Delfim Netto, o homem do “Bistrô”, do “empréstimo” para a ponte Rio-Niterói, das acusações do “Relatório Saraiva” (em Paris), da fraude, farsa e falsificação da inflação, quer voltar aos 82 anos, brigando com Collor, cujo plano chamou de “GENIAL” e agora nega

Apesar de jamais ter trabalhado na vida, sempre muito criativo, Delfim Netto teve “a grande ideia” de nascer num 1º de maio. Agora estará completando 82 anos, virgem (?) de tudo o que pode favorecer a comunidade, sempre teve amor pela individualidade. Acreditava que daí é que teria surgido a LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE da Revolução francesa.

Foi sempre estranho, exótico, displicente, menos em relação a favores para seu grupo e para ele mesmo. Se algum dia morrer, não acredito, duas frases terão que ser encampadas na sua última e definitiva morada.

A primeira, ministro da Fazenda: “O GOVERNO É OBRIGATORIAMENTE AÉTICO”. Ninguém contestou na época, ele muito poderoso, perigoso, mas dadivoso.

A segunda, como frequentador da boemia do Rio, ainda ministro, sempre cercado pelos meninos (não da Vila Belmiro) que o adoravam, a reciprocidade era verdadeira. Textual: “Os dias do Poder são extraordinários, mas as noites, ah!, as noites do Poder são embriagadoras”.

Tendo sido agredido “pelos seus meninos”, o grande jornalista Oliveira Bastos ainda foi processado no STM, (Superior Tribunal Militar) que em plena ditadura, se recusou a julgar o jornalista, arquivou o processo.

Ligadíssimo a Roberto Campos, foi feito secretário da Fazenda de São Paulo, e menos de 1 ano depois, com a posse de Costa e Silva, veio para o Ministério da Fazenda.

Foi o auge da farsa, da mentira, do “milagre brasileiro”, da “inflação baixa” (Ha!Ha!Ha!), criticado, veladamente, pelos mais diversos economistas.

Incapacitado Costa e Silva, assumiu Garrastazu Medici, que ficaria até 1974. Não gostava muito de Delfim, mas o que fazer? Só que quando o ministro falava em “milagre brasileiro”, o “presidente” arranjava um jeito de pronunciar e repetir a única frase que deixou: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. (A frase é do brilhante general Otavio Costa, que trabalhou, sem sucesso, para que houvesse eleição direta depois de Medici).

Sucedendo Medici, apareceu Ernesto Geisel, que tinha horror a Delfim. Não foi nomeado para coisa alguma, queria ser “governador de São Paulo, segundo ele, “4 anos em São Paulo, serei o primeiro presidente civil, em 1979”. Geisel nomeou para São Paulo, o carioca Paulo Egidio Martins, revolta e desespero para o ministro, que desaparecia, apavorado.

Mas foi “beneficiado” (MAIS?) pelo próprio “governador” Paulo Egidio, que disse ao “presidente” Geisel: “Não posso governar São Paulo com Delfim lá. Como a Fiesp jamais recebeu tantos favores, em toda e qualquer oportunidade, os empresários nem chegam até mim, só querem saber do Delfim”.

Pragmático, Geisel mandou convidar Delfim para embaixador na França, pasmem, RECUSOU. Até que intimíssimos amigos alertaram: “Delfim, ficando aqui, você vai acabar preso. Lá terá tempo de estudar, mal fala inglês, vai aprender francês, aceita, Delfim”. Aceitou.

Aqui já era acusadíssimo por levar comissão em tudo, mas nada parecido com o que foi gasto na Ponte Rio-Niterói. Era o sonho de dezenas de anos, realizou com o ministro dos Transportes, mas ele comandando tudo.

Conseguiu “empréstimo” de 800 milhões na Inglaterra, a juros de 14 por cento ao ano. Agora, verifiquem, constatem, se estarreçam: a ponte era construída de ferro, BRASILEIRO, madeira, BRASILEIRA, cimento, BRASILEIRO, pedra, BRASILEIRA, água, BRASILEIRA, areia, BRASILEIRA, tijolo, BRASILEIRO, terra, BRASILEIRA, mão de obra, BRASILEIRA, para quê o “empréstimo”?

Como divulgava que o governo “tem que ser obrigatoriamente aético”, sabia que sem EMPRÉSTIMO NÃO HÁ COMISSÃO. Com 39 anos foi pela primeira vez ministro. Passou por 3 “presidentes”: Costa e Silva, Medici, João Figueiredo. Mas o melhor ainda viria, precisamente do cargo que pretendia recusar, o de embaixador.

Foi a grande farra da vida grandiosa, proveitosa e prazerosa do ministro-embaixador. Montou dois endereços: na “margem direita”, a confortável e agradável embaixada. Na “margem esquerda”, a mansão senhorial, que os empresários franceses adoravam e diziam: “Para fazer negócio com o embaixador Delfim, existem muitos lugares”. Ficou escandaloso demais, público e notório.

Surgiu então o arrasador RELATÓRIO SARAIVA, que publiquei em parte, realmente inacreditável, grande vitória do embaixador.

O autor do documento, coronel Saraiva, era o que se chama no Exército de “oficial de escol”. É nomeado adido, mais ou menos quando é o número 10 ou 12 para ir a general. Só pode ficar dois anos, está na “bica” para ser promovido e outros querem o cargo.

Apesar do regime ser militar e Saraiva um brilhantíssimo oficial (ou não seria adido), foi sacrificado. E glorificado Delfim. Este veio para o Brasil impune, foi ministro da Agricultura de João Figueiredo, quando Mario Simonsen (Citisimonsen) se demitiu, Delfim trocou de cargo, todos já sabiam disso. Completou 12 anos e meio de ministro com diversos “presidentes”.

Na chamada redemocratização (?), ficou sempre na vez, mas não teve mais vez. Mesmo com Lula, esperava alguma coisa, espalhava, “Lula não toma decisão no setor econômico-financeiro, sem falar comigo”, Ha!Ha!Ha!

Agora, esse bisonho, bizarro e quase bizantino personagem, ministro-embaixador, vem tentando limpar a própria “identidade”. O Globo fez entrevista sobre os 20 anos do Plano Collor, ouviu os dois.

Na época foi publicada a declaração de Delfim: “Esse plano é GENIAL, nem eu como o AI-5 na mão seria capaz de fazer algo parecido”. Quer dizer, o próprio Delfim se considerava INCAPAZ. E depois, novo GENIAL, a respeito do plano: “Essa ideia do bloqueio é GENIAL, porque o DINHEIRO NÃO SERÁ DEVOLVIDO”.

***

PS – Tudo isso saiu publicado na época, e os que perderam tudo, ficaram furiosos com Collor e também com Delfim, que não estava no governo MAS APLAUDIA O CONFISCO.

PS2 – Quando Delfim e Roberto Campos, procuraram Collor, queriam (ou tinha a esperança) que Delfim fosse o ministro da Fazenda. Collor riu.

PS3 – Collor poderia ter “aproveitado” Delfim como ministro da Fazenda, teria feito o mesmo ou pior do que ela fez. Não sei quanto cobraram, mas a comissão (o famoso “por fora”, que com Delfim era obrigatório) do ministro de Costa e Silva, Medici e João Figueiredo, não teria limite.

PS4 – Hoje a saída de Delfim é esta: “Ri e diz que não se lembra de nada”, Ao contrário dos elefantes, Delfim esquece tudo, menos o número da conta numerada.

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