Depois das urnas, em três meses, Dilma amplia aprovação nas ruas

Pedro do Coutto

A pesquisa que o Ibope realizou para a Confederação Nacional da Indústria, publicada na edição de sábado de O Estado de São Paulo, revela que, depois das urnas, onde conquistou ampla vitória em outubro de 2010, agora, três meses depois de assumir o governo, ampliou ainda mais sua aprovação nas ruas. Ela está recebendo o apoio de 56% da opinião pública do país contra apenas a fração de 5%. Vinte e sete por cento consideram seu desempenho regular, o que nada significa além de uma neutralidade. A parcela de 12%, portanto, não soube ou não quis responder. Logo, 88 passam a ser iguais a 100.

O que aconteceu no segundo turno da disputa presidencial? Dilma alcançou 56% dos votos válidos contra 44% dados a José Serra. Neste momento, acentua a pesquisa Ibope/CNI, sua margem de vantagem é bem maior. Cresceu. Pois se 88 passaram a ser iguais a 100 e ela obteve 56, em manifestações válidas atinge praticamente 62 pontos.

Onde estão os 44% que couberam a Serra? Encontram-se nos que não a aprovam mas também não se opõem a ela e nos 5% que lhe são contrários. Conclui-se assim não só  que ela subiu significativamente, como decresceu a parcela que preferiu o ex governador de São Paulo. Assim, a oposição política nacional que havia encolhido no final do governo Lula diminuiu ainda mais na era Dilma Roussef.

A presidente conquistou novos espaços. Especialmente em função de política externa. O PSDB e o DEM permanecem sem rumo, sem alternativa, sem discurso. As eleições municipais são em outubro de 2012. Que podem os dois partidos dizerem ao eleitorado? Muito pouco. No ano passado enfrentaram apenas a liderança de Lula.Agora enfrentam o legado deste e a perspectiva oferecida por Rousseff ao país.

A política de reajuste salarial, a grande arma de Luis Inácio da Silva em relação a FHC e ao PSDB, continua. A Bolsa Família também. O índice de desemprego recuou de 9,7 para 6,1%. E não se encontra mais na faixa de angústia como se verificava. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmim, aproximou-se do Planalto. O prefeito Gilberto Kassab saiu do DEM e, de forma pouco velada, passou a apoiar Dilma. O senador Aécio Neves não convence no papel de oposicionista. Se nas urnas, ao disputar o mandato de senador, ele não se empenhou em favor da candidatura Serra, não será agora que partirá para radicalizar o processo político. O choque frontal não é a sua vocação, tampouco seu estilo.

Dentro desse quadro bastante nítido, Dilma consolida e, não só consolida, mas amplia sua liderança inclusive na medida em que impossibilita qualquer avanço de correntes oposicionistas contra seu governo. A pesquisa do Ibope mergulha no sentimento popular e emerge refletindo uma realidade inquestionável. Dilma vence os grupos contrários a sua atuação, por larga margem.

Nas urnas de 2010 derrotou Serra, como dissemos no início deste artigo, por 56 a 44. Onde foram parar os outros 39%? Na aceitação de um novo panorama ou à espera de fatos capazes de aquecer o congelamento de uma reação contrária impraticável nos dias de hoje?  Pode ser que haja mudança na opinião pública na campanha municipal de 2012. Não é provável. Mas em matéria de política e de voto nada é de todo impossível.

Nesta hipótese, porém, estaremos saindo da pesquisa e acendendo uma bola de cristal.

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