Demissão de Palocci já está nas mãos do presidente Lula, perdão, da presidente Dilma. A confusão é tanta que a gente fica em dúvida sobre quem é que tem de assinar.

Carlos Newton

Agora, não tem mais jeito. Antonio Palocci foi cozinhado em fogo lento durante três longas semanas, que para ele pareceram um século, mas agora está no ponto para ser defenestrado. Como diz o senador petista Walter Pinheiro, da Bahia, que desde o início do escândalo cobrou explicações de chefe da Casa Civil, “cada dia é uma novidade, isso não para nunca”. Agora vai parar.

O pior de tudo é o impressionante desgaste da presidente Dilma Rousseff, que podia até ter se fortalecido, caso tivesse demitido Palocci assim que surgiram as denúncias, mas nao tinha cacife para tanto, apesar da caneta para assinar a exoneração ser dela.

A entrevista do chefe da Casa Civil à TV Globo deixou claro que Palocci nem ligava para ela. Não a informou sobre o sucesso da consultoria, disse que era apenas uma “empresinha”, da qual era sócio. Mas sócio como, se Palocci tem 99 por cento das ações e a mulher apenas 1%?  

E de repente Lula entrou em cena, abrindo as cortinas para desnudar a real situação política do país. Segundo o jornalista e escritor João Ubaldo Ribeiro, Lula é um gênio, que conseguiu fazer sozinho a tal reforma política e criou o “bipresidencialismo”, um regime de dois presidentes: ele próprio e Dilma Rousseff.  Foi por isso que ela insistiu tanto em ser chamada de presidenta, já que o presidente mesmo é Lula, explicou Ubaldo.

É preciso reconhecer que Lula fez o que pôde para salvar Palocci, mas a única coisa que conseguiu foi demonstrar a fragilidade da presidente Dilma, porque esse tipo de interferência no governo dos outros jamais poderia ser aceito. Como lembramos aqui no blog, na Argentina Nestor Kirchner jamais apareceu em público para resolver crises do governo de Cristina Kirchner, embora fossem marido e mulher. Mas Lula se acha no direito.

Bem, sem terem novidade por enquanto, salvo o caso do apartamento alugado por Palocci (que por coincidência transformou este ano a fabulosa consultoria numa simples administradora imobiliária), os jornalistas já especulam quem será o substituto na Casa Civil.

Os nomes citados são os ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Miriam Belchior (Planejamento), e de Maria das Graças Foster, diretora da Petrobras. No final do ano passado, durante a montagem do governo, Maria das Graças Foster constou da lista de ministeriáveis, mas sua possível indicação foi derrubada pela imprensa.

A empresa C. Foster (de seu marido, Colin Vaughan Foster) em apenas três anos assinou 42 contratos com a estatal, sendo 20 sem licitação. Antes de a empresa C. Foster firmar esses 42 contratos com a Petrobras, em 2004  já havia uma denúncia interna contra a engenheira, relacionada a suposto favorecimento à empresa do marido, e foi encaminhada à Casa Civil. O então ministro José Dirceu pediu esclarecimentos ao Ministério de Minas e Energia, sob o comando de Dilma.

Sem detalhar as apurações, a Petrobras informou no ofício que durante as entrevistas “surgiram críticas contundentes” a Graça Foster e alguns empregados agregaram “denúncias de irregularidades nos negócios com a C. Foster”. O documento diz ainda que foram encontradas “evidências de que houve prejuízos à Petrobras”.

Miriam Belchior é viúva do prefeito Celso Daniel, de Santo André, que foi assassinado em 2002 e até hoje o crime não foi considerado realmente esclarecido, e só um dos acusados foi a julgamento. Miriam foi assessora do presidente Lula, depois subchefe da Casa Civil e, no final, coordenadora-geral do PAC. No cargo atual, desde o início é ministra do Planejamento. 

Bem, este é o quadro, até o momento. Mas a toda hora muda, porque Lula já voltou ao país e vai determinar se Palocci será logo demitido ou se continuará sendo cozinhado até sumir de vez.

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