Denúncias contra Cabral envolvem também o vice Pezão, que responde pela Secretaria Estadual de Obras e assinou muitos contratos sem licitação com a Delta.

Carlos Newton

É impressionante como se multiplicam as denúncias contra o governador Sergio Cabral. Ele até pensou que o fim de semana prolongado daria um alívio no tiroteio da imprensa, mas aconteceu exatamente o contrário. Os jornalistas aprofundaram a investigação sobre as relações perigosas entre o governador e determinados empresários, acumulando munição para manter o bombardeio durante todo o feriadão.

Na segunda-feira o ataque será ainda mais cerrado, porque acaba a licença de seis dias do governador, a Assembléia Legislativa estará reaberta e a oposição vai fazer a festa, com novas denúncias e o início da coleta de assinaturas de apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

O principal alvo da imprensa, é claro, são as relações íntimas do governador Sergio Cabral com o empresário Fernando Cavendish, da Delta Construções, com quem viajara para Porto Seguro na sexta-feira da semana passada, no jato de outro empresário, Eike Batista. E as investigações sobre Cavendish já começam a envolver também o vice Luiz Fernando Pezão, que responde pela Secretaria Estadual de Obras e tem feito contratos com a Delta sem licitação.

A imprensa já descobriu que, dos 18 contratos firmados entre o governo do Estado do Rio de Janeiro e a empreiteira Delta em 2010, 13 foram feitos em “caráter emergencial”, que no linguajar administrativo significa “sem licitação”. Detalhe que mostra a desfaçatez da equipe de Cabral: a secretaria estadual de Obras (leia-se: o vice-governador Luiz Fernando Pezão) informou que a “emergência” diz respeito às chuvas que atingiram o Estado em abril. Mas acontece que os contratos foram firmados entre setembro e outubro, no valor total de R$ 133,7 milhões, quando não havia temporais nem emergência alguma.

Agora, em 2011, dos quatro contratos já assinados pelo governo estadual com a empreiteira Delta do amigo de Cabral, três também foram feitos em caráter emergencial, no total de R$ 3,6 milhões. O motivo foi o mesmo: as chuvas que atingiram o Estado em fevereiro e abril deste ano.

A situação de Cabral chegou a tal ponto que a Polícia Federal está investigando até um dos fornecedores de adesivos para a campanha de reeleição do governador, a Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, uma empresa-fantasma.

Os federais descobriram que no endereço declarado como sede da empresa havia um prédio em construção. As sócias que constavam no contrato social eram duas senhoras de 84 anos. Uma não foi localizada no endereço indicado à Junta Comercial. A outra pouco sai de casa, segundo funcionários do prédio onde ela vive.

O inquérito tem como investigado apenas Cabral e a empresa, que forneceu material de campanha para 83 candidatos e dois partidos que apoiaram a reeleição do governador, tendo recebido, no total, R$ 5 milhões. O Comitê Financeiro Único do PMDB-RJ, principal doador da campanha de Cabral, pagou R$ 523 mil à empresa.

A assessoria de imprensa do governador alega que não faz “checagem de endereços” dos fornecedores de campanha. A assessoria diz também que o governador ainda não respondeu à Polícia Federal porque ainda não foi “intimado pessoalmente a se manifestar”.

A que ponto chegamos. Temos um governador que espera ser “intimado” pela Polícia Federal, ao invés de se oferecer para dar informações imediatas, como se espera de um cidadão realmente acima de qualquer suspeita.

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