Delfim Netto sempre foi assim: do poder, pelo poder, para o poder

Delfim fez uma carreira meteórica no regime militar

Sebastião Nery

Em Paris, 1977, ligo para a embaixada do Brasil: – O embaixador está? – Sim, o senhor ministro está. Quem deseja falar com ele? É assim. Não é o embaixador, é o ministro. Não é o homem daqui, do exterior, é o homem daí, unha e carne com o dia-a-dia nacional. O homem integrado numa jogada política, hora a hora, minuto a minuto. O homem do poder, pelo poder, para o poder. E o poder, já ensinou a História, é a crônica do permanente instante.

Como sabia Napoleão, insuperável guru destas plagas. Não sei por que, talvez exatamente por isso, é em Napoleão que penso, às 8 da manhã fria desta disfarçada primavera parisiense, quando entro no número 5 da rua Amiral d´Estaing, residência do embaixador do Brasil na França. No gabinete amplo, de livros até o teto, está ele como um universitário inglês, daqueles dos filmes de antigamente, uma ilha de sabedoria cercada de papéis por todos os lados.

De sabedoria, não sei. Mas certamente de informação. Encontro-o de livro na mão: “The Concept of Equality in the Writings of Rousseau, Benthram and Kant”, by Alfred T. Williams, 1976.

O GORDO – Quem é mesmo este homem discretamente gordo, bem mais magro do que o apelido dos amigos – O Gordo -, que está lendo “O Conceito da Igualdade”, numa fria manhã de Paris, 8 horas de sábado?

Nasceu em São Paulo no dia 1º de maio de 1928. (- “Condenação ao trabalho? – Aparentemente. Mas também a liberação pelo trabalho”). Pais: Antonio e Maria, imigrantes italianos, do lar. Antonio, funcionário da Light. Modesto. Quase salário-mínimo. Nunca bateu o olho no dr. Galloti. Cresceu no bairro do Cambuci, o Brás dois, como qualquer menino pobre, espiando as gulosas vitrines do Natal dos meninos ricos. Com dezesseis anos, ainda no ginásio, primeiro emprego para ajudar o orçamento de casa: contínuo da Gessy, que ainda não era Lever. Entra na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo. Aí, disparou. Foi logo trabalhar como escriturário do Departamento de Estradas e Rodagem, encarregado do controle de gastos de gasolina. Passou depois para a Bolsa de Mercadorias e Associação Comercial de São Paulo.

ESTILO EUROPEU – Formação toda europeia. Os americanos ainda não haviam multinacionalizado a universidade brasileira. Os professores mais marcantes eram Mr. Stevenson, inglês, que introduziu no Brasil os métodos quantitativos na economia, a aplicação da matemática na economia, e Luís Freitas Bueno, em torno do qual se formou o primeiro grupo da escola.

“A vida pública foi uma convocação do presidente Castelo para assumir a Secretaria da Fazenda de São Paulo, quando o Laudo, vice-governador, substituiu o Ademar. O Ministério da Fazenda foi consequência de uma exposição ao presidente Costa e Silva sobre os problemas agrícolas do país. Era a primeira vez que eu o via. Nisso houve uma influência muito grande do Andreazza. Eu tinha continuado secretário da Fazenda do governo do Sodré. Sai de lá para o Ministério. Desde 52 sempre cooperei com o governo, participando da formulação de alguns planejamentos. No governo Carvalho Pinto, participei do Plano de Ação. Fiquei lá de 59 a 63. Antes disso já tinha trabalhado no planejamento da bacia Paraná-Uruguai. Em 64, 65, tinha-se criado o Consplan, com o Roberto Campos. Fui convidado para participar. Junto com o Graciano Sá e com um grupo que estava tentando verificar o que podia acontecer com o país em dez anos, trabalhamos muito na formação de um plano” – disse Delfim em 1977, quando eu escrevia na revista “Status”. Ele era assim: do poder, pelo poder e para o poder.

11 thoughts on “Delfim Netto sempre foi assim: do poder, pelo poder, para o poder

  1. Os pilantra$ morrem de velhos agarrados às tetas do erário. E os sem esquemas morrem trabalhando igual camelo para sustentá-los nas tetas gordas. Temos que acabar com isso, pelo amor de Deus, ninguém em sã consciência aguenta mais isso, nem as Escolas de Samba aguentam mais isso, temos que fazer alguma coisa para acabarmos com essa pouca vergonha, essa coisa espetaculosa deprimente, eleição para o partidarismo eleitoral, o golpismo ditatorial e seus tentáculos, velhaco$, até parece cadela no cio, a cachorrada fica louca, possessa, incontrolável e faz de tudo e qualquer coisa para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar e chegar lá, na boca da botija, digo, do erário. É como já disse o FHC, assim não dá, assim não é possível, não existe democracia nenhuma nisso, pelo contrário, é a lei do cão. Temos que reformular tudo isso e colocar a disputa eleitoral por cargos eletivos noutro patamar civilizatório, mais evoluído, como propõe a Democracia Direta com Meritocracia Eleitoral, pela RPL-PNBC-DD-ME, porque evoluir é preciso. https://www.youtube.com/watch?time_continue=45&v=_mTKbC57whk

  2. 11 mil prefeitos e vices ROUBANDO.
    3 mil deputados estaduais ROUBANDO.
    500 deputados federais ROUBANDO.
    80 senadores ROUBANDO.
    55 Governadores e vices ROUBANDO.

  3. Não tenho procuração para defender o Delfim Neto, aliás ele nem precisa disso, mas que cargo governamental ele ocupava para influenciar tão fortemente a licitação para a hidreelétrica de Belo Monte? No máximo, talvez um papel de uma espécie de despachante, que aliás um artigo do ESTADO DE SÃO PAULO tão bem o definiu quando de sua saída do governo por volta de 1985.
    Sei que o homem não é santo, mas eu o respeito muito, no minimo ouço com muita atenção as coisas que ele fala, o homem é de uma inteligencia impar. Além disso é um benemérito da FEA USP,faculdade onde estudei administração, boa parte da biblioteca foi doação dele.

    • Segundo meu colega de trabalho que estudava na FEA USP, não foi doação dele para a biblioteca, foi devolução dele para a biblioteca, já que ele demorava anos para devolver os livros que tomava emprestado.

      • Ele é solteiro e não tem herdeiros, a não ser esse sobrinho que tem aparecido nas notícias.

        Nada mais certo que devolva alguma contribuição para a universidade pública, na qual se formou.

  4. Convenhamos, Delfim Netto aparentemente não mudou quase nada, pelo menos nas fotos. Vemos uma foto dele e não sabemos a época em que foi tirada. Se atual ou antiga. A mesmíssima cara. De pau!

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