intocado o embaixador corrupto. Saraiva foi passado para a reserva, Delfim foi ministro da Agricultura de Figueiredo e 6 meses depois da posse, como o Brasil inteiro sabia que Simonsen não queria continuar (e saiu mesmo) Delfim mudou e foi ministro da Fazenda mais 5 anos e meio.

A censura estava acabando depois de 10 anos ininterruptos (aqui na Tribuna, só aqui), publiquei na integra o Relatório Saraiva. Que escândalo, que sem vergonhice, que repercussão. Não aconteceu nada a Delfim, mas ele ficou com medo e passou a se eleger deputado Federal. Motivo? Como deputado, se fosse preso ou processsado, teria que ser julgado pelo Supremo.

Muito antes de Daniel Dantas, o famoso e escandaloso ministro-embaixador, já sabia: “Só tenho medo da policia, lá em cima eu resolvo”. Sabia disso, mas foi se elegendo deputado. Que personagem, que vida, que trajeto confortável e discreto. Todos acreditam que vive modesta e pobremente. Ha!Ha!Ha!  

*** 

PS – Existe muito a contar, mas seriam necessários vários livros. Peguemos agora o seu primeiro pronunciamento sobre servidores, incluindo as empregadas domesticas, que segundo ele, “vão acabar”. (Naturalmente, menos as dele).

PS2 – Serginho cabralzinho riu muito quando leu as afirmações do ex-ministro. E mandou mensagem à Alerj, concedendo aumento para 2 milhões de trabalhadores. Só que cabralzinho não controla mais a Alerj como no seu tempo e no de Picciani, esse projeto recebeu 89 emendas.

PS3 – A votação teve que ser adiada, pois a Alerj deu aumento maior do que o de cabralzinho, e ele não se conforma. Desde janeiro de 2010, as domesticas tinham o mínimo de 582 reais.

PS4 – Os deputados aumentaram para 670/690 reais, retroagido a janeiro. Paulo Melo comunicou a cabralzinho, “que menos do que isso não passa”. Dizem que fizeram acordo.

PS5 – Delfim não sabe de nada foram do enriquecimento seja de quem for. Existem mais de 1 milhao de empregadas domesticas, a grande maioria entre Rio, São Paulo e Minas. Não vão acabar.

PS6 – O habito, costume e tradição, (que gostam de chamar de “cultura”) é diferente da Europa e principalmente EUA. Aqui, a elite enriquecida explora as domesticas no excesso de trabalho e no salário. Não vivem sem elas.

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