Delúbio volta ao PT e Sarney nomeia para Ouvidor do Senado um parlamentar que foi algemado e preso pela Polícia Federal. Desse jeito, é melhor acabar logo com o crime de corrupção.

Carlos Newton

A que ponto chegamos. João Paulo Cunha, um comprovado “mensaleiro”, que mandava a mulher ir ao Banco Rural receber o dinheiro da corrupção, é o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A Comissão de Ética do Senado tem, entre seus integrantes, parlamentares de ficha comprovadamente suja, como Renan Soares, Romero Jucá,Valdir Raupp (PMDB-RO), Gim Argello (PTB-DF) e Edison Lobão Filho (PMDB-MA), apelidado no Maranhão de Edinho 30, durante o governo do pai.

Um dos integrantes do Conselho de Ética, o senador Jayme Campos (DEM-MT) deu a seguinte desculpa: “São poucos os homens públicos hoje no país que não respondem a algum tipo de processo”. Traduzindo: na política praticamente só há corruptos (salvo as sempre honrosas exceções, como o deputado José Antonio Reguffe, do PDT de Brasília, que abriu mão de todas as mordomias e privilégios, ou o deputado Carlos Sampaio, do PSDB de São Paulo, que não aceitou o aumento salarial).

Para culminar, o senador João Alberto (PMDB-MA), do grupo de Sarney (como todos os outros), foi eleito presidente do Conselho pela terceira vez. Em todas as ocasiões que ocupou o cargo, ajudou a salvar companheiros de partido. Em 2001, por exemplo, apresentou um voto em separado contra a cassação do ex-senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), que acabou renunciando ao mandato para não ser cassado. Aliás, se já tivesse recuperado o mandato, Barbalho hoje seria integrante do Conselho, com toda certeza.

Não contente em escalar essa verdadeira Seleção de Corruptos, o presidente do Senado, José Sarney, convoca como titular da Ouvidoria o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que em 2004 foi algemado pela Polícia Federal e ficou quatro dias presos, numa operação realizada simultaneamente em quatro estados, para desmontar uma quadrilha integrada por políticos e empresários acusados de fraudar licitações para obras públicas no Amapá.

Como Ouvidor, cabe a Flexa Ribeiro ouvir reclamações, sugestões, denúncias, elogios e pedidos de informações da sociedade sobre as atividades da instituição, além de encaminhar e examinar acusações contra outros senadores, uma ironia do destino, digo, uma ironia tramada e concretizada por José Sarney, sempre ele, que se comporta como chefe da quadrilha.

Ao mesmo tempo, o PT, que foi criado, se fortaleceu e chegou ao poder pregando a moralidade pública, com seu líder Lula dizendo que havia “300 picaretas no Congresso”, agora age ainda pior do que os outros partidos.

Na verdade, o PT transformou o governo num balcão de negócios. O ex-ministro José Dirceu, denunciado como chefe da quadrilha do Mensalão pelo procurador-geral da República Antonio Fernando Souza, ficou rico em poucos anos, oferecendo consultoria e fazendo lobby para grandes empresas brasileiras e multinacionais. Hoje, é ele quem realmente manda no PT, suplantando até a influência de Lula e da presidente Dilma Rousseff. O novo presidente, Rui Falcão, é mais um subjugado a ele.

Comandanda por Dirceu, a ressurreição de Delubio Soares no PT é um acinte. O tesoureiro do Mensalão está de volta ao partido, vitorioso e bem-sucedido financeiramente, por fazer como Dirceu e usar seu “prestígio” no governo para fechar negócios imobiliários entre a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e a incorporadora Brookfield, além de criar sua própria e próspera imobiliária em Goiânia, conforme denuncia a revista Época, tudo às custas de seu prestígio no governo.  E assim como o mestre Dirceu, o discípulo Delubio também progrediu na vida, como a dupla sertaneja Milionário e Zé Rico. 

Agora, só está faltando o ex-secretário Silvinho Pereira ser readmitido. Ele está fazendo falta no time escalado por Dirceu. Afinal, seu único crime conhecido foi aceitar uma camioneta Land Rover de um empresário para o qual fazia lobby no governo. Ora, Dirceu & Delúbio (uma espécie de dupla sertaneja política) ganharam muito mais fazendo lobby e ninguém nunca se importou. Recentemente, o próprio ex-presidente Lula ganhou uma Land Rover de um empresário libanês, e todo mundo achou normal. Assim, não há dúvida, Silvinho Pereira é o grande injustiçado do PT. O partido precisa readmiti-lo e homenageá-lo, o mais rápido possível. Só depende de Dirceu.

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