Demóstenes sofre a primeira derrota na Justiça: as gravações valem como provas contra ele.

Carlos Newton

É o assunto do momento. Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, considerando provas legais as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, que gravou centenas de conversas entre o empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), a defesa do parlamentar na Justiça começa a desmoronar.

Os advogados de Demóstenes pretendiam desconsiderar as gravações como provas válidas contra o senador, que tem foro privilegiado no Supremo, mas a tese não foi aceita, porque as gravações das conversas de Cachoeira foram autorizadas judicialmente.

Demóstenes Torres é acusado de tráfico de influência para favorecer o empresário-bicheiro. A relação entre o parlamentar e Carlinhos Cachoeira começou a ser divulgada pela imprensa depois que a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), levou Cachoeira e mais 34 pessoas para a cadeia, no final de fevereiro.

O vazamento para a imprensa das conversas telefônicas colhidas pela PF mostrou que, além de conhecer a atuação de Cachoeira com o jogo ilegal, Demóstenes também participava do esquema do contraventor. O senador foi flagrado em conversas nas quais combina interferir em assuntos ligados ao lobby pela legalização do jogo no Brasil em troca de favores de Cachoeira.

O ministro Ricardo Lewandowski, que é relator do processo, também pediu informações sobre o caso aos juizes da 11ª Vara da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás – e da Vara Única da Subseção Judiciária de Anápolis, que autorizaram as escutas telefônicas. O ministro determinou ainda que os autos do processo sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República.

Na semana passada, o STF autorizou a abertura de inquérito para investigar a participação de Demóstenes Torres no esquema de Carlinhos Cachoeira. Lewandowski então determinou a quebra do sigilo bancário do senador e pediu levantamento das emendas parlamentares apresentadas pelo político goiano, para constatar se há relação com os interesses do bicheiro. 

Traduzindo tudo isso: as chances de Demóstenes escapar da cassação são cada vez menores.

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PS – Em boa hora, o comentarista  Lafaiete Nogueira De Marco lembra-nos que o plenário do STF ainda não decidiu a respeito, e a bola ainda vai rolar.

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