Depois da casa arrombada, cadeado à porta: Bolsonaro manda devassar currículos de cotados ao MEC

Chamado por Bolsonaro, Decotelli diz que continua ministro da ...

Decotelli tentou se explicar, mas foi abatido por seu “currículo”

Mônica Bergamo
Folha

O presidente Jair Bolsonaro ordenou que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) fizesse uma verdadeira devassa na vida pública de todos os candidatos a ocupar o cargo de ministro da Educação. O ministro recém-nomeado, Carlos Decotelli, deixou o MEC depois de revelações de falsidade em seu currículo antecipada pela coluna.

Entre os cotados estão Anderson Correia, atual reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, Antonio Freitas, pré-reitor da FGV, Ilona Becskeházy e Sérgio Sant’Anna, ex-assessor do MEC.

IRRITAÇÃO – Bolsonaro ficou irritado com as surpresas que teve em torno do currículo de Carlos Decotelli, que afirmava ter doutorado, pós-doutorado e acabou sendo acusado até mesmo de plágio em uma dissertação de mestrado.

O primeiro constrangimento de Bolsonaro foi causado pela revelação  de que Decotelli não era doutor pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. Na sexta-feira, em uma entrevista exclusiva, o reitor da instituição, Franco Bartolacci, afirmou: “Ele [Decotelli] cursou o doutorado, mas não finalizou, portanto não completou os requisitos exigidos para obter a titulação de doutor na Universidade Nacional de Rosário”.

MANOBRA – O MEC tentou desmentir o reitor, divulgando um certificado de que o então ministro tinha cursado as disciplinas do doutorado na Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística da instituição. O reitor reafirmou então que ele de fato fez o curso –mas que sua tese tinha sido reprovada. Por isso, Decotelli, de fato, não era doutor.

Nesta terça-feira, Decotelli anunciou o pedido de demissão, cinco dias após ser nomeado para cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. A demissão foi a maneira encontrada pelo governo para encerrar a crise criada com as falsidades no currículo divulgado por Decotelli, o terceiro ministro da Educação da gestão Bolsonaro.

PLÁGIO – Em declaração na noite de segunda-feira, dia 29, após encontro com Bolsonaro, ele negou o plágio e disse que continuava ministro. Em seu currículo, Decotelli escreveu ter feito uma pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, que informou que o novo ministro não possui título da instituição.

Em nota divulgada na noite de segunda-feira, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) negou que o economista tenha sido professor ou pesquisador da instituição. A informação também constava em seu currículo, inclusive no texto divulgado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) quando assumiu a presidência do fundo em fevereiro do ano passado.

INSATISFAÇÃO – Nesta terça-feira, Decotelli demonstrou a pessoas próximas insatisfação com o gesto da FGV. Ele alega que lecionou em cursos de educação continuada da faculdade. Para o agora ex-ministro, diante de mais esse episódio, não haveria outra alternativa que não fosse pedir demissão. A nova controvérsia irritou Bolsonaro, segundo assessores, que consideraram a permanência de Decotelli insustentável.

No Palácio do Planalto, porém, havia um receio sobre a repercussão de uma exoneração. A preocupação era de que uma decisão do presidente pudesse fomentar uma crítica pelo fato de Decotelli ser o primeiro ministro negro da atual gestão. Por isso, a saída considerada ideal seria um pedido de demissão, conforme acabou ocorrendo.

Calos Decotteli foi escolhido para suceder Abraham Weintraub, que deixou o cargo após uma série de polêmicas com o STF (Supremo Tribunal Federal). A escolha de seu nome ocorreu como forma de dar uma imagem técnica ao MEC. Mas os problemas com o currículo provocaram efeito inverso, ridicularizando o governo, exatamente em um momento de necessidade de um sinal de seriedade com a educação.

13 thoughts on “Depois da casa arrombada, cadeado à porta: Bolsonaro manda devassar currículos de cotados ao MEC

  1. Vejam que surpresa interessante … “Em 21 de maio, um mês antes de o ex-ministro da Educação Carlos Decotelli ter sido desmoralizado com sua afirmação de que ele não concluiu curso de doutorado na instituição, o reitor da Universidade Nacional de Rosário (Argentina), Franco Bartolacci, fez uma “cerimônia virtual” para conceder um “título honoris causa” ao ex-presidente Lula, petista condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro. E ainda avisou: assim que puder, fará cerimônia presencial com seu ídolo.” (Cláudio Humberto).

    O reitor milongueiro já definiu: ladrão do dinheiro do povo é que merece ser “doutor” em sua universidade. E com todas as “honras” …

  2. Vai ver o reitor da Alemanha,FGV, são comunista….

    Na Quinta feira,da nomeação,Sr.Decotelli,deu entrevista para Jurandir Machado da Silva Rádio GUAÍBA as 13:45 com muito entusiasmo, porém nas perguntas Sr.Decotelli saiu pela tangente, não respondeu nenhuma,deu uma de Rolando Lero, aí senti que iria durar pouco.

  3. Reitor argentino deu título de ‘doutor’ a Lula um mês antes de desmentir Decotelli
    Franco Bartolacci fez cerimônia virtual para homenagear petista condenado por corrupção e lavagem de dinheiro* .Em 21 de maio, um mês antes de o ex-ministro da Educação Carlos Decotelli ter sido desmoralizado com sua afirmação de que ele não concluiu curso de doutorado na instituição, o reitor da Universidade Nacional de Rosário (Argentina), Franco Bartolacci, fez uma “cerimônia virtual” para conceder um “título honoris causa” ao ex-presidente Lula, petista condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro. E ainda avisou: assim que puder, fará cerimônia presencial com seu ídolo. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    A inundação de “inconsistências” no currículo de Decotelli começou com a Universidade de Rosário. Depois passou uma boiada.

    Além do doutorado, Decotelli também não realizou um pós-doutorado na Alemanha e é acusado de plágio na dissertação de mestrado.

  4. Reitor argentino deu título de ‘doutor’ a Lula um mês antes de desmentir Decotelli

    Franco Bartolacci fez cerimônia virtual para homenagear petista condenado por corrupção e lavagem de dinheiro* .Em 21 de maio, um mês antes de o ex-ministro da Educação Carlos Decotelli ter sido desmoralizado com sua afirmação de que ele não concluiu curso de doutorado na instituição, o reitor da Universidade Nacional de Rosário (Argentina), Franco Bartolacci, fez uma “cerimônia virtual” para conceder um “título honoris causa” ao ex-presidente Lula, petista condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro. E ainda avisou: assim que puder, fará cerimônia presencial com seu ídolo. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    A inundação de “inconsistências” no currículo de Decotelli começou com a Universidade de Rosário. Depois passou uma boiada.

    Além do doutorado, Decotelli também não realizou um pós-doutorado na Alemanha e é acusado de plágio na dissertação de mestrado.

  5. Analisando friamente o caso, pergunto:

    Será que não fosse Carlos Decotelli negro, haveria o mesmo empenho para vasculhar o currículo?

    Será que Salles, Damares, etc possuem currículo íntegro?

  6. Bolsonaro se elegeu com mentiras.
    Todos no seu governo escondem uma mentira – e mesmo os militares (prova disso que o oficial temporário da reserva não remunerada mentiu no cv, os generais mentiram no depoimento etc)

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